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As Grandes Conquistas Históricas |
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Final do Paulistão de 82 |
| O Corinthians começou o ano de 1982
por baixo, na Taça de Prata. Mas, viva a humildade: realizou, evoluiu
e passou à Taça de Ouro, onde fez bonito: quarto lugar. Quando, no
dia 12 de dezembro, o time entrava em campo para decidir o título
paulista com o São Paulo, já havia espantado as bruxas de seu
caminho, jogava com personalidade própria. Sem dúvida, era uma vitória
da democracia implantada no clube, que seguia uma filosofia simples.
"Todos têm o direito à opinião e à liberdade de participar do
projeto de tornar o Corinthians Campeão", proclamava o diretor
de futebol Adilson Monteiro Alves. A experiência deu certo. O
Corinthians foi o clube com melhor campanha no campeonato. Vinha para
a final com direito a um empate, já que ganhara a primeira partida
decisiva por 1 X 0.
A tensão natural que antecede as grandes decisões. entretanto, fora acentuada com declarações como as do preparador físico do São Paulo, Gilberto Tim. "Eles vão tremer. Somos machos e o Corinthians é um bando de meninos desmamados". "Ah, é? Se o problema deles é homem, pode vir aqui no clube", respondeu o goleiro Solito. Circo armado, nervos à flor da pele, começa o jogo. O time são-paulino é conhecido como A Máquina. Tem Oscar, Dario Pereyra, Marinho, Renato, Serginho e Zé Sérgio. E o Corinthtians conta com Wladimir, Sócrates, Zenon, Casagrande - a revelação do ano - e Biro-Biro. Talento por talento, a comparação só pode ser feita durante a partida. E o jogo é duro. Belas jogadas contrastam com lances banais, e o primeiro tempo termina em 0 X 0. Quando a partida recomeça, os são-paulinos, que precisavam da vitória, partem com tudo. Esfriam, aos 20 minutos, quando Zenon cobra uma falta na trave de Waldir Peres. E desabam quando Biro-Biro entra na área, meio desequilibrado, e assinala o primeiro gol. No desespero, partem para cima e, aos 32, Dario Pereyra empata o jogo. Eis que Ataliba faz jogada de gênio, dois são-paulinos trombam, Biro se aproxima, recebe e mete a bola no meio das pernas de Waldir. É o herói da partida. Corre para a torcida agitando a bandeira do Corinthians que um torcedor lhe atira. Sobra tempo para Casagrande fazer seu gol número 28 no campeonato, José Assis Aragão apitar o final e a massa assistir ao time da solidariedade dar a volta olímpica. Devagar, saboreando a conquista. |
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Centenário da Cidade de São Paulo |
| Ano do Centenário da Independência
do Brasil, 1922. No futebol, um atrativo chamava a atenção: o
vencedor do campeonato, além de receber um título importante, seria
declarado "Campeão do Centenário" e permaneceria com a glória
por 100 anos. Na visão romântica dos homens da época, isso
valorizava o campeonato paulista e conquistá-lo seria um feito.
A febre de vencer sá tinha atingido a equipe alvinegra e valorizado sua campanha. O Corinthians chegava à final com garra e a disputa decisiva estava marcada para o dia 4 de fevereiro de 1923, contra o Paulistano. O campo do Floresta estava lotado. O Corinthians entrava com Neco; e o Paulistano com Friedenreich. Na hora do jogo, o juiz Bartolomeu Gugani - o Bartô, beque da Associação Atlética São Bento - não estava no campo. E Agenor Urbina Telles, do Rio Claro Futebol Clube, acabou sendo seu substituto. O jogo já começa nervoso, disputado. Bola com Neco, entra pelo meio e vai driblando. Um, dois, engana o terceiro e deixa a área escancarada para Tatu arrematar sem a menor chance para o goleiro Arnaldo. O Paulistano reage e Del Debbio, Gelindo e Amílcar têm que se desdobrar diante das investidas de Formiga, Zecchio e Friedenreich. No segundo tempo, a tensão aumenta. Só quando o meia Peres centra a bola na área para Gambarotta completar de cabeça, fazendo seu gol número 19 no campeonato, é que a torcida explode. Formam-se cortejos e, nos botecos do subúrbio, o assunto é um só. A façanha ganha contorno de lenda. Os filhos que nascessem seriam "campeões do centenário". E este ninguém tirava mais, pelo menos nos próximos cem anos. |
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Invasão do Maracanã |
| 5 de Dezembro de 1976. Setenta mil
corinthianos invadem o Rio de Janeiro para assistir à semifinal do
Campeonato Brasileiro. O adversário é o Fluminense, uma verdadeira máquina
de jogar futebol. Seu presidente, Francisco Horta, passara a semana
inteira provocando a Fiel. Por isso estão todos lá, um exército em
festa. Os bares vendem em tempo recorde 80 mil garrafas de
refrigerantes e 120 mil de cerveja. Faz calor, mas chove sem parar.
