SIGMUND, FREUD

  A doutrina psicanalítica foi criada no final do século XIX pelo médico austríaco Sigmund Freud, cuja preocupação inicial foi a descobrir como minorar o sofrimento causado pelos distúrbios emocionais. Em lugar de aceitar que se devia amortecer esse sofrimento mediante a prescrição de remédios, procurou descobrir quais fenômenos estavam em sua gênese. Concluiu que o desejo era o que estava encoberto, e constatou também que a manifestação dessa verdade provocava efeitos positivos sobre os sintomas, principalmente sobre o sofrimento, cuja causa é o desconhecimento do desejo. Ou seja, a revelação do desejo reprimido eliminava o sofrimento.

Baseado nas investigações de Josef Breuer, bem como nas de Jean Martin Charcot e Pierre-Marie-Félix  Janet, sobre a aplicação de catarse hipnótica em pacientes com traumas psíquicos e morbígenos, Freud supôs que o sintoma histérico poderia ser o substitutivo de um ato mental omitido ou uma reminiscência da ocasião em que o mesmo fora praticado. Apesar dos excelentes resultados advindos da terapêutica pela catarse hipnótica, rejeitou a inevitável relação de dominação estabelecida entre médico e paciente por essa técnica e, após amplas investigações, substituiu a hipnose por um método de livre associação de idéias, feita espontaneamente pelo paciente em estado de vigília. Com isso, estavam lançadas as bases da psicanálise.

   

 

FERENCZI, SÁNDOR

  Um dos mais íntimos colaboradores de Freud, Ferenczi, tornou-se famoso pelas experiências em clínica psicanalítica que mais tarde constituíram as bases do psicodrama e da análise de grupo.

Sándor Ferenczi nasceu na cidade de Miskolc, Hungria, em 1873 e formou-se em medicina aos 21 anos pela Universidade de Viena. Quando conheceu Freud, em 1908, já se especializara em neurologia e neuropatologia e adquirira experiência com a hipnose. Logo passou a integrar a Sociedade de Psicanálise de Viena, que reunia os mais próximos colaboradores do criador da psicanálise, com quem estabeleceu uma grande amizade pessoal.

Muitas das experiências em clínica psicanalítica de Ferenczi foram publicadas no livro The Development of Psychoanalysis (1924; O desenvolvimento da psicanálise), escrito em colaboração com Otto Rank. Suas pesquisas acabaram por afastá-lo da ortodoxia psicanalítica e de Freud. Nos últimos anos de vida, modificou suas posições e adotou a tese de que o terapeuta deve ser livre para manifestar afeição pelo paciente e encorajá-lo a reviver experiências traumáticas da infância. Ferenczi morreu em Budapeste, em 1933.

 

   

JUNG, CARL GUSTAV

  Um dos primeiros seguidores de Sigmund Freud, criador da psicanálise, Jung afastou-se do mestre em 1912 e fundou sua própria teoria, a psicologia analítica, para a qual é inaceitável a tese freudiana de que todos os fenômenos inconscientes se explicam por influências e experiências infantis ligadas à libido.

Carl Gustav Jung nasceu em Kesswil, Suíça, em 26 de julho de 1875. Filho de um pastor protestante, desistiu da carreira eclesiástica para estudar filosofia e medicina, nas universidades de Basiléia e Zurique. Interessado nos problemas de transtorno de conduta, seguiu os ensinamentos do neurologista e psicólogo francês Pierre Janet no hospital de la Salpêtrière de Paris. De novo em Zurique, trabalhou com o psiquiatra suíço Eugen Bleuler, que se tornaria célebre pelos estudos da esquizofrenia.

A partir de 1907, Jung entrou em contato com Sigmund Freud, com quem manteve estreita relação. Discípulo predileto do mestre tornou-se o primeiro presidente da Sociedade Psicanalítica Internacional. A publicação, em 1912, de seu livro Wandlungen und Symbole der Libido (Transformações e símbolos da libido) significou o início de suas divergências com Freud, que culminariam com o afastamento de Jung do movimento psicanalítico. Naquela obra, Jung opunha-se ao caráter exclusivamente sexual da libido e considerava que esta constituía, antes, uma energia de caráter universal. Em Psychologische Typen (1920; Tipos psicológicos), observou que, conforme essa energia vital se dirigisse para o interior ou para o exterior, ensejaria o aparecimento de um dos dois tipos psicológicos fundamentais: a introversão ou a extroversão.

