CENTRAL  DE  QUADRINHOS  BRASILEIROS - Denúncia 1 

POLÍCIA INTIMA LATUFF POR CRÍTICAS AO PAN DO RIO.
Era só o que faltava. O artista gráfico Carlos Latuff foi intimado ontem pela delegada Valéria de Aragão Sádio, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra Propriedade Imaterial, "a fim de prestar esclarecimentos referente ao procedimento em epígrafe". Desconsiderando o atentado à gramática do texto assinado pela delegada (erro básico de concordância nominal), é preciso deixar claro aos amigos leitores que o Latuff está sendo intimado única e exclusivamente por usar sua habilidade para denunciar as violências cometidas pelo Estado em nome dos Jogos Pan-Americanos - com o acobertamento vergonhoso das corporações de mídia.
Como o próprio Latuff ironizou: "Veja, Marcelo, pra você ver como é bom viver numa democracia onde a liberdade de expressão é garantida, especialmente quando você resolve fazer uma charge do mascote do Pan segurando um fuzil ao lado do Caveirão". Pior, pelo que fiquei sabendo, a Patrícia Oliveira, da Rede Contra a Violência, chegou a ser detida pela polícia enquanto vendia as camisetas na rua.
Leia a matéria na íntegra, inclusive com cópia da intimação, no texto de Marcelo Salles, clicando aqui.


NOSSA NOVA ARTICULISTA:

ADRIENNE BESSA ZUMMER, uma agradável descoberta do nosso inscrito Tito Augusto, desde 2002 participa de listas de discussões a respeito dos quadrinhos brasileiros. Tendo começado como leitora de Mônica e Cebolinha, com o tempo também começou a ler super-heróis do Brasil, por influência de um primo que adora o tema. Adrienne abriu um fotologue pessoal onde posta fotografias dela própria (algumas até bem ousadas)  e escreve sobre assuntos corriqueiros do seu dia-a-dia, já contando com mais de 50 mil visitas em pouco tempo de atividade.
Pela boa bagagem de conhecimentos adquirida por Adrienne, nosso amigo Tito Augusto a convidou para a CQB, sendo a primeira mulher inscrita, e na qual ela já estreou com um texto sobre heróis brasileiros (clique aqui para ler).

Para visitar o fotologue da Adrienne, clique aqui.

BRASILEIROS TORCEM PELO BRASIL APENAS NAS COPAS DO MUNDO, OLIMPÍADAS E JOGOS PAN-AMERICANOS, MAS NOS QUADRINHOS...  

(Por Adrienne Bessa)


Depois de assistirmos a várias competições nos jogos Pan-Americanos de 2007, a TV é inundada por uma avalanche de propagandas com textos aparentemente lindos e poéticos, exaltando a união do povo brasileiro em volta de um único objetivo, ou seja, do nosso Brasil ganhar muitas medalhas e provar que pode sempre fazer o melhor com esforço, determinação e, principalmente, com nossa gente torcendo, rezando e fazendo fé.

É realmente uma mensagem bonita, e seria abrangentemente linda se esse mesmo espírito de cooperação, de torcida, de desejos de melhoras e sucesso, ocorresse em todas as áreas artísticas, literárias, esportivas... enfim, que esse sentimento de patriotismo e irmandade fosse total.

Mas, infelizmente não é o que acontece nas histórias em quadrinhos.

Quando estamos um pouco fora desse meio, mais na qualidade de expectador, não percebemos e até achamos impossível que os leitores de histórias em quadrinhos não tenham esse mesmo sentimento pelos artistas que trabalham com gibis nacionais.

Lamentavelmente, não tem.

Pelo menos a grande maioria dos leitores, não tem.


Basta pesquisar pela internet e constatar essa estarrecedora realidade: a maioria dos leitores de gibis NÃO TORCE PELO BRASIL, nessa modalidade artística.

Eles torcem pelo competidor estrangeiro.

E ai de quem se opor a eles.

Eu mesma fui testemunha de casos assim, e quando fui dar minha opinião, recebi muito insulto. Isso fez com que eu me afastasse da internet por uns anos, especialmente nos locais onde se concentram discussões sobre quadrinhos.

Não existe respeito nas discussões.

Não existe o mínimo de sentimento de irmandade.

Não existe um grama de patriotismo.

Não existe essa coisa bonita que vimos no PAN 2007 do Rio.

Existe sim, gente dizendo:
Quero que o quadrinho nacional se extinga de vez.
Isto é, preferem ver os super-heróis americanos, os mangás japoneses, os faroestes italianos imperando e sempre vencendo a diversidade brasileira, nas bancas e nas gibiterias.


Não está na hora de levarmos esse espírito de união, de irmandade, e de patriotismo também para os quadrinhos?

Não está na hora de começarmos a torcer pelos nossos artistas?

Não está na hora de nos orgulharmos dos bons trabalhos que eles fazem?

Não está na hora de consumirmos esse material de boa qualidade que está tão perto de nós?

Não está na hora de pararmos de comprar essas revistas com personagens e histórias que não tem identificação alguma com a gente brasileira, e começarmos a olhar para dentro do nosso país?


Depois desse meu texto, possivelmente virão incompreendidas interpretações, como xenofobia, patriotada, inocência e outros. Desculpe quem pensar assim, mas não tenho nada disso, mas apenas uma visão de grupo, de país, e de irmandade.
Felizmente, esta página não faculta comentários, então isso pode ser uma vantagem, e as pessoas que a lerem podem parar, pensar bem, e começar a mudar essa conduta.

Vamos tentar repetir o sentimento do Pan, das Olimpíadas e das Copas do Mundo, aqui dentro, e com os nossos artistas e personagens.

Acho que nossos artistas dos gibis merecem essa torcida!

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