Engenharia Naval
Apesar de ter 8 000 quilômetros de litoral e alguns dos
maiores rios do mundo, o Brasil não é conhecido por sua indústria naval. Algumas
décadas atrás, os estaleiros em funcionamento no país respondiam por 7% da produção
mundial de embarcações de grande porte. Na década de 80, contudo, quando o governo
parou de subsidiar o setor, o encolhimento foi considerável. Mas há perspectivas para
quem tem interesse em projetar barcos. A navegação fluvial no Brasil está crescendo: o
governo tem planos de interligar o país por meio de hidrovias, e o transporte de carga
pelos rios deve aumentar bastante até 2 010, especialmente pelo Mercosul Hidroviário - a
rota de 7 000 quilômetros que liga o centro-oeste, o sudeste e o sul do Brasil à
Argentina, ao Uruguai e ao Paraguai.
Ao projetar uma embarcação, o engenheiro naval estuda o tipo de viagem em que ela será
utilizada, os rios pelos quais passará, o número de passageiros e a quantidade de carga.
Tudo isso vai influir na capacidade de armazenamento de combustível e víveres, por
exemplo. Durante a construção, caso a embarcação seja fluvial, ele faz também o
orçamento e supervisiona a obra. No trabalho em grandes estaleiros, o engenheiro naval
costuma restringir-se a uma única área, como estrutura, elétrica ou motores.
Por conhecer o funcionamento de estruturas flutuantes, esse profissional é utilizado para
desenvolver projetos de construção de plataformas marítimas de exploração de
petróleo e trabalhar em sua manutenção. "Grande parte dos formados recentemente
trabalha nas plataformas flutuantes da Petrobras. Os grandes estaleiros fecharam e os que
ainda restam só funcionam para fazer preparos de embarcações", conta Sylvio
Henrique da Silva, responsável, na Petrobras, pela exploração de petróleo em águas
profundas.
"Há oportunidades nas atividades de transporte fluvial, em razão da expansão do comércio por rios", diz Joaquim Carlos Teixeira Riva, diretor de hidrovias e desenvolvimento regional da Companhia Energética de São Paulo. Outro bom campo é o de projeto e construção de plataformas marítimas. É raro o trabalho em projetos de grandes embarcações. Nesse setor, a atuação limita-se a reparos e manutenção de navios. Salário médio inicial: R$ 1 219, 32.
O aluno começa pelas matérias teóricas, como matemática, física, química, economia e ciências da computação. A partir do terceiro ano, a formação inclui, entre outras disciplinas, teoria de projeto de embarcações e sistemas oceânicos, hidrostática, hidrodinâmica, tecnologia de construção e de materiais. Duração média: cinco anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)