Publicado no Jornal do Brasil em 08/05/2002
Receita apura ainda sonegação de R$ 31 milhões por ano
BRASÍLIA e CAMPO GRANDE - Há mais de 20 anos no Brasil, a Igreja
da Unificação, do milionário coreano Sun Myung Moon - o reverendo
Moon - é alvo de uma devassa da Receita e da Polícia Federal.
Pelos cálculos da Receita, a sonegação de impostos somaria R$
31,5 milhões por ano. Segundo a PF, já são 50 os casos de imigração
ilegal patrocinados pela organização, em três anos. E a lavagem
de dinheiro pode chegar a R$ 480 milhões, segundo a Comissão
Parlamentar de Inquérito da Assembléia Legislativa do Mato Grosso
do Sul criada para investigar as atividades do reverendo.
A presença de Moon no país foi notada em 1981, ainda no governo
Figueiredo, quando surgiram denúncias de lavagem cerebral promovida
pela seita. A Igreja da Unificação voltou à mídia na última
década com casamentos em série, promovidos pelo reverendo.
Terras - Há quatro anos, Moon começou a comprar fazendas, que
hoje somam 85 mil hectares em Mato Grosso do Sul e outros 200
mil hectares do lado paraguaio, ocupando boa parte da fronteira
entre os dois países. Sua fazenda New Hope, a Nova Esperança,
recebe em Jardim (MS) cerca de 800 estrangeiros por mês, que
trabalham como ''voluntários'' em 30 galpões de alvenaria.
''O caso Moon é preocupante, pois ele adquiriu grandes extensões
de terra e não temos notícias sobre projetos econômicos na área'',
diz o superintendente da PF no Mato Grosso do Sul, Wantuir Brasil
Jacine.
Batida - Na segunda-feira, 70 homens da PF e 35 da Receita
fizeram operações de busca e apreensão em 13 locais vinculados
à seita. Elas começaram às 3h e foram até às 21h30. Foram executadas
simultaneamente na cidade de São Paulo e em Mato Grosso do Sul
(nos municípios de Jardim, Guia Lopes da Laguna, Bonito, Miranda
e Campo Grande). Os alvos foram sedes da Associação das Famílias
para a Unificação e Paz Mundial (Afump), que pertence à Igreja
da Unificação, e casas de pessoas que dirigem negócios de Moon.
Foram apreendidos quatro laptops, 20 CPUs de micros, um aparelho
de telefonia móvel via satélite, uma pistola 380mm, documentos,
fitas de vídeo, fitas cassete, CD-Roms, US$ 16 mil em cheques
de viagem e US$ 214 em dinheiro.
A Receita e a PF já começaram a estudar os documentos. Há um
inquérito instaurado no ano passado, com base no depoimento
de um ex-auxiliar de Moon. O coreano Jae Sik Kim foi à Justiça
do Trabalho reclamar direitos e denunciou o envolvimento do
reverendo com lavagem de dinheiro.
A Receita calcula em R$ 31,5 milhões por ano a sonegação de
Imposto de Renda e Imposto Territorial Rural. Os relatórios
serão cruzados com os documentos e dados provenientes da quebra
de sigilo de diretores da seita, como Neudir Ferabolli e Cézar
Zaduski.
Ferabolli classificou a ação como ''abuso de autoridade''.
''Estamos sendo tratados como organização criminosa. É perseguição
religiosa''. Ele chegou a comparar a ação à busca e apreensão
na empresa Lunus, da ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney.
Nem o Cene (Centro Esportivo Nova Esperança), clube de Moon
que disputa a primeira divisão do Campeonato de Futebol de Mato
Grosso do Sul, foi poupado. Na sua sede foram apreendidos documentos
e computadores.
Lavagem - Segundo o presidente da CPI, deputado Jerson Domingos
(PSL), só US$ 50 milhões (R$ 120 milhões) da Igreja da Unificação
passaram pelo Banco Central. ''Mas o patrimônio deles no Brasil
é de R$ 600 milhões. Aí tem lavagem'', diz.
