Engenharia Têxtil
Tecidos sintéticos versáteis, que não amassam, têm
texturas inusitadas e uma "caída" impecável, costumam ganhar aplausos do
público quando surgem nas passarelas dos desfiles de moda. Mas poucos se lembram de
elogiar o criador da matéria-prima que permite essas inovações: o engenheiro têxtil.
Inspirar as novidades do mundo fashion, no entanto, é só a ponta mais visível de seu
trabalho. Esse profissional administra todas as fases de uma confecção, da produção de
fios e fibras naturais e sintéticos à manufatura de tecidos e roupas.
A maior parte de sua atividade acontece dentro da sua atividade acontece dentro da
fábrica, ao lado das máquinas e dos operários. Só quando se chega às últimas etapas
do trabalho, como estamparia e tinturaria, é que ele encosta no glamouroso mundo da moda.
"Sou especialista em fibras de náilon da Du Pont. Dou consultoria para os clientes
da fábrica, como malharias e confecções, orientando-os sobre a melhor maneira de
utilizar nossos fios e adiantando tendências de cores e de texturas", diz a
engenheira Silvana Valente Padilha, em São Paulo.
Em virtude da concorrência com o produto estrangeiro, de ótima qualidade e preço
freqüentemente menor, nesta década a indústria têxtil brasileira teve de investir
maciçamente na renovação para recuperar a competitividade. Isso favoreceu o engenheiro
têxtil. "Devido à utilização de equipamentos cada vez mais sofisticados nas
linhas de produção, a procura por engenheiros especialistas em sua manutenção se
multiplicou", afirma José Aparecido Favilla, que trabalha no setor há doze anos.
A área de manutenção dos equipamentos industriais é a
que oferece as melhores oportunidades de trabalho. Segundo Jerônimo Alexandre de Sousa
Freire, engenheiro chefe do departamento de fiação da fábrica da Vicunha em Natal, Rio
Grande do Norte, o Nordeste é a região brasileira em que há mais vagas. "Muitas
empresas do Sul e do Sudeste estão se transferindo para cá e, como falta mão-de-obra,
vêm 'importando' profissionais de outros Estados", afirma.
Salário médio inicial: R$ 1 219, 32
Como nos outros cursos de engenharia, nos primeiros anos há muita matemática, física e química. A partir do terceiro começam as disciplinas profissionalizantes na área têxtil, como ciência dos polímeros, engenharia de fibras, métodos e processos de manufatura de fios e de tecidos. Processos químicos e controle de qualidade são matérias obrigatórias no currículo de várias escolas. Duração média: cinco anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)