Serviço Social
Esqueça a idéia preconceituosa que o assistente social
é alguém que só se preocupa em ajudar as pessoas a enfrentar questões delicadas.
Primeiro, porque ele ganha um salário para cumprir suas tarefas. Depois, porque essa
atividade passa longe do paternalismo: nasce da percepção de que as desigualdades
sociais precisam ser combatidas para o benefício de todos. "Lidamos com a questão
da pobreza porque ela afeta toda a sociedade, e não só os desfavorecidos", diz
Marta Campos, professora da PUC de São Paulo. "Se há desemprego, a violência
aumenta e o consumo diminui."
Pela própria natureza de sua atividade, com freqüência esse profissional enfrenta o
lado mais cruel da vida. "Trabalho com prevenção de Aids em viciados em drogas
injetáveis, fazendo um serviço muito polêmico: a troca de seringas, chamada de
política de redução de danos", conta Cristina Brites, 36 anos, coordenadora do
Núcleo de Pesquisa em Aids da USP, em São Paulo. "É muito difícil conseguir
retirar a droga da vida do viciado, e, para ajudar de alguma maneira, optei pela redução
de danos." Mesmo quem atua em áreas menos duras lida com dramas humanos, como ajudar
alguém a receber o seguro-desemprego o apoiar os envolvidos em um processo judicial de
guarda de filhos.
No setor público, que emprega 80% da categoria, há boas notícias. "Existem
empregos nos Estados e nos municípios, já que o governo federal está descentralizando a
política de saúde e a assistência social", informa Elaine Rossetti Behring, do
Conselho Federal de Serviço Social, no Rio de Janeiro. Nas empresas, o assistente social
atua principalmente no setor de recursos humanos. "Fazemos treinamento e montamos
grupos para melhorar a qualidade de vida do funcionário", explica Elaine.
Segundo uma pesquisa conjunta do Conselho Regional de
Serviço Social e do professor Ademir Silva, da PUC de São Paulo, o setor público é o
que mais emprega assistentes sociais, seguido das grandes empresas. "Eles aparecem no
quadro de 45% das companhias da Grande São Paulo. Em 22% delas, trabalham na área de
recursos humanos", afirma o professor. Novas frentes de trabalho estão se abrindo em
organizações não governamentais.
Salário médio inicial: R$ 862, 00
Em alta: Recursos humanos de empresas.
O assistente social recebe ampla formação em ciências humanas, que são o suporte das disciplinas específicas, como administração, história, pesquisa em serviço social e política social. No quarto ano, é obrigatório um estágio. Duração média: quatro anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)