A entrada das duas equipes em campo tem um duelo a parte. A torcida tricolor gasta duas toneladas de pó-de-arroz na saudação e os corinthianos respondem com uma atordoante bateria de fogos e milhares de bandeiras. Quantos às torcidas, não há dúvida de que a visitante é a vencedora. Moisés e Ruço chegam junto e se impõem. Romeu e Neca fazem o vaivém constante e Givanildo cadencia o meio-de-campo. Em vão. O fluminense impõe seu toque de bola e, aos 18 minutos, Gil cruza e Carlos Alberto Pintinho se antecipa a Zé Eduardo, sem chance para Tobias. O gol assusta mas não esfria o ânimo da torcida. Onze minutos depois, Vaguinho centra para Neca cabecear. Ruço, de meia-bicicleta, todo toro, vence o goleiro Renato e empata a partida. O tempo todo a massa empurra o time. O Maracanã vira um lamaçal e o jogo fica feio tecnicamente. O Corinthians se defende como pode. É só raça. Vem a prorrogação e os ataques e contra-ataques se sucedem. O 1 X 1 persiste e a decisão é nos pênaltis. Um ritual de tortura pouco recomendável para os corações mais fracos. O presidente Vicente Matheus reza no túnel enquanto os jogadores se aprontam para as cobranças. Neca bate primeiro. Chuta. Marca. Rodrigues Neto vem depois. Tobias defende, mas o juiz manda voltar. Novo chute, novo erro. Explode um carnaval, o barulho é ensurdecedor. Tobias defende outro, pênalti. Ruço e Moisés também conferem. A vantagem é grande e Zé Maria vai cobrar o último. Chuta e ... pimba! É um gol histórico, daqueles de lembrar para sempre. Agora, o exército pode voltar para a base. Missão cumprida. |
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Quarto Centenário da Independência do Brasil |
| O dia 6 de Fevereiro de 1955
amanheceu ensolarado. desde cedo, o movimento nas ruas era intenso.
Carros e ônibus passavam lotados em direção ao Estádio do
Pacaembu. Às 4 da tarde, Corinthians e Palmeiras decidiriam o
Campeonato Paulista do ano anterior e o vencedor seria o Campeão do
IV Centenário da Cidade de São Paulo. Para o corinthians, bastava o
empate. Estava três pontos na frente e só tinha mais um jogo, com o
São Paulo. O Palmeiras, não. Precisava da vitória e, caso
conseguisse, ainda teria de torcer pelo tricolor.
