Filantropia banca até carros antigos de império luterano
Josias de Souza

Publicado no Jornal Folha de São Paulo em 14/04/2002

Sob a fachada evangélica, esconde-se no Sul uma extravagância filantrópica. Chama-se CELSP ( Comunidade Evangélica Luterana São Paulo). Administra, desde a cidade de Canoas (RS), um império esparramado por 28 municípios.

Faturou em 99 vistosos R$315,2 milhões. Dona de certificados de utilidade pública (Justiça) e de filantropia (Previdência), a entidade não paga impostos. Deixa de pingar, só nas arcas da Previdência, mais de R$20 milhões por ano.

Tem escritório em Brasília e escolas em seis Estados: Rio Grande do Sul, Rondônia, PArá, Amazonas, Tocantins e Goiás. Vende ensino a 66 mil alunos. O braço comercial da organização é a ULBRA ( Universidade Luterana do Brasil).

Trata-se da terceira maior universidade privada do País. Em visita à sua contabilidade, fiscais do INSS e da Receita farejaram indícios de que a verba filantrópica trafega porum vale de sombras. Alguns exemplos:

1) entre janeiro de 98 e março de 99, a entidade repassou R$1,26 milhão ao pastor Ruben Eugen Becker, 65, reitor da Ulbra. Parte foi usada para "aquisição de bens incorporados ao patrimônio do reitor". O resto está escorado em papéis de fazer Lutero contorcer-se no túmulo;

2) apresentaram-se notas fiscais. Nove foram emitidas por J.Z. Antiguidades. Somam R$542 mil. Referem-se à "venda de 200 relógios" e ao "conserto de 349 relógios". Relatório da Receita indica que o dinheiro pagou gastos ao reitor. A Ulbra alega que as preciosidades foram incorporadas ao museu da escola;

3) Jardineira Veículos recebeu, por remessa bancária, R$140 mil. Convocada pela receita, informou: não transacionou com a Ulbra; vendeu ao reitor Ruben Becker 48 veículos antigos. Outra empresa, a RS Automóveis, beliscou R$125 mil. Intimado, Romeu Siciliano, o "RS", disse que vendeu 16 carros a Ruben Becker. A Ulbra diz que alguns dados "foram erroneamente lançados na contabilidade". Os carros estariam no museu da universidade;

4) JM Auto Serviço emitiu cinco notas. Somam R$239 mil. Referem-se à suposta restauração de 17 veículos antigos. No endereço da firma (rua Marciano Ribeiro, 169, Porto Alegre), há um galpão fechado. Seu proprietário, indentificado como Romero, chefia as oficinas da Ulbra;

5) o Renavan, cadastro nacional de automóveis, registra "185 veículos antigos e/ou raros" em nome do reitor. A Ulbra informa que as aquisições constam de seu Imposto de Renda. Em folheto editado pela gráfica da universidade ("Ruben Eugen Becker - o homem e a obra"), a mulher do reitor, Luiza Becker, funcionária da reitoria, diz que o pastor tem "grande paixão" por raridades automobilísticas. "Ele compra peças e envolve-se com pesquisa nos livros, para reconstituir carros de acordo com suas épocas";

6) Delmer Hoffelder recebeu R$130 mil. Convidado a explicar-se, informou à Receita que vendeu um terreno a Ruben Becker. Fica na rua Domingos Martins, número 290, Canoas, ao lado da casa do reitor. A Ulbra informa que a compra ganhou os livros da filantrópica, de novo, por engano, já retificado;

7) em 7 de abril de 95, a filantrópica luterana comprou de Roque Missioneiro Cavalcanti um naco de terra de 261 mil m². Pagou R$2 milhões. Ou seja, R$7,66 por metro quadrado. No mesmo dia, o reitor Ruben Becker comprou para si, também de Roque Missioneiro, uma área próxima, de 85,4 mil m². Pagou R$320 mil. Ou R$3,74 o metro quadrado. Em 10 de abril de 97, revendeu uma parte do imóvel para a entidade que dirige. Amealhou R$377 mil. Lá se vão cinco anos. E a escritura ainda não foi lavrada. A área "é objeto de contendas judiciais", justifica-se a Ulbra;

