O esforço inicial foi de assitir à população de Tutuala que tinha que se movimentar para o Ocidente, para a parte de Loré e depois disto até Matebian. Ele com outros quadros, também jovens, desempenharam um papel muito importante na mobilização da população. Depois da ruptura da Campanha de Cerco e Aniquilamento, a montanha de Matebian foi escolhido por mim entre outros quadros também jovens da Ponta Leste. Acompanhou-me desde o início até que se fixou em Tutuala para o início da organização da população anteriormente rendida e a população capturada em Matebian. Em 81, na reorganização do país e da luta foi colocado nas regiões centrais como quadro médio desempenhando desde secretário da região de Viqueque, até finalmente passar para a região de Ainaro como comissário político. Em 84 numa tentativa de golpe, feita por alguns descontentes, que estavam a ser despromovidos, por falta de responsabilidade perante a luta e perante os guerrilheiros, Konis Santana, mais uma vez, com outros quadros nas regiões centrais, e quero anotar aí o então colaborador António Campos, foram dos que puderam manter a serenidade perante tão difícil situação.
Estes são os votos que configuram a pessoa humana e política que fez de Konis Santana um dos heróis da libertação da Pátria Timor. Muitas vezes quando ele me escrevia, ele sempre dizia: "Irmão, tu sabes bem, eu sou o teu Cavalo de Tróia". Isto porquê? Sempre que eu necessitava de alguém, que fosse cumprir à risca as orientações emanadas por mim, era o Konis Santana, com mais alguns outros, mas era o Konis Santana que eu mandava. Dizia: "Vai e cumpre", e foi sempre um fiel companheiro, foi sempre um fiel amigo, em todas, mas todas as circunstâncias. Foi amigo, foi irmão e foi sobretudo companheiro de luta. Morreu em difíceis circunstâncias. Eu já fui até ao local onde ele está enterrado. Eu já fui até ao local onde ele trabalhava. Nunca supus que ele pudesse deixar-nos demasiado depressa. Mas a luta de libertação de Timor Leste ficaria incompleta se nas suas páginas não se registasse uma vontade férrea de aprender e de servir, um espírito de sacrifício, um espírito de responsabilidade que, diga-se de passagem, poucos podem oferecer à Pátria.
Konis Santana, um jovem de Tutuala, um jovem da ponta da ilha, que morreu na fronteira, onde é amado, é venerado e onde é recordado como filho também. Konis Santana está entre os grandes da Pátria, está entre os Heróis da libertação do Povo de Timor Leste. Toda a homenagem que eu poderia fazer, se pode sintetizar nestas breves palavras, em que tentei desenhar o perfil de um jovem quadro que se tornou num grande líder. Ele estará sempre registado entre os Heróis e entre os Mártires da
Libertação.
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