Povo coreano
contra políticas neoliberais
Em 15 de setembro
de 1999, KoPa "Ação do Povo Coreano contra Tratados de Investimento e a
Nova Rodada da OMC" foi criada. Ela é composta de mais de 25 organizações
de movimentos sociais, de cidadãos e de trabalhadores. Somente após a crise do
FMI, dois anos atrás, é que os setores progressistas voltaram os olhos para os
efeitos globais do neoliberalismo e para meios de ação contra estes efeitos em
escala global. Há considerável atenção enfocando as possibilidades de
solidariedade internacional. KoPA não é um arranjo de curto prazo, continuará
agindo depois de Seattle. "Nós queremos outra sociedade que respeite a
democracia, os direitos humanos, o meio ambiente e a diversidade cultural!",
KoPa sustenta. Os coreanos estão sempre tendo que ouvir sobre os benefícios do
‘livre comércio, do livre investimento e do regime da OMC’, porém, no processo
assim chamado de ‘recuperação econômica’ da crise do FMI, o fosso de renda
entre as classes superiores e mais baixas cresceu ainda mais.
A Manifestação do
Povo 99 ocorreu dia 14 de Novembro no centro de Seul, no parque Youido.
Aproximadamente 25.000 trabalhadores, agricultores, estudantes, e membros de
vários movimentos sociais participaram da reunião e da passeata até a estação
de trem de Seul. Dúzias de faixas foram penduradas em árvores e postes com
reivindicações do tipo ‘Redução de Horas de trabalho!’ ‘Erradicação Total da
Lei de Segurança Nacional!’ ‘Solucione as Dívidas dos Agricultores!’ ‘Contra
Privatização!’ ‘Aumento de Verbas para a Educação!’ O programa de
reestruturação do FMI, o governo de Kim Dae Jung e suas políticas neoliberais
foram severamente criticadas. Um pessoa que discursava comentou, durante sua
fala, que "o governo está dizendo às pessoas que nós nos recuperamos da
crise do FMI, mas olhe ao redor e para nós mesmos. Nós nos recuperamos? Milhões
de trabalhadores não tiveram que deixar seus empregos? Milhões não tiveram os
salários reduzidos? Milhares não foram jogados às ruas? A economia pode ter melhorado,
mas só para o rico e o poderoso, ao custo dos trabalhadores e do povo deste
país."
Depois da caminhada
para Estação de Trem de Seul, aproximadamente 5000 dos participantes da marcha
bloquearam as estradas e ocuparam todas as oito pistas na frente da estação. O
comitê da Manifestação do Povo declarou uma luta total contra o governo se não
ocorrerem conversas sinceras com os trabalhadores e os agricultores e as
reivindicações do povo não forem atendidas.
Em 27 de novembro,
outra manifestação ocorreu com participação de 3000 pessoas.
Em 30 de novembro,
de acordo com o dia internacional de ação, o KoPA organizou uma manifestação na
frente dos edifícios governamentais no centro de Seul. Um agricultor gritou,
"a Rodada do Uruguai foi a fonte de incontáveis lágrimas e sangue
derramados pelos agricultores, a Nova Rodada da OMC é uma questão de vida e
morte para os agricultores!”.
Também no dia 30, o
Comitê Organizador do Festival de Filmes de Direitos Humanos de Seul,
solidariamente ao dia internacional de ação, apresentou três filmes sobre os
efeitos nefastos que a OMC, o FMI, e a globalização neoliberal tem causado às
pessoas no mundo.
O KoPA está
atualmente mantendo as pessoas na Coréia atualizadas sobre as ações contra a
Nova Rodada da OMC em Seattle, como também no resto do mundo. Nós acreditamos
que este é só o começo do trabalho a ser feito na Coréia. Temos sido muito
encorajados pelo apoio que temos recebido de pessoas e de organizações
progressistas. Recebemos notícias das manifestações de Seattle e ficamos
enormemente motivados e inspirados por elas. Nossa luta é sua luta! Dê o poder
às Pessoas!
Em Solidariedade,
Editores do Boletim PICIS
Política &
Centro de Informação pela Solidariedade Internacional, 2º Andar, 696, Shindaibang1-dong,
Dongjak-ku, Seul, Coreia http://picis.jinbo.net / E-mail:picis@jinbo.net,
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P.S.: Em 6 de dezembro
a KCTU (Confederação Coreana Sindical) fez um protesto pacífico na frente da
Assembléia Nacional. A polícia ocupou o local no dia 7 de dezembro.
Dezembro: A KCTU
anunciou, conseqüentemente, a luta total contra o regime de Kim. Em 10 de dezembro,
a 2ª Manifestação do Povo ocorreu em Seul com cerca de 35.000 pessoas. Os
manifestantes mostraram sua revolta e frustração. Os agricultores anunciaram a
rejeição total à OMC e ao regime de Kim. Os participantes da marcha tiveram que
enfrentar a obstrução de 10.000 policiais da tropa de choque. Houve grandes
conflitos entre os manifestantes e a polícia. Muitos estudantes foram detidos e
feridos, e alguns estão em estado grave. O regime de Kim distorceu o ocorrido e
anunciou que punirá severamente os manifestantes.
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