Outros conceitos centrais da psicologia analítica -- nome com o qual o próprio Jung designou seu método -- foram o de complexo (conjunto de represeentações psíquicas cuja influência se manifesta sem nenhum controle efetivo do eu) e o de inconsciente coletivo.  Jung afirmou que as sociedades humanas participam de arquétipos comuns a todas elas, que se expressam por meio dos mitos, das religiões, da arte, dos sonhos e, também, da loucura e das enfermidades psíquicas. Em obras posteriores, com destaque para Psychologie und Religion (1939; Psicologia e religião) e Psychologie und Alchemie (1944; Psicologia e alquimia), esforçou-se por determinar a natureza daquelas constantes arquetípicas, numa aventura espiritual que foi considerada, em algumas ocasiões, próxima do misticismo.

Para a análise do inconsciente coletivo (e dos sonhos), Jung estudou sobretudo os símbolos das religiões orientais (Índia, China) e os da alquimia medieval, que considerava um fenômeno religioso. Jung deixou uma obra original e de ampla influência na cultura universal. Faleceu em Küssnacht, Suíça, em 6 de junho de 1961.

   

 

 

 

      REICH, WILHELM

            Era médico e cientista natural, nascido em 24 de março de 1987, ingressou na faculdade de medicina em 1918 na Universidade de Viena, onde freqüentou o Seminário de Sexologia e por volta de um ano, tornou-se membro da Sociedade Psicanalítica de Viena e o primeiro assistente de Freud na Policlínica Psicanalítica e em seguida recebe seu diploma de médico (1922). Nesse mesmo período fundou uma clínica psicanalítica.

            Tentou em 1927, fazer análise com Freud, que se recusou a fazer uma exceção à sua política de não tratar os membros do seu círculo psicanalítico com muita intimidade. Nessa época houve um sério conflito entre Reich e Freud, porque Freud se recusava a analisar Reich.

            Desenvolveu por quase quarenta anos uma pesquisa sobre os processos energéticos primordiais e vitais, a chamada Psicoterapia Corporal. Iniciou seu trabalho  tendo como principal objeto de estudo o funcionamento da "bio-energia" (função bioenergética da excitabilidade e motilidade da substância viva), o encaminhamento lógico desse trabalho conduziu-o à descoberta de uma "força" básica que atua não só nos seres vivos, mas também nos cosmos. Esse novo tipo de energia foi experimentalmente comprovado por Reich no período de 1939-1940 e nomeada "energia orgone cósmica", e a partir de então nasce a chamada Organomia - ciência que se dedica ao estudo das manifestações da energia orgone no micro e no macro cosmos, no vivo e no inanimado.

            Reich via a mente como uma única unidade, e aos poucos passava de um trabalho analítico com base apenas na linguagem, para a análise dos aspectos físicos e psicológicos do caráter e da couraça caraterológica e para uma maior ênfase no trabalho com a couraça muscular e no desenvolvimento de um fluxo de bioenergia.

            A primeira contribuição importante à terapia psicanalítica foi a elaboração de uma técnica coerente das resistências analíticas. Freud demonstrou a importância de analisar a resistência do paciente antes de interpretar os seus desejos inconscientes. Reich  mostrou como perceber e analisar as resistências, o que mais tarde tornou-se parte integrante da terapia psicanalítica.

Embora Reich tenha circulado pelas mais variadas áreas do conhecimento (Psicanálise, Epsitemologia, Sociologia, Antropologia, Biofísica, Física, etc.), o fio condutor e entrelaçador da pesquisa reichiana sempre foi a investigação da especificidade dos processos energéticos básicos. Inicialmente, nos domínios psíquico e social; depois na dimensão biofísica; por fim no território cósmico.  

            Suas obras seguem um trajeto biográfico de forma extremamente coerente: inicialmente, Reich se aprofunda na perspectiva psicanalítica, com importantes contribuições, até que se compreende a neurose como resultante da energia sexual, esta percepção teórica integra-se com sua prática político. 

             

 

 

KLEIN, MELANIE

  As observações de Melanie Klein sobre o comportamento lúdico infantil tornaram possível a psicanálise de crianças de apenas dois ou três anos. Ela demonstrou que, ao brincar, a criança desvenda as fantasias de sua vida inconsciente.