Muito folclore cercava a disputa. Do lado palmeirense, um pai-de-santo mandou o presidente do clube engessar a perna e carregar uma bengala branca, com a qual benzeria o treinador - dois toques em cada ombro - para deixá-lo com o corpo fechado. como se não bastasse, mandou o time entrar em campo vestido de azul. Ordem extraterrena. Não podia ser contestada. No Corinthians, um presidente nervoso - Alfredo Ignácio Trindade - ficava no vestiário, rosário nas mãos, lágrimas nos olhos, numa reza sentida. Que se acelerou quando os jogadores entraram em campo com seus calções negros, camisas brancas e distintivo sobre o coração. Pacaembu lotado. A bola rola no meio-campo, a parada é dura. Aos 10 minutos, Goiano recupera um bola na intermediária, lança para Rafael, que centra para a área. Luizinho se antecipa a Waldemar Fiume e bate forte, sem chance para Laércio. O Pacaembu vira uma loucura, mas o time cai na retranca. Quando o primeiro tempo acaba, o goleiro Gilmar é o melhor homem em campo. Começa o segundo tempo e a tensão aumenta. aos 5 minutos, homero faz falta em Liminha. Jair cobra e Idário erra na cabeçada. A bola vai entrando e Ney tem apenas o trabalho de empurrá-la. É o empate. Passam-se os minutos, o jogo é dramático : Corinthians na defesa, Palmeiras no ataque. Gilmar vai salvando o time. O juiz já olha para o relógio quando humberto chega na marca de pênalti do Corinthians, vê o canto e chuta. Gilmar defende a bola. Não dá tempo para mais nada. Corinthians, Campeão dos Centenários! A torcida invade o gramado e carrega os jogadores. Luizinho tem seu uniforme rasgado. Gilmar chora. Os torcedores Chico Mendes e Tan-Tan descobrem carros alegóricos que vão animar o carnaval nas ruas. A festa corinthiana se arrasta pela madrugada e passa para a história. |
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Quebra do Tabu contra o Santos |
| Já eram 11 anos e 22 partidas sem
uma única vitória contra o Santos. Um tabu que se arrastava desde 3
de Novembro de 1957, quando o Corinthians empatou de 3 X 3 com o time
da Vila Belmiro, conquistando a Taça dos Invictos e jogando pela
primeira vez contra o garoto feroz chamado Pelé.
O Pacaembu estava lotado. O dia era 6 de Março de 1968 e a cidade não tinha outro assunto que não fosse o jogo: "Será que desta vez dá?" O Corinthians, reforçado por Paulo Borges, Buião e o técnico Lula (vindo do Santos depois de 11 anos), entrou em campo. Nas arquibancadas, uma faixa demonstrava o espírito da torcida: "A Fiel não está de luto; só os covardes acreditam na derrota". E todos gritavam: "É hoje!" Verdade que o goleiro Diogo não inspirava muita confiança e maioria não acreditava que o lateral direito Osvaldo Cunha pudesse levar a melhor contra o ofensivo ponta Edu. Mas a partida estava começando e o negócio era torcer. O Corinthians começou tentando sufocar o Santos. Cláudio faz boas defesas e o técnico santista vaticina: "É fogo de palha! Deixa eles correrem!" No banco corinthiano, o técnico Lula fuma um cigarro depois do outro e grita: "Flávio, vê se não dorme. Mexa-se!" O primeiro tempo termina empatado. Luís Carlos é o melhor homem em campo e marca Pelé com segurança. No intervalo, a instrução de Lula é curta e grossa: "O time deve lutar como se fosse o último jogo da vida de cada um". E é com esse espírito que todos voltam ao campo para o segundo tempo. A pressão do Timão aumenta. Rivelino coloca uma bola de primeira e ela bate na trave. Aos 13 minutos, Paulo Borges desce pela esquerda, tabela com Flávio e recebe na frente. Mesmo desequilibrado, arrisca um tiro de esquerda. É Gol! Corinthians 1 X 0 Santos. Mas exige-se atenção. Pelé é impossível, todos sabem. Aos 31 minutos, Rivelino sai driblando, aproxima-se da área e aguarda a infiltração de Flávio. Coloca o centroavante na frente do gol e esta não desperdiça a chance: enfia o pé com vontade e acaba com o tabu. Quando o juiz apita o fim da partida, Pelé chora, os jogadores do Corinthians são carregados e o ponta esquerda Edu, do Santos, leva a bola para o vestiário. "Um presente para o meu sargento", revelou, depois, o recruta. No dia seguinte, uma fila de torcedores contornava o quarteirão da Igreja dos Enforcados, na Liberdade. Os corinthianos pagavam aliviados suas promessas, sabendo que a fé tinha ajudado o futebol a vencer o tabu e derrotar o imbatível Santos de Pelé. |
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Fim do Jejum de Títulos |
| Naquela noite de verão, em 1977, não
restou uma única cerveja nos bares de São Paulo. A sede corinthiana
era muita e não dava para ficar de goela seca, aguentando toda a emoção
só com a coragem. O jeito era tomar uma e torcer. Desesperadamente.
