(NOTA: 8.0/10)
Resolva essa equação: Disgorge (USA) + Brodequin + Cinerary + Foetopsy. A resposta chama-se Liturgy. Existem muitos projetos de caras de bandas de Brutal Death Metal, mas alguns atos tão extremos, horrendos e sobrenaturais como o Liturgy não era esperado pelo underground, que foi pego de surpresa com tamanha barbárie.
Se as bandas "full-lenght" de Matti Way (vocal), Mike Bailey (guitarra), Jamie Bailey (baixo e vocal) e Jon Engman (bateria) já chegaram há tempos no limite da brutalidade musical, o Liturgy atinge um nível obsceno e insanidade e caos, num emaranhado de feiura sonora.
O Liturgy ultrapassa de longe as bandas acima mencionadas no quesito velocidade, o que não é uma tarefa fácil, pois as mesmas são referências quando tratamos de pressa na música.
Certamente o fator agravante no Liturgy é a bestialidade vocálica de Matti Way e Jamie Bailey. Os dois indivíduos dividem-se em seqüências improváveis com seus dois guturais ultra-mega-híper graves, dando uma sensação de angústia e sufocação aos ouvintes. É extremamente aterrador ouvir a forma que esses seres manipulam suas cordas vocais, em busca da máxima arrogância musical.
Jon Engman também já pode ser um dos mais rápidos e resistentes bateristas desse mundo, com tantos blast-beats e bumbos tocados à velocidade da luz durante todo o Cd.
Os temas são mais ou menos os abordados no álbum do Disgorge, Consume the Forsaken, que se caracteriza por destacar a falência das instituições cristãs e o caráter obscuro da natureza humana, como em "Shrine of Moria", "Scars of the Saints", "Solemn" e "The Bishop´s Gathering".
Os pontos negativos do álbum são naturalmente a absoluta falta de variação e a qualidade sonora, que não sendo ruim, deixa a desejar em termos de clareza e timbragem. Também com tantos graves, fica difícil caprichar na produção.
Mas nada que fãs doentes possam deixar de lado, pois Dawn of Ash é certamente um dos discos mais absurdos já lançados e, levará essa nova fase do Death Metal para a fronteira mor do paroxismo. (Flavvio)