O ESTADO PORTUGUÊS ARRISCA - SE A TER DE ASSUMIR A RESPONSABILIDADE        HISTÓRICA !!!
MARIO SOARES E ANGOLA
Por António Marinho (advogado e jornalista)
in « Diário do Centro          », de 15 de Março de 2000
A polémica em torno das acusações das autoridades angolanas segundo          as quais Mário Soares e seu filho João Soares seriam dos principais          beneficiários do tráfico de diamantes e de marfim levados a cabo pela          UNITA de Jonas Savimbi, tem sido conduzida na base de mistificações          grosseiras sobre o comportamento daquelas figuras políticas nos últimos          anos.
Espanta desde logo a intervenção pública da generalidade das          figuras políticas do país, que vão desde o Presidente da República até          ao deputado do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, passando pelo PP de          Paulo Portas e Basílio Horta, pelo PSD de Durão Barroso e por toda a          sorte de fazedores de opinião, jornalistas (ligados ou não à Fundação          Mário Soares), pensadores profissionais, autarcas, « comendadores » e          comentadores de serviço, etc? Tudo como se Mário Soares fosse uma virgem          perdida no meio de um imenso bordel.
Sei que Mário Soares não é          nenhuma virgem e que o país (apesar de tudo) não é nenhum bordel. Sei          também que não gosto mesmo nada de Mário Soares e do filho João Soares,          os quais se têm vindo a comportar politicamente como uma espécie de          versão portuguesa da antiga dupla haitiana « Papa Doc » e « Baby Doc          ».
Vejamos então por que é que eu não gosto dele(s).
1. - A primeira ideia que se agiganta sobre Mário Soares é que é um          homem que não tem princípios mas sim fins. É-lhe atribuida a célebre          frase : « Em política, feio, feio, é perder ». São conhecidos também os          seus zigue-zagues políticos desde antes do 25 de Abril. Tentou negociar          com Marcelo Caetano uma legalização do seu (e seus amigos) agrupamento          político, num gesto que mais não significava do que uma imensa traição a          toda a oposição, mormente àquela que mais se empenhava na luta contra o          fascismo.
Já depois do 25 de Abril, assumiu-se como o homem dos          americanos e da CIA em Portugal e na própria Internacional Socialista.          Dos mesmos americanos que acabavam de conceber, financiar e executar o          golpe contra Salvador Allende no Chile e que colocara no poder Augusto          Pinochet.
Mário Soares combateu o comunismo e os comunistas          portugueses como nenhuma outra pessoa o fizera durante a revolução e foi          amigo de Nicolau Ceaucescu, figura que chegou a apresentar como modelo a          ser seguido pelos comunistas portugueses.
Durante a revolução          portuguesa andou a gritar nas ruas do país a palavra de ordem « Partido          Socialista, Partido Marxista », mas mal se apanhou no poder meteu o          socialismo na gaveta e nunca mais o tirou de lá. Os seus governos          notabilizaram-se por três coisas : políticas abertamente de direita, a          facilidade com que certos empresários ganhavam dinheiro e essa inovação          da austeridade soarista (versão bloco central) que foram os salários em          atraso.
INSULTO A UM JUIZ
Em Coimbra, onde veio uma vez como          primeiro ministro, foi confrontado com uma manifestação de trabalhadores          com salários em atraso. Soares não gostou do que ouviu (chamaram-lhe o          que Soares tem chamado aos governantes angolanos) e alguns trabalhadores          foram presos por polícias zelosos. Mas, como não apresentou queixa (o          tipo de crime em causa exigia a apresentação de queixa), o juiz não teve          outro remédio senão libertar os detidos no próprio dia. Soares não          gostou e insultou publicamente esse magistrado, o qual ainda apresentou          queixa ao Conselho Superior da Magistratura contra Mário Soares, mas sua          excelência não foi incomodado. Na sequência, foi modificado o Código          Penal, o que constituiu a primeira alteração de que foi alvo por          exigência dos interesses pessoais de figuras políticas.
