Farmácia
Remédios "inteligentes", como cremes e adesivos
contendo substâncias que , absorvidas lentamente pela pele, entram na corrente
sanguínea, ameaçam aposentar a temida picada de injeção. "A biotecnologia está
na ordem do dia e alargou o horizonte de nossa atuação", afirma a professora
Sílvia Berlanga de Moraes Barros, coordenadora do curso de farmácia e bioquímica da
USP, em São Paulo.
O farmacêutico é responsável por todas as etapas de pesquisa, produção e
distribuição de remédios. "Preciso conhecer muita as propriedades de cada
substância para conferir, por exemplo, se a receita não está misturando drogas
incompatíveis", conta Kimie Akimoto Iria, supervisora de um farmácia de
manipulação em Santos, no litoral paulista. Nos laboratórios das grandes indústrias, o
profissional pesquisa e testa novas substâncias utilizadas em remédios revolucionários,
como o Viagra, contra a impotência masculina.
Mas ele não vive só de remédio: também pode se envolver na confecção de sabonete e
até na fabricação de salsicha em lata, por exemplo, cuidando para que esses produtos
não sejam contaminados por microrganismo. "Há farmacêuticos até nas equipes das
Nações Unidas que inspecionam armas químicas e bacteriológicas", afirma Arnaldo
Zubioli, vice-presidente do Conselho Federal de Farmácia.
O escândalo da falsificação de remédios em 1998
contribuiu para o aumento de emprego na indústria farmacêutica. Espera-se que, a partir
deste ano, o governo federal contrate profissionais para trabalhar na recém-criada
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A tendência, porém, é de que o
farmacêutico se torne patrão. "Dos 60 000 profissionais do país, 20% montaram
negócio próprio. E a expectativa é de que esse número dobre nos próximos cinco
anos", afirma o vice-presidente do Conselho Nacional de Farmácia. Um aviso: na área
de análises clínicas e toxicológicas, a mais procurada pelos recém-graduados, a oferta
de emprego é escassa.
Salário médio inicial: R$ 889,00
Em alta: Biotecnologia
Este é um curso em que há equilíbrio entre a teoria e a prática. Nos três primeiros anos você enfrenta disciplinas como química orgânica e inorgânica, físico-química, parasitologia, microbiologia e anatomia humana. O ciclo profissionalizante, com muitas aulas em laboratório, inclui análise e controle de qualidade de alimentos, toxicologia, microbiologia clínica, farmacotécnica e cosmetologia. No último ano é obrigatório o estágio supervisionado. Duração média: quatro anos para farmácia e cinco para farmácia e bioquímica.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)