O deputado Nelito Câmara (PMDB) diz que está comprovada a lavagem
de dinheiro. ''É sigiloso, mas posso dizer que o dinheiro é
remetido de vários países, passa pelo Uruguai, Paraguai, atravessa
a fronteira e chega ao Brasil. Aqui trocam os dólares por reais''.
O parlamentar se diz frustrado com os depoimentos colhidos na
CPI. ''Vamos começar a pôr gente na cadeia. Acho que esse povo
sofre lavagem cerebral e só vai falar se a gente jogar duro''.
Acusados de castrar jovens são presos
Publicado no Jornal O Estado de S. Paulo em 26/04/2002
Dupla teria agido a pedido do líder de seita e também é suspeita
de matar meninos
Autor: ANDRÉA VIANA
SÃO LUÍS - Foram presos em São Luís dois homens acusados de
participar da emasculação de membros da seita Mundial, no município
de Paço do Lumiar, no Maranhão. Eles também são suspeitos de
envolvimento em uma série de crimes contra meninos de 9 a 12
anos ocorridos no município, desde 1998. Josenias Soares Cabral,
conhecido como Jorge, e Cesar Almeida tiveram prisão preventiva
decretada pela juíza de Paço do Lumiar, Ana Cristina Ferreira
Gomes Araújo, e foram presos à tarde por agentes do Comando
de Operações Especiais da Polícia Militar.
Eles confessaram ter participado da emasculação de três rapazes
que eram membros da seita Mundial. Segundo eles, a ordem para
extrair os órgãos sexuais dos rapazes partiu de Pai Donato,
o líder da seita. Dois deles teriam consentido, mas um teria
sido segurado à força.
Donato Brandão, o Pai Donato, foi condenado no ano passado
a 20 anos de prisão por ter mandado realizar emasculação em
outros seguidores como punição por desobediência. A polícia
procura agora um terceiro acusado, Nilton Porto Ribeiro, o Galinha.
A prisão preventiva dele já foi decretada, e de acordo com os
dois presos, ele teria sido o responsável por contratar Cabral
e Almeida para a execução da castração.
O delegado Rubens Sérgio Paulo Aguiar vai investigar agora
a possibilidade de Jorge e Almeida terem participado também
da emasculação de crianças em Paço Lumiar. Nos últimos 10 anos,
19 crianças foram encontradas mortas com os órgãos sexuais extirpados.
Polícia prende 200 membros de seita proibida
no Quênia
Publicado no Jornal Folha de S. Paulo em 21/03/2002
Cerca de 200 membros da seita Mungiki, de orientação político-
religiosa, que foi proibida no ano passado depois de protagonizar
vários atos de violência no Quênia, foram presos pela polícia
acusados de "estar prepararando um novo ataque", afirmaram hoje
autoridades quenianas.
Na operação policial efetuada no fim de semana passado no
distrito de Kajiado, no sul de Nairóbi, foi confiscada grande
quantidade de facas, paus e arcos e flechas.
Os Mungiki, responsáveis pela morte de 20 membros da comunidade
Luo em vários distritos da capital em março de 2001, defendem
o retorno do que chamam de "práticas religiosas africanas" e
a mutilação genital feminina, entre outros costumes.
Seguidores da seita, cuja maioria pertence à tribo dos Kikuyus,
foram detidos pela polícia por atacar mulheres vestidas com
calças ou roupas que as afastam das tradições africanas nas
ruas de Nairóbi.
Original em: http://tb.bol.com.br/simpleRedirect.html?srv=clip&trg=http://www.uol.com.br/folha/mundo/ult94u38691.shl
Rebeldes de Uganda matam 60 após obrigá-los
a comer cadáver
09:23 29/04/2002
Reuters
CAMPALA (Reuters) - Rebeldes que fugiam do Exército de Uganda
no sul do Sudão forçaram 60 pessoas em um funeral a comer o
cadáver que carregavam antes de matá-las, afirmou um porta-voz
do Exército na segunda-feira.
Os soldados vinham perseguindo os rebeldes ugandenses do Exército
de Resistência do Senhor (LRA) no território do Sudão no último
mês como parte dos esforços para sufocar uma revolução iniciada
15 anos atrás pelo autoproclamado profeta Joseph Kony.
