Produção Cultural
O filme Central do Brasil e a peça teatral de Juca
de Oliveira Qualquer Gato Vira-Lata Tem uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa têm
uma coisa em comum: tornaram-se possíveis com o apoio das leis de incentivo à cultura.
Ao permitir que as empresas patrocinadoras deduzam de sues impostos o dinheiro destinado a
projetos artísticos, essas leis viraram o principal combustível que move as produções
culturais no Brasil. A crise econômica atingiu esse setor, mas ainda há mercado para o
produtor cultural, que tem como função transformar em realidade projetos nessa área.
"Estou sempre procurando gente para trabalhar comigo, e vejo que poucos estão
preparados para atuar na profissão", diz a produtora Zita Carvalhosa, organizadora
do evento de cinema Mostra Internacional de Curtas de São Paulo.
"O produtor cultural não é um vendedor de projetos; ele participa ativamente da
geração e do desenvolvimento dos planos", afirma Leonardo Guelman, coordenador do
curso de produção cultural da UFF, no Rio de Janeiro. Como profissional, você vai
pesquisar o mercado e montar um projeto com cronograma de execução e orçamento de
custos. Também irá captar recursos com base nas leis de incentivo - com ou sem o
auxílio do agente cultural, especialista em captação - e administrará sua execução.
"O produtor cultural possibilita construir projetos mais bem-feitos, para
sensibilizar o empresariado e conquistar seu apoio ou patrocínio", declara José
Mamede, chefe do departamento de comunicação da UFBA, na Bahia.
O mercado existe e está em crescimento, apesar da crise
econômica. Um grande filão é a produção de eventos, como festivais, mostras e
exposições. "Há uma ampla participação tanto do governo quanto das empresas
nessa atividades, e a produção de shows de música popular surge como uma área em
franco desenvolvimento", dia a produtora Zita Carvalhosa. As melhores chances de
emprego encontram-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, cuja economia se tem
fortalecido com investimentos em infra-estrutura e novas indústrias. Também aumentam as
oportunidades no interior do país. O Sebrae do Rio de Janeiro, por exemplo, instituiu o
programa Parceria Cultural, que visita os municípios fluminenses, discutindo os problemas
culturais de cada cidade e até ajudando prefeitos e vereadores a criar leis municipais de
incentivo à cultura.
Salário médio inicial: R$ 1 088, 00
O curso investe pesado na formação administrativa do aluno, oferecendo os conhecimentos operacionais necessários para a organização de um projeto: você vai estudar estratégias de marketing, conhecer o mercado cultural e aprender a montar e a administrar planos e programas culturais. O currículo completa-se com disciplinas ligadas à formação humanista. Duração média: quatro anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)