Vai...
Vai, não mais hesites
em busca da tua vida por viver...
Vai, sem medo ou desvios
percorre o teu caminho
deixa-te ferir pelos seus espinhos
deixa-te cair as vezes que forem necessárias
até te ergueres imponente como uma estátua
em tua homenagem.
Vai que já o tempo se escoa
que esse teu corpo perde a força
de outras vontades
e o teu coração já tropeça
no ritmo dum mundo diferente
Vai sempre em frente
conquista teu pedaço de terra
na tua própria carne
dilacerada por amores perdidos
desfeito de dor e prazer
refeito entre as tuas mãos abertas
Vai sem parar
digno de ti mesmo
cansado de ser
apesar de tudo
esse teu viver
apressado e atrasado
Vai...
e esquece o caminho do regresso.
© Manuel Neves
(reservados os direitos de autor)