Melanie Klein nasceu em Viena em 30 de março de 1882. Interessou-se pela medicina, projeto que abandonou aos 21 anos por um casamento infeliz, do qual teve três filhos. Em Budapeste foi aluna de Sándor Ferenczi, que a incentivou a dedicar-se à psicanálise de crianças. Em 1919 escreveu seu primeiro trabalho nessa área. Dois anos mais tarde foi trabalhar em Berlim e em 1926 mudou-se para Londres.

No livro The Psychoanalysis of Children (1932; A psicanálise da criança), Klein expõe seu método psicanalítico. Certa de que o brinquedo é um caminho simbólico para aliviar a ansiedade, dedicou-se a observar a conduta infantil durante as brincadeiras, com o objetivo de determinar os impulsos e as idéias próprias dos primeiros anos de vida. Para ela, a técnica do brinquedo é essencial, sobretudo na fase pré-verbal ou quando a comunicação verbal se torna difícil. Em Developments in Psychoanalysis (1952; Fases na psicanálise) considera que as primeiras experiências resultantes da amamentação do bebê e as relações maternais iniciam um tipo de relação objetal que é básica na explicação da conduta infantil. A capacidade crescente do ego para criar defesas que o habilitem gradualmente a resolver as ansiedades e a reparar as relações objetais é parte essencial do processo de desenvolvimento.

Melanie Klein morreu em Londres, em 22 de setembro de 1960. Seu livro Narrative of a Child Analysis (Narrativa da análise de uma criança), baseado em notas tomadas em 1941, foi publicado em 1961.

 

 

 

LACAN, JACQUES

  A influência de Lacan, tido como intérprete original da obra de Freud, estendeu-se além do campo da psicanálise e fez dele uma das figuras dominantes na vida cultural francesa na década de 1970.

Jacques Lacan nasceu em Paris, em 13 de abril de 1901, de família burguesa e católica. Formou-se em medicina, especializando-se em psiquiatria, e foi interno de Gaétean de Clérambaut, a quem considerava seu único mestre no campo psiquiátrico. Com a tese de doutorado La Psychose paranoïaque dans ses rapports avec la personnalité (1932; A psicose paranóica em suas relações com a personalidade), mostrou impressionante erudição e simpatia pela psicanálise, numa época em que preconceitos obstavam sua disseminação na França.

Lacan buscou a companhia dos artistas do surrealismo, atraídos pelo caráter revolucionário das teses freudianas. Acompanhou o famoso seminário de Alexandre Kojève sobre Hegel e se ligou a intelectuais de ponta do pensamento francês, entre eles Raymond Aron, Maurice Merleau-Ponty e Georges Bataille. Em 1934, entrou para a Sociedade Psicanalítica de Paris. Em 1936, apresentou num congresso seu trabalho sobre o "estágio do espelho". A partir daí, sua história se confunde com a da própria psicanálise.

Conhecedor profundo da obra de Freud, Lacan empreendeu ao mesmo tempo um retorno e uma revolução em direção a uma psicanálise que para ele havia perdido o sentido original. O retorno visou resgatar os fundamentos psicanalíticos, que para Lacan se encontram no próprio conceito de inconsciente. Para empreender sua grande crítica às vertentes americana e francesa da psicanálise, cujo tema central é a discussão sobre o imaginário, pesquisou a linguagem e deduziu que é ela a condição de existência do inconsciente, que só existe no sujeito falante.

Numa retomada crítica dos conceitos saussurianos de "significante" e "significado", Lacan afirmou a autonomia do significante e o inseriu na origem simbólica, constituída pela linguagem. Afirmou que o significante preexiste ao sujeito e sobrevive a ele, faz do sujeito homem ou mulher, traça seu destino e o priva de qualquer relação natural com o mundo.

Lacan não é um autor simples nem fácil. Seus conceitos demandam, além de uma carga exaustiva de leitura, uma inversão do pensamento racional e linear a que está habituada a cultura ocidental. Em seus Écrits (1966; Escritos) e vinte seminários abordou temas tão complexos quanto polêmicos, como a ética da psicanálise, a transferência, o princípio do prazer e conceitos fundamentais da psicanálise, entre outros.

        Em 1980, dissolveu a Escola Freudiana de Paris, que fundara em 1964, e criou a Escola da Causa Freudiana. Lacan faleceu em Paris, em 9 de setembro de 1981.