8) Roque Missioneiro Cavalcanti, que vendeu terras à universidade e ao seu reitor, foi brindado, entre março de 96 e janeiro de 99, com R$1,9 milhão. O dinheiro foi liberado a título de adiantamento de mercadorias e serviços;

9) percorrendo balancetes, os fiscais desencavaram anotações que indicam o destino de parte do numerário: R$71 mil pagaram carros antigos; R$888,2 mil fizeram a felicidade do próprio Roque Missioneiro; e R$917,4 mil beneficiaram outras pessoas jurídicas e físicas, entre elas Antônio Alvori Morais, que levou R$177,4 mil por conta de apartamento que vendou ao mesmo Roque Missioneiro. "Erros de lançamento", diz a Ulbra. Roque Missioneiro teria recebido a dinheirama por terras que vendeu e serviços que prestou à filantrópica;

10) drenaram-se recursos para outras empresas. O CDT (Centro de Desenvolvimento e Tecnologia) recebeu R$11,7 milhões entre 97 e 98; aplicaram-se outros R$13,2 milhões entre 97 e 99 em patrocínios esportivos do Sport Club Ulbra, que mantém times de vôlei, handebol, atletismo e futebol; investiram-se R$4 milhões no período de 95 a 97 numa indústria farmacêutica chamada Basa Ltda.; emprestaram-se recursos à Rádio Felusp Ltda. No final de 98, o passivo era de R$714,9 mil. No fim de 99, o saldo era de R$961 mil;

11) as firmas têm algo em comum: pertencem a um grupo de dirigentes da filantrópica luterana, entre eles o reitor, Ruben Becker, e seu filho Leandro Eugênio Becker, 39, vice-reitor da Ulbra. "As empresas servem aos interesses" da filantrópica, justifica-se a Ulbra. Os diretores apenas "emprestaram seus nomes, sem nenhuma vantagem financeira";

12) a entidade luterana banca outras atividades estranhas ao ramo filantrópico. Por exemplo: um plano de saúde, um provedor de internet e até uma granja. "São atividades-meio que atingem o fim", ou seja, a filantropia, diz a Ulbra;

A entidade luterana pediu ao CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) a renovação de seu certificado fintrópico até 2003. O conselho, que pende do organograma da Previdência, decidirá nas próximas semanas. Logo saberemos de que lado está Deus, se dos imaculados irmãos luteranos ou dos ímpios contribuintes. Oremos.

Pastor é acusado de abuso sexual e pedofilia

Publicado no Jornal O Povo em 28 Maio de 2002

O pastor evangélico Saul Portes dos Reis, 55, responde a vários processos em Estados brasileiros por crimes de abuso sexual, tentativa de estupro e pedofilia. Um dos processos corre na 1ª Vara Criminal de Campo Mourão (PR) desde o ano passado. Conhecido por ''missionário Saul'', o pastor é o pai do brasileiro Saul Portes dos Reis Jr., 25, acusado do assassinato da adolescente Christina Long, 13, em Bridgeport, nos Estados Unidos.

O pastor foi acusado de prática de crimes de sexuais contra oito mulheres de Campo Mourão, cinco delas adolescentes, em março de 2001. Um processo por estupro corre em Mogi Guaçu desde os anos 80.

O delegado Lindomar Alves Jr. conseguiu a prisão do missionário na cidade paulista de Mogi Mirim em novembro. Ele tinha fugido e foi localizado na casa da mãe. Transferido preso para Campo Mourão, Reis foi solto em dezembro.

Negado habeas-corpus a pastor acusado de estupro

Publicado na Revista Epoca em 22/03/2001

A 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou habeas-corpus ao pastor adventista Edivando Gonçalves Damascena, preso em flagrante no dia 9 de março por estupro e atentado violento ao pudor na cidade de Valparaizo (GO).

O pastor é acusado de ter violentado uma adolescente de 13 anos. Ele foi condenado a 15 anos de prisão. As informações são da agência O Globo.

Casal pode perder casa por ser fiador de Igreja

Publicado no Jornal Zero Hora em 16/07/2002

Dívida ultrapassa R$ 14 mil

Autor: CAROLINE TORMA

Um casal de analfabetos da periferia de Rio Grande pode ter a casa onde vive leiloada para quitar uma dívida contraída ao assumir o papel de fiador da Rede Nacional de Missão Cristã Cristo Redentor.