"Kony atacou um cortejo fúnebre com cerca de 60 pessoas, obrigou-as
a cozinhar o cadáver com sorgo e a comê-lo", disse à Reuters
o major Shaban Bantariza, porta-voz do Exército.
"Eles acharam que sobreviveriam se obedecessem, mas os rebeldes
os mataram depois de eles terem comido o cadáver."
O ataque aconteceu na sexta-feira, nas montanhas de Agoro,
fronteira do Sudão com Uganda, onde os rebeldes se abrigaram
em meio à operação "Punho de Ferro", do Exército.
Segundo Bantariza, Kony, que deseja fundar um Estado baseado
nos Dez Mandamentos bíblicos, acredita que a população da área
ajudava o Exército ugandense durante a operação, conduzida com
a aprovação do governo sudanês.
O massacre aconteceu cerca de uma semana depois de Kony ter
mandado que um desertor rebelde fosse amarrado a uma árvore
e queimado vivo em frente a seus companheiros, contou Bantariza.
Os rebeldes do LRA travam uma batalha de baixa intensidade
contra as tropas do governo no norte de Uganda a partir de bases
montadas no Sudão desde 1987. Eles pretendem derrubar do poder
o presidente Yoweri Museveni a fim de instalarem um regime fundamentalista
cristão.
Como resultado da guerra, cerca de 12 mil crianças foram sequestradas
e centenas de milhares de pessoas abandonaram suas casas, disseram
grupos de ajuda humanitária.
Americana matou filhos por não querer que eles fossem para
o inferno
A americana Andrea Yates, julgada pelo assassinato de seus
cinco filhos no ano passado (ela afogou as crianças na banheira),
foi sentenciada à prisão perpétua por um tribunal do Texas,
nesta sexta- feira. Andrea poderia ser condenada à morte por
injeção letal.
Andrea terá que cumprir 40 anos da sentença antes de ter o
direito de pedir liberdade condicional. O júri levou em consideração
que a ré sofria de depressão pós-parto na época do crime.
Na última terça-feira, ela foi considerada culpada de homicído
em primeiro grau pela morte das crianças. Durante o julgamento,
Andrea disse em seu depoimento que matou os filhos numa tentativa
de salvá- los do inferno, mas admitiu que o assassinato não
foi uma boa idéia para garantir o encontro das crianças com
Deus.
Original em: http://www.elnet.com.br/canais/news/miolo2.php?art=12103
Prisão de chefe de seita filipina deixa
23 mortos
Publicado no Jornal Folha de S. Paulo em 19/06/2002
Ao menos 23 pessoas morreram durante uma operação policial
para deter o chefe de uma seita filipina suspeito de ter assassinado
sua mulher, informaram fontes policiais hoje.
Rubén Ecleo, 47, considerado a reencarnação de Jesus Cristo
por cerca de 1 milhão de adeptos da Associação Missionária Voluntária
Filipina, entregou-se ao chefe da polícia depois de uma noite
de buscas na ilha de Dinaga (sul). Ecleo, ex-prefeito de uma
cidade da ilha de Dinaga, é suspeito de ter matado sua mulher,
Alona, cujo corpo foi encontrado em janeiro, em Cebu.
O co-acusado do guru no caso de homicídio, Juriven Padero,
e outras 16 pessoas foram mortas quando tratavam de impedir
que a polícia cumprisse o mandato de prisão.
Política da Igreja Contra Abusos É Falha
- Ex-membros das Testemunhas de Jeová Falam de Conspiração Para
Esconder Delitos
(Por Laurie Goodstein)
Brasil, 11 de Agosto de 2002
(Título da mesma matéria no website é ligeiramente diferente:
Ex-membros Afirmam Que a Política das Testemunhas de Jeová Contra
Abusos Esconde Delitos)
William Bowen sempre se considerou uma devota Testemunha de
Jeová. Quando criança, sentia ser seu dever ir de porta em porta
distribuindo a revista da igreja, A Sentinela. Mais tarde, na
congregação dele no Kentucky, ele disse que via como obrigação
dele informar as autoridades da igreja que um co-ancião tinha
abusado de uma criança.
