N30 na Itália

O N30, na Itália apareceu num período de lutas. De fato, muitas categorias sociais estão em ebulição, por diferentes razões mas todas de alguma forma ligadas aos problemas trazidos à sociedade pelo neoliberalismo. Em particular:

- Os estudantes estão protestando há um mês contra uma lei de "paridade" entre o ensino público e o privado. Centenas de faculdades foram ocupadas nestes dias.

- Os trabalhadores protestando contra cortes nas suas aposentadorias, enquanto a idade de aposentadoria já passou dos 62 para os 67 anos, para os homens, e de 57 para 62, para as mulheres.

- Movimentos de base estão protestando contra a nova onda de repressão que está invadindo a Itália e contra o desalojamento anunciado de muitas ocupações de sem-teto (squats) e Centros Sociais importantes.

O N30, na Itália, começou com alguma antecipação:

Sexta-feira, 26, Pádua. Uma manifestação pacífica em frente à exposição da GMO "Bionova" (à qual foram os quadros principais das companhias GMO) foi atacada pela polícia por duas vezes, o que resultou em cerca de 20 manifestantes feridos sendo que um jovem camarada teve que ser levado para o hospital. O presidente da Câmara de Veneza, Beppe Caccia, à frente da manifestação, foi espancado pela polícia e preso, depois libertado, passadas uma horas.

Sábado, 27, Milão: Um grande número de pessoas do movimento anarquista e dos Centros Sociais junta-se a uma manifestação de um sindicato de base (não acerca do N30) e dá-lhe um forte caráter anti-OMC.

Por outro lado, um grupo de "Casacos Brancos" (grupo de ação direta da sensibilidade zapatista / Centros Sociais) ocupou o primeiro e mais visitado McDonald’s de Milão, na Praça S. Babila, acorrentando-se à fachada do edifício, com faixas enormes contra a OMC e o neoliberalismo, e distribuíram panfletos para os transeuntes, em um cenário surrealista ao som de música popular. A ação, sem intervenção policial, durou um par de horas e acabou quando a manifestação do sindicato entrou na Praça de S. Babila.

Segunda-feira, 29, Milão: Estudantes da nova Universidade "La Bicocca", ocuparam a faculdade de "Ciências biológicas", num protesto contra a OMC e a comida transgênica.

Terça-feira, 30, Milão: Tenda de informação permanente, no Larço Cairoli, uma praça bem central, para informar os cidadãos sobre a OMC e as razões para a contestar.

À noite, debates públicos no Centro Social Leoncavallo, com a participação de Barreda Marin, professor na Universidade UNAM, da cidade do México.

Roma: Um grupo de Casacos Brancos ocupou o QG do Comitê Nacional para a Bio-segurança, com faixas contra os alimentos geneticamente modificados e a OMC. Esta ação foi promovida pelos Centros Sociais e sindicatos de base.

Arezzo: Malabaristas, músicos e todo o gênero de artistas fizeram uma manifestação criativa pela rua principal desta antiga cidade da Toscânia. Os cidadãos e os transeuntes reagiram de uma forma muito positiva, e muitos deles falaram para rádios e TVs locais contra a OMC, definindo-a como uma "organização não eleita, que toma decisões por todos nós, mesmo que não convidada para o fazer!".

Quarta, 1, Génova: Debates públicos sobre a OMC no "Café Baghdad", uma organização cultural.

Sexta, 3, Milão: Marcha noturna com tochas para protestar contra a repressão em Seattle e Londres, à qual compareceram cerca de 100 pessoas.

Por fim, por toda a semana de Seattle, houve vários ataques na internet, lançados pela "Lilliput network" (uma rede social de base cristã) e um dia de não compras, o 26 de Novembro.

No que diz respeito à Itália, é tudo. A próxima mobilização de massas será no dia 11 de Dezembro, pela não privatização do ensino, em memória das vítimas da bomba fascista colocada em 1969 na Praça Fontana (Milão - 16 mortos), e, sempre em Milão, para defender a ocupação dos estudantes "Deposito Bulk" ameaçados de expulsão.

Contato: Association Ya Basta - For people dignity against neoliberalism; PGA European Convenor; Via Watteau, 7; 20125 Milano; Italia; tel.: (39)02.67.05.185; fax: (02) 67.05.621; e-mail: yabasta@tin.it

 

voltAr