AO MANUEL MANCEBO, JR.

 

Aqueles a quem legaste

Terras e gado, fartura,

Desprezando-te, tombaste

Mais cedo na sepultura.

 

Teu destino foi traçado

Quando ao mundo vieste,

Doaste terras e gado

Mas cuidados não tiveste.

 

Mesmo antes da operação

Tivessem tido cuidado,

Com tua alimentação,

Não serias já finado.

 

Eu não falo aqui a esmo

Mas do que ouvi falar,

Dizendo todos o mesmo

É fácil de acreditar.

 

Foi má alimentação

Dar-te só sopa ralinha,

Ou em substituição

Dar-te canja de galinha.

 

Esclarecido aqui deixe

Ser isso boa comida,

Se levasse carne e peixe

Nessa sopa bem moída.

 

À Neuza telefonei

Que se mostrou agastada,

De conselhos que lhe dei

Mas não serviram de nada.

 

Recomendei com sentido

Se a mente não fosse bruta,

Para te darem um batido

Ou mesmo sumo de fruta.

Fizeram orelhas moucas,

O que falei se perdeu!

Deleitaram suas bocas,

Com o fruto que foi teu?

 

As coisas são como são

E não como nós queremos,

Já lá estás, meu irmão,

E nunca mais nos veremos!

 ©José Pereira Mancebo - SILAPI