A dívida contraída com o aval de mecânico aposentado Miguel Alves Gonçalves, 55 anos, e a mulher, Cleuza Maria Alves Gonçalves, 51 anos, ultrapassa R$ 14 mil. A casa está avaliada em R$ 12 mil.

Segundo o casal, o pastor da igreja em Rio Grande, Antônio Siqueira, teria ido à casa onde eles residem, no bairro Ernesto Bucholz, ainda em 1998, e afirmado que, se aceitassem assinar o contrato, seriam abençoados por Deus.

- Meu marido assinou por nós porque não sei escrever nem o meu nome. Fizemos por bondade e pela obra de Deus - conta Cleuza.

O prédio, localizado na Rua Augusto Duprat, no bairro Cidade Nova, foi alugado em novembro daquele ano. A igreja funcionou no local por seis meses. Quando recebia intimações da Justiça, devido ao atraso no aluguel, o casal encaminhava a documentação ao pastor e nunca compareceu a nenhuma audiência no fórum local.

No ano passado, a casa onde vivem - único imóvel dos fiéis - foi a leilão, mas não teve comprador. Um segundo leilão foi suspenso, este ano, pelo advogado Henrique Zanotta, contratado para defender a igreja e o casal.

- Sempre que procurávamos a igreja, eles diziam para não nos preocuparmos, que a dívida vinha sendo paga em juízo. Não temos outro lugar para morar e agora respondemos a uma ação de despejo - relata Miguel Gonçalves.

O caso foi parar no Ministério Público. Conforme o promotor Francisco Simões Pires, uma ação será montada requisitando a extinção da igreja.

O casal será representado por um defensor público, e a intenção é mover uma ação requerendo a eliminação da sentença e a anulação da fiança.

Pastor é flagrado com carro roubado em Mauá

Publicado no Diário do Grande ABC em 03/08/2002

Autor: Kléber Werneck

Terno beje alinhado, camisa branca e gravata de listras. Não fosse pelas algemas, uma delas prendia a sua mão direita à janela, o pastor Antonio Carlos de Souza, 32 anos, poderia até ser confundido com um delegado na noite de sexta-feira no 1º Distrito Policial de Mauá. Ele foi preso por investigadores do Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) por receptação, após ser flagrado com um carro roubado.

Os pecados de Souza não pararam por aí. Em uma tentativa desesperada de se livrar da prisão, o religioso ainda tentou subornar os investigadores com um cheque pré-datado e com a aparelhagem de som da igreja. A oferta, entretanto, foi recusada e o pastor, preso.

Há seis anos, Souza era pastor na igreja Mundial, no Parque São Rafael, divisa entre São Paulo e Mauá. Ele havia saído da prisão há um mês, também por causa de receptação de veículos roubados.

Os policiais do Garra chegaram ao pastor após receberem uma denúncia anônima, que informava que Souza fazia negócios com carros roubados. Os investigadores fizeram uma campana próxima a sua casa, na rua Raimundo Correa, no Jardim Feital, em Mauá, e o prenderam por volta das 21h, quando ele retornava do culto.

O pastor dirigia o Gol prata com placas adulteradas (CSA-4197, de São Paulo). Pelo número do chassi, os investigadores detectaram que o veículo era roubado.

Para se livrar do prisão ainda ofereceu aos policiais um cheque de R$ 5 mil, datado para o próximo dia 12. "Era o dinheiro que ele arrecadava dos fiéis na igreja", disse o investigador Adriano Jurado.

Sem sucesso na primeira investida, o pastor apelou e ofereceu a aparelhagem de som da igreja. "Brinquei com ele, disse que era DJ e seria muito útil, mas recusamos", afirmou o outro investigador que realizou a prisão, Alessandro Bertoni. Souza não quis dar declarações.

Duas pessoas morrem afogadas em batismo em SP

Publicado no Site Noticias Terra em 18 de agosto de 2002

Duas pessoas morreram afogadas hoje durante cerimônia de batismo coletivo numa represa de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo. A cerimônia foi organizada pela igreja evangélica Refugiar em Cristo.

Até o momento, sabe-se que as vítimas são Débora, de 11 anos, e João Rodrigues. Ele teria tentado resgatar a menina quando foi levada pela correnteza.

Original em: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,5580,OI42696-EI306,00.html

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