Até com loucura. vinte e dois anos sem um campeonato era muita coisa.
Centenas de jogadores tinham aparecido e sumido; dezenas de técnicos
tinham passado pelo clube; a dor pesava no sofrido peito corinthiano.
A torcida era imensa, bem maior que antes, e estava seden ta. entre
eles, um único desejo, uma idéia fixa: "Corinthians Campeão!"
O time entrava em campo. No banco, a força de Osvaldo Brandão. Profético, ele tinha avisado Basílio: "Você vai fazer o gol do título". Agora, era ver para confirmar. Começa a partida. Provocações agitam o ambiente. O Corinthians vai para cima, mas a defesa da Ponte Preta é forte e está bem postada. Luciano, que substitui Palhinha, dá logo um chutão. A bola passa por Carlos e bate na trave. Afobado, o zagueiro Polozi quase marca contra. Deus! Aos 16 minutos a vez é deles. Rui Rei penetra na área e leva a bola com a mão. É obstruído por Wladimir, mas Dulcídio Wanderley Boschilia já havia marcado a primeira falta. Rui Rei reclama, leva cartão amarelo. Prossegue a reclamação e é expulso. Mas a Ponte, mesmo com dez, se desdobra. Aos 39 minutos, é a vez de Geraldão aproveitar o cruzamento de Vaguinho e cabecear, mas Carlos defende. acaba o primeiro tempo e os 1900 guardas de serviço no Morumbi têm muito trabalho para evitar brigas e acalmar os ânimo s. Começa o segundo tempo e os dois times estão cautelosos. O medo é recíproco. Aos 17 minutos, Luciano chuta uma bola perigosa. Oito minutos depois, é a vez de Dicá cabecear sozinho. O velho Brandão levanta do banco e manda o time ir para a frente. É tudo ou nada, os torcedores se vigiam uns aos outros com medo de que o coração falhe. São 37 minutos. Zé Maria cobra uma falta pelo lado direito. Sobra para Vaguinho, que manda a bola na trave. A sobra agora é de Wladimir, que cabeceia. Oscar salva, o rebote é de Basílio. O pé direito bate e marca. "Gooooooolll! Gol do Brasil!", narra um empolgado locutor, captando bem o espírito da vitória. Faltam ainda 8 minutos. O medo existe e está no ar. a bola não pára em campo, vai para todo lado. O problema é não deixar que chegue ao gol de Tobias. Esqueça o esquema tático. Oscar e Geraldão brigam e são expulsos. Palhinha está no túnel, roendo seu boné marrom, quando Dulcídio pega a bola e encerra o jogo. Osvaldo Brandão é carregado pelos torcedores. Vicente Matheus perde um pé de sapato e a multidão invade o campo. Enlouquecidos, comem a grama ou a guardam no bolso. Vale tudo como recordação. Os herói s, meio nus, dão a volta olímpica. O coro do "É Campeão!" invade a madrugada, São Paulo não é mais cinza - é preto e branco. Para saudar o encontro do povo com a glória. Fonte Revista Placar |
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Três vezes Tri |
| O
Corinthians é o único time três vezes tricampeão paulista. O time já conseguiu o tricampeonato nos anos de: 1922, 1923, 1924; 1928, 1929, 1930 e nos anos 1937, 1938 e 1939. |
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Campeão da Copa Brasil 95 |
| O Corinthians de tantas glorias já amargava cinco anos sem título. O mais duro é que nos ultimos quatro, foram quatro faixas de vice. O grito estava entalado na garganta e tinha que ser agora. Após uma vitoria em casa por 2 a 1, o time precisava apenas de uma empate para conquistar um título inédito, inclusive para o futebol paulista: A Copa do Brasil. Esse é o tipo de campeonato duro, um erro pode ser fatal, não ha chance de recuperação, pois o torneio é eliminatório. Após passar por grandes times como o Paraná Clube e Vasco da Gama, o adversário não podia ser pior: o Grêmio. A equipe do Sul participou de 5 das 7 finais disputadas e levou 3 delas. Segundo eles, não seria diferente. Mas o Corinthians não decepcionou. Venceu por 1 a 0, conquistou o título e garantiu o time na Libertadores em 1996. |