Tradução
No filme de guerra, um soldado ferido é resgatado.
"Como está a sua arma?", pergunta o oficial no comando. "Dói muito,
senhor." Como? A arma do soldado dói muito? Não há suspense nem drama que resista
ao ridículo de uma tradução errada como essa. Afinal, o que preocupava o oficial era o
braço (arm, em inglês) do soldado, e não sua arma (weapon, em inglês).
Evitar erros desse tipo é apenas parte do desfio de um tradutor e intérprete. Ele pode
passar horas debruçado sobre livros, diante do computador ou traduzindo palestras e
conferências sem saber como será o próximo trabalho que terá de encarar. "Num dia
posso fazer uma tradução jurídica e no dia seguinte um trabalho sobre turbinas de
avião. Isso para mim é fascinante", conta a tradutora Maria Cecília França, de
São Paulo. Por isso, para esse profissional não basta conhecer línguas: é preciso
disposição para estudar novos assuntos, sempre. Os bons tradutores estudam bastante
gramática e desenvolvem continuamente seu vocabulário, atentos às novas expressões e
gírias do idioma.
"Comecei minha carreira na TV, traduzindo filmes e programas da TV Cultura. Por isso,
acabei me especializando em interpretação", afirma a tradutora paulista Maria Clara
Forbes Kneese. "Já viajei pelo mundo fazendo tradução simultânea em todo tipo de
conferência e acompanhando missões oficiais." São cada vez mais comuns as
videoconferências via satélite, em que esse profissional traduz aqui o que está sendo
dito a milhares de quilômetro. Uma novidade que surge e deve ser aperfeiçoada nos
próximos anos são os programas de computador que fazem tradução. Segundo Paulo
Wengorski, presidente do Sindicato Nacional dos Tradutores, isso não deve preocupar os
profissionais: o uso de auxiliares eletrônicos nunca vai substituir o ser humano, mas
facilitar e transformar sua atividade.
Os profissionais mais experientes dão um aviso a quem quer atuar na área: trabalho duro
e paciência são fundamentais para subir nessa carreira. "As empresas estão cada
vez mais exigentes. Se você mostrar qualidade, em cerca de cinco anos é possível montar
uma carteira de clientes", explica a tradutora Maria del Pilar Sacritán. Grande
parte dos tradutores e intérprete trabalha de forma autônoma e faz o nome aos poucos.
A globalização favorece quem pretende seguir essa
carreira. Blocos internacionais como o Mercosul sempre oferecem oportunidades de trabalho,
e o setor que mais cresce é o de tradução e interpretação na área comercial, em
empresas de comércio exterior, de seguros e multinacionais. Outro que também promete é
o de assessoria lingüística: nele, o tradutor faz a revisão gramatical, adapta o texto
às necessidades do cliente e, se preciso, melhora a redação. Há trabalho, ainda, na
tradução de manuais e programas de computador. A tradução juramentada (para documentos
oficiais e públicos) é valorizada, mas para isso é indispensável passar em concurso
público.
Salário médio inicial: R$ 19 por lauda
Em alta: Tradução comercial
Na maioria das faculdades, a habilitação de tradutor e intérprete é oferecida pelo curso de letras. Além das matérias básicas, como lingüística, gramática e compreensão do texto, você vai aprender as técnicas de tradução. Há muitas aulas práticas, em que treinará tradução comercial, jurídica, literária, interpretação simultânea e consecutiva. Duração média: quatro anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)