E o vento não te traz...


Vivi como um peixe na água
Corri dos espinhos e não percebi as flores
Voei como uma gaivota
E de uma borboleta, roubei as cores.
Brilhei como um vaga-lume
E errei, me apaguei para você
Mas a dor não me deixa impune
Os céus se vingam e não me permitem te esquecer...
A chuva vem com a noite
E o vento não sopra...
A barreira é intransponível entre o tempo e o momento
Entre escancarado o peito e fechada a porta!
O vento chega... e eu não suporto
O tempo não espera e o vento não importa
O meu erro é o paradoxo razão-emoção
Ganhei o mundo, e perdi teu coração!
Eu sou um condenado à amargura...
Minhas lágrimas são ácidas e corroem a ternura!
Eu sei que sofri e te fiz sofrer demais...
Mas meu grito não se ouve,
E o vento não te traz...
De repente vi-me com a faca na mão
Eu me matei e despedacei teu coração!