Mas quando Bowen contatou a sede da igreja em Brooklyn, disse,
ele foi rechaçado. Frustrado pela falta de ação da igreja e
pelos requisitos de confidencialidade, que, disse ele, o impedia
de compartilhar a informação com outros, Bowen renunciou como
ancião em Dezembro de 2000. Um ano depois, ele iniciou um grupo
para monitorar abuso infantil na igreja.
No final do mês passado, Bowen, 44, foi excomungado da igreja.
À portas fechadas e com sacolas plásticas afixadas às janelas
para bloquear a visão dos que podiam olhar, disse ele, três
anciãos da igreja se reuniram no Salão do Reino em Draffenville,
Kentucky, e concluíram que ele era culpado de "causar divisões".
A punição foi "desassociação" - total ostracismo.
Nos últimos 3 meses, quatro outras pessoas foram expulsas
das Testemunhas de Jeová depois de acusá-las de acobertar abuso
sexual de crianças por seus membros. Para Bowen e outros críticos
da política de abuso sexual da igreja, estas expulsões são parte
de um esforço arquitetado para manter tais abusos em silêncio.
Testemunhas expulsas dizem que os próprios regulamentos e
cultura da igreja contribuem para abafar abusos. Uma junta de
anciãos da igreja, todos homens, se reúne em secreto para decidir
cada caso, procedimento que os críticos dizem, impede que os
membros saibam que há um abusador no meio deles. Para provar
uma acusação, uma criança precisa ter uma testemunha do incidente,
condição que é geralmente impossível satisfazer.
"Esta é uma evidência para o mundo veja como as Testemunhas
de Jeová tratam os sobreviventes de abuso e os que tentam protegê-los",
disse Bowen. "Eles o silenciam com a ameaça de desassociação."
William Bowen iniciou um grupo para fiscalizar abuso sexual
infantil na igreja. Foi excomungado. (click p/ampliar)
J. R. Brown, diretor do escritório de relações públicas na
sede da igreja, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados,
em Brooklyn, disse que a igreja tem políticas exemplares de
manejo de abuso sexual, que são baseadas nos padrões bíblicos
e tem sido amplamente publicadas nas revistas da igreja.
"Nós não estamos tentando dizer que manejamos todos os casos
da maneira correta e que nossos anciãos sabem tudo, e são todos
perfeitos,", disse Brown, que declinou, por uma questão de regulamento,
comentar casos individuais, inclusive o de Bowen. "Mas nós dizemos,
se você considerar o que nossa política é no que diz respeito
a manter nossa organização moralmente limpa, que ela está muitos
passos à frente das de quem quer que seja."
Ao passo que a Igreja Católica Romana tem sido engolfada em
seu próprio escândalo de abuso sexual, o mesmo problema está
começando a arrasar as Testemunhas de Jeová, uma denominação
que afirma ter um milhão de membros nos Estados Unidos e seis
milhões no mundo inteiro.
Mas a forma do escândalo é muito diferente daquele da igreja
Católica, onde a maioria das pessoas acusadas são sacerdotes
e a vasta maioria das vítimas foram garotos e homens jovens.
Nas Testemunhas de Jeová, onde as congregações são geralmente
grupos de familiares e onde os anciãos da igreja são escolhidos
de entre os leigos, muitos desses acusados são anciãos mas a
maioria são membros da congregação. As vítimas que tem vindo
à público são em sua maioria garotas e mulheres jovens, e muitas
acusações envolvem incesto.
O escopo do abuso nas Testemunhas de Jeová é uma questão de
considerável debate. A igreja foi recentemente processada por
oito contestantes em quatro processos alegando abuso, um dado
entrada em Julho em Minnesota. Bowen diz que o grupo dele de
suporte às vítimas, "silentlambs", já coleciona relatos de mais
de 5000 Testemunhas afirmando que a igreja lidou mau com o abuso
sexual infantil.
A igreja mantém um banco de dados de membros e associados
que foram acusados de ou condenados por abuso infantil. Bowen
disse que fontes da igreja tinham dito à ele que o banco de
dados continha os nomes de mais de 23.000 pessoas nos Estados
Unidos, Canadá e Europa. A igreja diz que o número é "consideravelmente
menor", mas não diz qual é.
