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Caro amigo,
escrevo-te hoje, pois faz hoje cinco anos que tu e eu nos conhecemos naquele lugar, no preciso momento. Preciso falar-te, porque ha algo em mim que me destroi.
Antes de começar a descrever a minha angustia, volto, aqui, a reivindicar a amizade que nos une. Obrigado por dares parte da tua sinceridade a este mortal, que, como tu, cada dia que passa, lança uma pedra. tao basilar, como simbolo fraterenal que nos mantem unidos. A tua amizade tem sido muito forte e e' isso que me mantem de pe'. Ha algo em mim que e' verdadeiro, mas que nao combina com esta existencia terrenal.
Sabes, eu vivo e ao mesmo tempo, nao vivo. Respiro, mas sinto que o oxigenio nao me satisfaz como ser humano que respira, sente e vive. Estou so' e sinto-me no momento mais crucial da minha vida em que o unico desejo que sinto e' que essa mesma pedra fraternal que tanto nos une, fosse tao pesada, mas tao pesada, que pudesse atingir a minha cabeça e dessa forma, dormir o sono profundo, morrer, descansar.
Nao, nao querro morrer, apenas mudar de vida, mudar de mundo, visto este nao me pertencer, nao me dizer absolutamente nada.
Estou prestes a emprender uma nova viagem e por momentos pensei em convidar-te para que viesses comigo. Bem, nao, nao quero que venhas. Adoras esta natureza, esta existencia e nao teria a coragem de transportar-te ate ao meu canto. Fica aqui, amigo, visto esta forma de vida ser o teu encanto.
Amigo, ja que nao posso levar-te, pelo menos deixo aqui o sentimento que tanto nos uniu. Se nao existisse um amigo como tu, ha muito tempo que teria emprendido a minha partida.
Deixo-te aquela que tu bem conheces, visto eu nao a conhecer. Ela nao me pertence. Ela julga que lhe pertenço mas os momentos que nos tivemos, na intimidade, foram somente pretensoes carnais, visando satisfazer os nossos desejos, obter o maximo prazer. Pode o desejo e o prazer dela ser eu, mas nao o "eu" que e' meu, mas sim o "eu" que e' homem, que e' capaz de possui-la. O amor que ela diz ter por mim e' carnal e nao sentimental, nem espiritual.
SERGIO (2.NOV.1995)
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Trata-se de uma carta. Escrevi-a durante uma aula de Direito Internacional Privado, em 1995. Diga-se, de passagem, que sempre tive apetencia para escrever enquanto assistia as aulas da Faculade. Com este pensamento, criei uma personagem, na qual, estando desesperado e cansado de viver, decide escrever ao seu melhor amigo, antes de emprender a sua viagem ate a morte. |
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