 

 

 

    ERIK ERIKSON

        Erik Erikson (1963;1964;1968) foi um psicólogo do ego comtemporâneo; sua teoria representa uma tentativa de ampliar e construir os fundamentos da teoria psicanalítica de Freud. Da mesma forma que os outros neofreudianos(como por exemplo, Fromm, Horney, Sullivan), Erikson ressalta a importância das funções do ego e influências sócias ao tentar compreender a personalidade. Erikson é melhor conhecido por sua teoria do desenvolvimento psicossocial, considerada por ele uma extensão das idéias de Freud a respeito do crescimento do indivíduo através de uma série de estágios psicossexuais. No entanto, ao contrário de Freud, Erikson dedica grande atenção ao período de latência, como também à adolescência. Além disso, seus estágios do desenvolvimento vão desde a infância, passando pela vida adulta até a velhice.

Os escritos de Erikson incluem uma grande quantidade de estudos de casos através dos quais tenta mostrar como o desenvolvimento da personalidade de um indivíduo é moldado pela natureza particular de sua sociedade ou subcultura. Publicou vários livros nos quais aplicou métodos psicológicos no estudo de figuras históricas importantes, como Martin Luther King e Gandhi.

Erikson atribuiu menor importância aos determinantes psicológicos e destacou a importância das influências sociais no desenvolvimento da personalidade. Sem propriamente negar as noções de Freud a respeito da importância dos impulsos inconscientes primitivos, ele tentou construir uma teoria psicanalítica, dando especial atenção às funções integradoras e de orientação para a realidade do ego, atribuindo-lhes uma significação maior ao desenvolvimento da personalidade.

No entanto, a contribuição mais importante de Erikson reside provavelmente em sua extensão da teoria psicanalítica do desenvolvimento ao incluir tanto o período de latência como a adolescência. Suas noções acerca da importância da identidade do ego tornaram-se bastante influentes e estimularam muitas pesquisas na área dos problemas de identidade entre adolescentes nesta cultura e em outras sociedades. Psicólogos, psiquiatras e sociólogos contemporâneos utilizaram algumas das idéias de Erikson em suas tentativas de compreender problemas como o da delinqüência juvenil, psicose e depressão na adolescência e protestos estudantis.

 

 

 

ERICH FROMM

            Nasceu em Frankfurt, Alemanha em 1900, estudou psicologia e sociologia nas Universidades de Heidelberg, Frankfurt e Munich. Doutorou-se em filosofia em 1922, e posteriormente recebeu sua formação em psicanálise. Fromm foi para os Estados Unidos em 1933, como professor conferencista do Instituto Psicanalítco de Chicago e iniciou em seguida sua clínica particular em Nova York.

            Fromm foi fortemente influenciado pelos trabalhos de Karl Marx, comparava as idéias de Freud com as de Marx, apontando as contradições entre elas, porpondo uma síntese. Considerava Marx, um pensador mais profundo do Freud e utilizava-se da psicanálise apenas para preencher as lacunas deixadas por Marx. Escreveu em 1959, uma vigorosa polêmica crítica sobre a personalidade de Freud e a influência exercida por ele, de modo contrastante, um elogio incondicional a Marx. Fromm era chamado de teórico marxista da personalidade, ele preferia ser chamado de humanista dialético.

            Seus trabalhos eram ancorados em seu profundo conhecimento de história, sociologia, literatura e filosofia. O tema principal de seus trabalhos era de que o homem se sente só e isolado porque se separou da natureza e dos outros homens. Esse isolamento não se encontra nas espécies animais, é uma situação caracteristicamente humana. Fromm expõe a tese segundo a qual, à liberdade que o homem tem conquistado através dos séculos, tem sentido cada vez mais solitário. A liberdade torna-se então uma condição negativa da qual o homem procura escapar.

            Ele mostra em livros que toda a forma de sociedade, seja ela feudalismo, capitalismo fascismo, socialismo ou comunismo, representa uma tentativa de solucionar a contradição básica do homem. Essa contradição reside no fato de o homem ser, ao mesmo tempo, parte da natureza e separado dela, ser animal e humano, como animais temos necessidades fisiológicas que devem ser satisfeitas e como seres humanos possuímos autoconsciência, razão e imaginação.