A igreja tem diretivas claras para manejo de casos de abuso
sexual. Membros que suspeitam de abuso são ensinados a ir primeiro
aos anciãos, que são considerados líderes morais e espirituais
a quem os membros devem procurar com seus problemas pessoais.
Brown disse que o departamento legal da igreja orientou os anciãos
a seguir a lei nos estados cujas leis obrigam o relatar, e em
casos nos quais a criança parece estar em perigo.
É dos anciãos que se exige que julguem se alguém cometeu ou
não um pecado tal como abuso infantil. Se o abusador confessa
e é perdoado, o único anúncio feito à congregação é que a pessoa
foi disciplinada. Nenhuma razão é anunciada. Contudo, os anciãos
informam o nome da pessoa à sede, onde ele vai para um bando
de dados de modo que o abusador seja proibido de servir em posição
de autoridade.
"Se a pessoa consegue chorar direitinho, praticamente não
há repercussão e ninguém além dos anciãos jamais saberá," disse
Jean Kraus, que disse que foi aos anciãos na congregação dela
em Queens anos atrás acusando o ex-marido de abusar da filha
dela. Ela disse que ele confessou, foi repreendido e ainda é
uma Testemunha ativa. "Eles me disseram que ele não era um homem
iníquo, que aquilo foi uma fraqueza", disse.
O porta-voz da igreja, Brown, disse: "Nós vemos estas reuniões
judicativas como uma extensão de nosso trabalho de pastoreio
como ministros. Em outras palavras, nós estamos lá para salvar
a alma de uma pessoa. Nestes casos nós não vamos ser vingativos
porque eles são nossos irmãos, e nós esperamos que eles mudem."
Se o acusado nega a acusação, o testemunho da vítima por si
só não é suficiente a menos que haja pelo menos uma outra testemunha
do ato. A igreja diz que sua política é baseada na injunção
bíblica de Deuteronômio 19:15 que diz que duas ou três testemunhas
são necessárias para provar que um homem pecou.
Amber Long, esquerda, e Heidi Meyer descobriram, apenas anos
mais tarde, que ambas tinham reportado terem sido molestadas
pelo mesmo homem. Os anciãos da igreja foram contra elas. Agora
elas estão processando o homem, a congregação e a sede da igreja.
(click p/ampliar)
Heidi Meyer, uma Testemunha de Jeová de terceira geração em
Annandale, Minnesotta, disse que ela foi aos anciãos em 1994,
quando ela tinha 15 anos, para dizer que dos 10 aos 13 anos
de idade ela tinha sido repetidamente molestada por uma co-Testemunha
oito anos mais velha que ela, o irmão mais velho de uma amiga.
A única testemunha ocular foi o irmão dela que uma vez viu este
homem agarrar as nádegas dela ao sair de um carro.
Os anciãos lhe fizeram perguntas explícitas, que a deixaram
em situação desconfortável, disse ela. De acordo com um documento
interno das Testemunhas chamado "Prestai Atenção a Vós Mesmos
e a Todo o Rebanho", os anciãos devem determinar em que categoria
a acusação se encaixa: Se foi "impureza", um toque uma vez acima
da cintura; "conduta desenfreada", tocar abaixo da cintura ou
mais de uma vez acima dela; ou a mais severa "pornéia", direto
estímulo ou atividade sexual resultando em orgasmo. Para cada
delito há uma penalidade, sendo a mais severa para "pornéia".
O homem que ela acusava insistiu que Meyer tinha mal-interpretado
o que aconteceu. Os anciãos concordaram.
"Eu esperava orientação espiritual," disse Meyer. "Eu estava
esperando que eles genuinamente, sinceramente tentassem achar
justiça e protegessem os demais na congregação da mesma coisa
acontecer novamente. E nada disso aconteceu".
Ela, assim como várias outras supostas vítimas e os parentes
delas, disseram em entrevistas que os anciãos a avisaram para
não relatar o abuso ou falar sobre ele com outros membros.
