(NOTA: 10/10)
Austin Osman Spare, idealizador dos fundamentos Zos Kia
Cultus, certamente ficaria orgulhoso com a interpretação
muito pessoal de Nergal e seus comparsas de seu culto de
transformação da carnalidade e espiritualidade em um só
elemento.
É muito difícil uma banda se ultrapassar e se aperfeiçoar
constantemente em quesitos de originalidade, coesão e
brutalidade, mas o Behemoth consegue essa façanha com uma
desenvoltura poucas vezes demonstrada por seres
terrenos.
Tudo nesse álbum tem significado, assim como qualquer
outro álbum dessa banda, pois para eles música é só mais
uma forma de focar e canalizar energia, para ser
desfrutada por pessoas certas, se é que vocês podem me
entender.
Musicalmente, o Behemoth se transformou numa das bandas
mais mortais de toda esse universo, devido o altíssimo
teor de agressividade e caos transbordados de cada nota e
palavra contida nessa gravação.
Horns ov Baphomet é o som de abertura, destila bumbos e
riffs sincronizados, além de andamentos intrincados mas
realmente ultrajantes. Segue-se pelas brutalíssimas
Modern Iconoclasts e Here and Beyond, algumas das
composições mais absurdas criadas pelo Behemoth.
As Above So Below, um som dedicado ao Frater In-Art
Pawel, que se matou em junho de 2001, é no mínimo
transcendental, ouça e descubra porque.
Blackest of the Black, um hino de rebelião, ataca com um
dos melhores riffs de toda sua carreira, enquanto Hekau
718 é nada mais que um mantra retirado da estela de
Revelação da décima quinta dinastia egípcia juntado com
um número cabalístico grego que significa "estela 666".
The Harlots ov the Saints é o som mais rápido do álbum,
com vocais mais que destrutivos, perfeita.
Se esse álbum pudesse ter uma espécie de "hit", esse
seria No Symphaty for Fools (Sem Simpatia por Idiotas)
que deixa o título falar por si só, dedicado a todos os
palhaços de mente estreita que se atrevem a falar de
coisas que não deveriam. Um das melhores coisas feitas
por eles, em todos os sentidos.
Zos Kia Cultus, Fornicatus Benefictus e Typhonian Soul
Zodiack (essa sobre os estudos do oráculo amaldiçoado do
Necronomicom, o Cthulhu Mythos) continuam o pique para a
última e mais maldosa blasfemia chamada Heru Ra Ha Let
There Be Might, um som hipnótico, flamejante e odioso,
cujo refrão "Ia Ta Ba Et" "Ia Azhi Da Ha Ka", é
simplesmente impossível sair de sua cabeça.
Massacrante!!!
Obrigatório, se você for digno dele. (Flavvio)
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