            Fromm descreveu cinco tipos de caráter social existentes na sociedade atual: o receptivo, o explorador, o acumulador, o comerciante e o produtivo. Esses tipos representam as diferentes formas de relação do indivíduo com o mundo e como os outros. O tipo produtivo é o único considerado saudável. Qualquer indivíduo é constituído da mistura desses cinco tipos ou orientações com relação ao mundo, embora uma ou duas dessas orientações possam assumir um lugar de destaque em relação às outras. Fromm depois de muito tempo descreveu um sexto tipo: o necrófilo, que é atraído pela morte e o biófilo, que ama a vida.

            Para Fromm o objetivo principal desse estudo é o de ilustrar a tese de que segundo ele o caráter (a personalidade) afeta e é afetada pela estrutura social e pelas mudanças sociais.

     

 

 

 

 

           ROGERS, CARL

            Carl Rogers era aos olhos do mundo psicológico, psicoterapeuta no qual a desenvolveu e a criou, nascido em 08 de julho de 1902, era um teórico da personalidade contemporâneo, cuja abordagem enfatiza a experiência subjetiva e os processos internos, sua teoria é descrita como uma teoria "fenomenológica" ou do "self". Em seus escritos, Rogers preocupou-se primeiramente em explicar as mudanças que ocorrem na situação terapêutica. Vem a falecer no ano de 1987.

            Obteve destaque como pioneiro no desenvolvimento da chamada Psicologia Humanista ou Terceira Força em Psicologia, foi um dos principais responsáveis pelo acesso e reconhecimento dos psicólogos ao universo clínico, antes dominado pela psiquiatria médica e pela psicanálise, que era exercida exclusivamente por médicos até bem pouco tempo atrás.

            Logo após graduar-se na Universidade Wisconsin, em 1924, Rogers passou a freqüentar o Seminário Teológico Unido (em Nova York), onde recebeu uma liberal visão filosófica da religião; quando transferido para a universidade da Columbia, foi introduzido na psicologia. Nesta mesma universidade obteve seus títulos de Mestre (1928) e Doutor (1931), suas primeiras experiências clínicas tiveram como base a  tradição behaviorista e psicanalista.

             A contribuição mais importante de Rogers para a psicoterapia é constituída pelos princípios de sua experiência terapêutica denominado propriamente de "Terapia Centrada na Pessoa", onde é de fundamental importância a ênfase na experiência atual, relacionado ao material trazido pelo cliente no momento do encontro terapêutico, e que é ligado à totalidade da experiência subjetiva vivenciada, o que se liga, igualmente, ao amplo e corrente fluido dos sentimentos mais íntimos. Ela se refere ao que se é sentido  imediatamente e que é implicitamente significativo para o sentimento que o sujeito experimenta ao ter uma experiência.

             Seus trabalhos nas áreas de prática e treinamento psicoterápicos influenciaram tanto no aumento da aceitação de uma terapia de curta duração e, consequentemente, um processo simplificado de treinamento, quanto no número potencial dos psicoterapeutas. Os psicólogos que seguem uma linha de aconselhamento em instituições educacionais e clérigas proliferam a partir destas técnicas de treinamento. Parte da atração por teorias contemporâneas do self e investigações que lidam com seu conceito, pode ser atribuída ao trabalho de Rogers e seus colaboradores.

            Foi reconhecido também como um líder entre um grupo de psicólogos que se consideram acima de tudo "humanistas", Rogers desenvolveu uma teoria focalizando principalmente os processo gerais amplos envolvidos na psicoterapia e ajustamento.

            A abordagem de psicoterapia tem grande impacto sobre a psicologia e sobre o público em geral, sendo menos popular quanto à psicanálise freudiana. Sua teoria da personalidade tem sido bem recebida, mais particularmente, sua ênfase na importância do eu.   Rogers influenciou o movimento do potencial humano, e suas obras eram vistas como uma importante contribuição da tendência de humanização da psicologia

            Por todo o seu legado, Rogers é de extrema importância e atualidade, assim não podemos definido por representantes da corrente racionalista dominante, como ultrapassado ou superficial. Neste momento, o aspecto existencial e otimista da Psicoterapia Centrada no Cliente parece ser um método altamente positivo para a nossa saúde psíquica. 

           

   

 

          ROLLO MAY

              Rollo May é considerado por muitos como sendo um autor existencialista. Tal conceituação, no entanto é indevida. May tenta fazer uma convergência dos princípios existencialistas com os pressupostos psicanalistas. Para melhor configurar seu distanciamento dos princípios existencialistas, May coloca: “... parece que existe a seguinte lei em atividade quanto mais acurada e pormenorizadamente pudermos descrever um dado mecanismo, tanto mais perdemos de vista a pessoa existente”.