"Eles me disseram que se eu falasse sobre isso com alguém,
eu precisava tomar cuidado porque eu podia enfrentar uma comissão
judicativa por fofoca ou calúnia," disse ela. "Se eles achassem
que eu tinha cometido este pecado, eu teria sido desassociada".
Meyer conta que ela soube apenas anos mais tarde que Amber
Long, outra jovem mulher na congregação, tinha, aos 12 anos
de idade, ido aos anciãos com os pais dela relatar que ela tinha
sido molestada pelo mesmo homem. Long, agora com 23 anos, disse
que ela e os pais dela receberam uma carta das Testemunhas dizendo
a ela para "deixar nas mãos de Jeová".
"Eles disseram que nós não devemos nutrir maus sentimentos
por nossos irmãos", disse Long. "Uma vez que não havia duas
testemunhas oculares, eles disseram que não havia muito o que
eles podiam fazer."
Nem Long nem Meyer continuam como Testemunhas de Jeová ativas.
Em 2 de Julho, as duas mulheres entraram com processo contra
o homem que elas acusam de molestá-las - Derek Lindala, 30,
de South Haven, Minnesota -, a congregação local, e a sede das
Testemunhas de Jeová. Derek Lindala não respondeu a recados
deixados na casa dele pedindo comentários.
Barbara Anderson, de Tullahoma, Tennessee, disse que quando
ela e o marido dela trabalhavam na sede da igreja em Brooklyn
durante os anos 90, foi-lhe pedido que reunisse informações
sobre abuso infantil nas congregações. Ela disse ter entregue
aos líderes da igreja dúzias de cartas reclamando de como os
casos eram manejados. Para ela isto foi uma revelação.
"As Testemunhas de Jeová gostam de dizer que tem uma organização
que é das mais livres de crimes", disse Anderson. "Mas todos
os problemas são levados aos anciãos, e os anciãos os mantém
em segredo." Ela disse que os documentos desencadearam um debate
interno entre líderes da igreja, e ao não ver qualquer ação,
ela deixou, desanimada, a sede em 1993, depois de 11 anos de
trabalho voluntário.
Carl A. Raschke, um professor de estudos de religião da Universidade
de Denver, que têm escrito sobre as Testemunhas de Jeová, disse
que o grupo não é em nada diferente de muitas outras religiões
fechadas que aspiram à pureza teológica e moral.
"Grupos com a tendência de ser muito inter-conectados e fechados
têm historicamente uma incidência mais alta de abuso sexual
e incesto," disse Dr. Raschke. "Isto é um fato etnológico. Quando
uma religião tenta ser completamente santa ou piedosa, ela não
reconhecerá que as pessoas não estão vivendo à altura dos ideais
da fé."
No dia 25 de Julho, Anderson foi excomungada. Uma semana depois,
o marido dela, Joe, que tinha algum tempo antes renunciado como
ancião depois de 42 anos, também foi expulso.
"É inconcebível pensar que anciãos investigariam uma alegação
de assassinato para determinar culpa ou inocência, então por
que investigaríamos uma alegação de abuso infantil?", escreveu
Joe Anderson em sua carta de renúncia. "Isto simplesmente não
é nosso campo de especialidade. Somos ministros de Deus, não
polícia."
Polícia tenta evitar suicídio coletivo de
seita na França
Publicado no Diário da Grande ABC em 03/09/2002
A polícia francesa está vigiando uma pequena seita que acredita
que o mundo vai acabar no próximo mês, temendo que seus membros
realizem um suicídio coletivo, disseram nesta terça-feira autoridades
da cidade de Nantes.
Um integrante da seita apocalíptica Novo Farol, composta por
seis pessoas que esperam ser levadas para Vênus antes do suposto
fim do mundo, no dia 24 de outubro, se suicidou em julho e outros
dois tentaram o suicídio.
A mãe do líder da seita fez um apelo desesperado nesta segunda
pela TV pedindo para que o filho pare com isso.
Membros da seita entraram na casa e saíram dela por várias
vezes para comprar comida. Todas as janelas e cortinas da casa
são mantidas fechadas. Os membros da seita recusam-se a falar
com os vizinhos ou com os jornalistas reunidos no local.