História
Muita gente lamentou não ter estudado mais a história da
Europa quando o drama dos refugiados albaneses da província iugoslava de Kosovo virou o
tema principal dos telejornais, em maio de 1999. Quem é esse povo? Como um guerra começa
assim "de repente", "gratuitamente"? O estudo da história joga luz
sobre fatos de hoje: no século XIV, os sérvios foram massacrados em Kosovo pelos turcos,
levando ao fogo o caldeirão em que ódios tribais e intolerância raciais e religiosas
ferveram por mais de seis séculos.
Não é só com países, guerras e heróis que os atuais pesquisadores se preocupam.
"Nos últimos anos, muitas pessoas começaram a pesquisar a história do vinho, do
aborto, das mulheres, da juventude, do medo, do perdão", enumera Margareth Rago,
coordenadora do curso de história da Unicamp, em São Paulo, que terminou recentemente um
trabalho sobre a história da prostituição. Essa ligação com o cotidiano está
tornando a história mais atraente para o grande público. "Nossa área era vista
como algo inútil. Agora nós nos aproximamos das pessoas", acredita Rago. Por isso,
diversos livros de historiadores, como História da Vida Privada e A Viagem do
Descobrimento, têm freqüentado as listas dos mais vendidos.
A curiosidade de descobrir a origem das coisas é fundamental nesse profissional. O caso
de Antonio Fábio de Faria é exemplar. Historiador de Salesópolis, uma cidadezinha
paulista na Serra do Mar, ele virou guia de ecoturismo. "As pessoas querem saber as
origens da região e ninguém nunca se preocupou em escreve um livro sobre isso", diz
ele, que pesquisou nos arquivos da Câmara Municipal e conversou com os moradores mais
antigos para se informar. "Agora, levo grupos para passear na mata e mostro antigas
fazendas e usinas, que ilustram os ciclos econômicos. Um dos passeios mais interessantes
é pela Trilha do Sal, usada no período colonial para trazer sal do litoral para o
interior paulista."
Consultoria para empresas é um nicho a ser explorado, já
que muitas delas estão preocupadas em registrar sua trajetória em livros, vídeos e
CD-ROMs. "O Unibanco e a Fiat, por exemplo, contrataram pesquisadores para traçar
suas origens", conta Margareth Rago. A maioria dos profissionais emprega como
professor no ensino médio.
Salário médio inicial: R$ 872, 28.
Em alta: Consultoria.
A maior parte das disciplinas trata de períodos, regiões e temas específicos, como história antiga, moderna e contemporânea, história das idéias, do Brasil, da África e da Ásia. No primeiro ano, você vai fazer as matérias básicas, como metodologia da história. Quem quiser dar aulas precisa fazer licenciatura. Duração média: quatro anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)