    Rollo May iniciou seus estudos psicoterápicos em Viena e completou na cidade de Nova Yorque o seu doutorado e treinamento em psicoterapia. É famoso igualmente como escritor, pela invulgar sensibilidade, simplicidade e clareza de expressão; o que o coloca entre os mais lidos psicólogos do mundo. Seus livros interessam ao especialista, pela profundidade e segurança dos conceitos; ao público não especializado pela maneira interessante e fácil de dizer as coisas. Diz o que todos precisam ouvir sobre solidão e ansiedade do homem moderno, sobre a perda de certezas na atual sociedade em mutação, sugere valores e metas, soluções talvez, que trazem coragem e liberdade.

Os existencialistas negam a noção de inconsciente, aliás como todos os termos utilizados pela metapsicologia freudiana. Ora, nesse sentido, um ator que se propõe a ser existencialista, é enfatizada por May como sendo o elo entre as idéias e os pressupostos existencialistas. May chega ao extremo de colocar que os pressupostos existencialistas enfatizam que o “mecanismo tem significado em função da pessoa”. É o autor de vários livros; e muitos acadêmicos, ao procurar por leituras existencialistas, são atirados inadvertidamente de encontro a sua obra. Tal fato provoca constrangimento e irascibilidade nos meios existencialistas que recusam-se a aceita-lo como pertencente as suas idéias.

 

 

 

        BINSWANGER

            Ludwig Binswanger nasceu em Kreuslingen, Suíça a 13 de abril de 1881, e formou-se em medicina na Universidade de Zurique, em 1907. Ele estudou com Eugen Blewler, um eminente psiquiatra suíço e com Jung foi um dos primeiros seguidores suíços de Freud e sua amizade perdurou por toda a vida. Sucedeu a seu pai (e a seu avó) na direção médica do sanatório Bellevue em Kreuzeingen; morreu em 1966.

            Ludwig Binswanger, descendente de uma tradicional família de médicos e psiquiatras, é hoje em dia, octogenário, o psiquiatra de maior prestígio no Velho Mundo. Paulatinamente conseguiu elaborar uma síntese de tão divergentes pontos de vista e em seu livro sobre psiquiatria e existencialismo (traduzido em francês), bem como sua monografia sobre as formas fundamentais e conhecimento existencial, mas a orientação técnica para aplicar esses conhecimentos com finalidade compreensiva e terapêutica  

  No início da década de vinte, Binswanger foi um dos primeiros proponentes da aplicação fenomenologia à psiquiatria. Dez anos depois ele se tornou um analista existencial. Binswanger define a análise existencial como a análise fenomenológica da existência humana real. Seu objeto é a reconstrução do mundo interno da experiência.

   

 

        LAING

             Laing é um dos mais importantes autores que trabalharam na convergência dos pressupostos existencialistas para o campo da psiquiatria e psicoterapia. Sua importância não reside apenas nesse ponto. Uma de suas obras Razão e Violência – Uma Década da Filosofia de Sastre. Essa obra é um dos marcos iniciais do movimento denominado “antipsiquiatria”. A partir da reflexões Sastreanas, Laing e Cooper construíram um método de compreensão da existência que colocou por terra todos os pressupostos da psiquiatria tradicional. A propagação da “antipsiquiatria” foi de tamanho vulto que em todos os cantos do mundo seu eco foi eclodido com uma repercussão sequer tangível pela razão.

 

   

 

        VICTOR E. FRANKL

             Frankl era judeu e sobreviveu num campo de concentração, é autor de vários livros e apesar de sua obra ser identificada como sendo Psicoterapia Existencial, o método por ele proposto, na realidade toca apenas tangencialmente o pensamento existencialista. Ele é considerado por alguns como sendo existencialista e que ao contrário dos demais existencialistas europeus, não é pessimista em suas idéias. De fato se for incluído no rol dos existencialistas, será colocado na convergência dos existencialistas que incluíam Deus em suas reflexões.

