Timorenses marcham por Konis Santana
A comunidade timorense comemorou, ontem à tarde, o 2º aniversário da morte do comandante Nino Konis Santana, um militar e diplomata cujo papel foi determinante na luta pela independência do povo timorense. A Associação Portugal Loro Sae foi a organizadora da iniciativa que incluiu uma missa, uma marcha e o lançamento de flores para o rio Tejo. As cerimónias começaram por volta das três da tarde, com o padre Apolinário a celebrar uma missa por alma do comandante, na Igreja de São Nicolau, que contou com o coro timorense Loriku Ramkabian. No fim da eucaristia, foi passada a gravação duma mensagem de Xanana Gusmão, gravada via telemóvel a 9 de Março, em que o líder timorense faz um elogio ao seu "fiel amigo e companheiro [...] que morreu em difíceis circunstâncias". Finda a missa iniciou-se a marcha, desde a igreja da Baixa até à Praça do Comércio, com os transeuntes, que passeavam pela Rua Augusta, a olharem surpreendidos e interessados para as várias dezenas de pessoas que integravam1103.html a marcha de malmequeres na mão, a maior parte da comunidade timorense. O malmequer funcionou como símbolo do sol nascente - o significado do nome do território timorense, Loro Sae, na nossa Língua - e revelou-se fundamental no passo seguinte da iniciativa: o lançamento de flores para o rio Tejo. Um gesto que, como explicou um elemento da Associação Portugal Loro Sae, foi acima de tudo um sinal de esperança para que os problemas se resolvam em Timor. António Campos, antigo guarda-costas de Xanana, leu uma biografia do Comandante Nino Santana, e o dia ficou completo com a apresentação de uma placa comemorativa da ocasião, com texto redigido por jovens timorenses, que será depositada no túmulo do Comandante, em Timor.
Correio da Manhã, 12/03/2000.
| Home |