            É criador da “logoterapia”, afirmando que análise existencial e logoterapia são a mesma coisa: “Pode-se pois dizer que a análise existencial vai além de uma simples análise, sendo também terapia e precisamente logoterapia, no que difere da análise da existência, a qual segundo as definições de seus pensadores de maior projeção – em si e como tal não chega a ser (Psico) terapia no verdadeiro sentido do termo. Com efeito. ‘logos’ significa sentido e logoterapia é, portanto, uma psicoterapia baseada no sentido que dá ao paciente uma nova orientação. Ampliou o conceito de inconsciente através do “inconsciente espiritual”, tentando provar a transcendentalidade da consciência. Segundo ele, o homem adoece quando não encontra um sentido para sua vida. Em sua ampliação da noção de inconsciente, Frankl tentou mostrar que não há apenas um inconsciente impulsivo, mas, principalmente, um inconsciente espiritual.   

 

 

 

 

 

 

 

 

          PERLS

            Frederic Salomon Perls, fundador da Gestalt terapia era um homem de personalidade complexa, tendo ele próprio se afastado de sua proposta inicial, tal como é apresentado no Gestal Therapy. Homem de teatro, de forte personalidade, vaidoso, Fritz construiu um modelo muito centrado em técnicas que invadiram o mundo, deformando a face primitiva da Gestalt – terapia. Nos últimos anos, porém, diversos autores, alguns dos quais seus contemporâneos e até discípulos, têm tentado devolver à Gestalt  seu rumo inicia, sem perder, contudo a importância do vivido apresentado por Perls.

            Seu primeiro trabalho publicado ( Ego, Hunger and Agression )se propõe a reexaminar a teoria psicanalítica, lançando a idéia de que a agressividade se constitui numa função saudável que desempenha um papel importante no processo de desenvolvimento, tanto no que concerne à preservação de si mesmo quanto na interação do indivíduo com seu meio. Uma das importantes contribuições da Gestalt-Terapia refere-se à visão holística do homem, o qual é concebido como ser bio-psicossocial, sempre em interação com seu meio, isto è, leva-se em conta não apenas o que ocorre com a pessoa em sua totalidade mas também o contexto no qual isso ocorre. O importante conceito de awarenees, possibilita ao cliente dar se conta do que passa consigo. Refere-se a capacidade de aperceber-se do que se passa dentro e fora de si no momento presente, em nível corporal, mental e emocional. É a possibilidade de perceber simultaneamente os meios externo e interno através dos recursos perceptivos e emocionais, embora em determinado momento alguma coisa (interna ou externa) possa se tornar proeminente.

 

 

 

 

 

 

        MASLOW

            Maslow nasceu no Brooklin, em Nova York, no dia 1º de abril de 1908. Todos os seus títulos foram obtidos na universidade de Wisconsin. Onde realizou pesquisas sobre o comportamento dos primatas. Durante quatorze anos, integrou o corpo docente do Brooklin College. Em 1951, foi para a Universidade de Brandeis, onde permanenceu até 1969, quando se tornou professor residente da Fundaçõa Laughlin, em Menlo Park; na Califórnia, Maslow foi vítima de um ataque cardíaco fatal no dia 8 de junho de 1970.

Abraham Maslow é juntamente com Rogers um dos psicólogos contemporâneos que, por seus pontos de vista a respeito da personalidade e natureza humanas são mais freqüentemente reconhecidos como “humanistas”. A teoria de Maslow representa uma tentativa para ampliar as teorias que lidam com as chamadas “necessidades de deficiência”, incluindo, numa teoria hierárquica da motivação, a consideração de “necessidades de crescimento”, que são vistas como igualmente importantes para obter-se uma compreensão do comportamento humano.

Maslow formulou uma teoria hierárquica da motivação humana. Esta hierarquia consiste em uma série de necessidades básicas, algumas das quais mais “preponderantes” do que outras -ou seja, mais básicas no sentido de que essas necessidades devem ser satisfeitas antes que outras possam emergir como propulsoras importantes da conduta. As idéias de Maslow sobre a natureza da personalidade tiveram uma influência entre os psicólogos humanistas contemporâneos. A psicologia humanista representa um afastamento da metodologia científica tradicional e uma aproximação com métodos de observação mais subjetivos, orientados por valores, e uma tentativa de compreender o comportamento humano. As idéias de Maslow sobre as necessidades básicas, e especialmente sua elaboração do conceito de auto-atualização, são consideradas contribuições muito importantes por muitos psicólogos que sentem que devem se preocupar com o estudo tanto dos indivíduos neuróticos, como dos indivíduos saudáveis. Talvez o maior valor de sua teoria resida na atenção despertada sobre aspectos importantes do comportamento humano que foram omitidos por muitos psicólogos.