Soares é          arrogante, pesporrento e malcriado. É conhecidíssima a frase que          dirigiu, perante as câmaras de TV, a um agente da GNR em serviço que          cumpria a missão de lhe fazer escolta enquanto presidente da República          durante a Presidência aberta em Lisboa : « Ó sr. Guarda desapareça ».          Nunca, em Portugal, um agente da autoridade terá sido tão humilhado          publicamente por um responsável político, como aquele pobre soldado da          GNR .
Em minha opinião, Mário Soares nunca foi um verdadeiro          democrata. Ou melhor é muito democrata se fôr ele a mandar. Quando não,          acaba-se imediatamente a democracia. À sua volta não tem amigos, e ele          sabe-o ; tem pessoas que não pensam pela própria cabeça e que apenas          fazem o que ele manda e quando ele manda. Só é amigo de quem lhe          obedece. Quem ousar ter ideias próprias é triturado sem quaisquer          contemplações. Algumas das suas mais sólidas e antigas amizades ficaram          pelo caminho quando ousaram pôr em causa os seus interesses ou ambições          pessoais.
Soares é um homem de ódios pessoais sem limites, os quais          sempre colocou acima dos interesses políticos do partido e do próprio          país. Em 1980, não hesitou em apoiar objectivamente o General Soares          Carneiro contra Eanes, não por razões políticas mas devido ao ódio          pessoal que nutria pelo general Ramalho Eanes. E como o PS não alinhou          nessa aventura que iria entregar a presidência da República a um general          do antigo regime, Soares, em vez de acatar a decisão maioritária do seu          partido, optou por demitir-se e passou a intrigar, a conspirar e a          manipular as consciências dos militantes socialistas e de toda a sorte          de oportunistas, não hesitando mesmo em espezinhar amigos de sempre como          Francisco Salgado Zenha.
Confesso que não sei por que é que o séquito          de prosélitos do soarismo (onde, lamentavelmente, parece ter-se incluido          agora o actual presidente da República), apareceram agora tão indignados          com as declarações de governantes angolanos e estiveram tão calados          quando da publicação do livro de Rui Mateus sobre Mário Soares. Na          altura todos meteram a cabeça na areia, incluindo o próprio clã dos          Soares, e nem tugiram nem mugiram, apesar de as acusações serem então          bem mais graves do que as de agora. Por que é que Jorge Sampaio se calou          contra as « calúnias » de Rui Mateus ?
PRESSÕES SOBRE          MAGISTRADOS
Aliás, só num país sem cultura democrática e sem qualquer          respeito pelas mais elementares regras da justiça é que a publicação de          um livro como o de Rui Mateus, não teve quaisquer consequências. Num          país minimamente decente e onde a cidadania não fosse uma miragem, um          dos dois estaria a contas com a justiça : ou o autor do livro como          caluniador, ou o visado como autor dos comportamentos imputados. Mas não          ; tudo se calou e nem sequer um processo crime por difamação foi          instaurado. A própria Procuradoria Geral da República assobiou para o          lado, como se nada tivesse acontecido.
Mário Soares manifestou um          profundo desprezo pela independência da justiça portuguesa e tentou          pressionar publica e indevidamente magistrados no exercício das suas          funções, aparecendo publicamente a solidarizar-se com Leonor Beleza no          caso dos hemófilicos e proferindo declarações gravíssimas para a          idoneidade e independência de magistrados. Tudo para impedir um          julgamento de uma figura política, apesar de haver fortíssimos indícios          da prática dos delitos imputados. Soares, como advogado que foi sabia          que, perante certos factos, só em julgamento é que se pode          verdadeiramente apreciar a culpabilidade ou inocência das pessoas          envolvidas, mas tudo fez, juntamente com outros políticos, para impedir          esse julgamento.
2. - Não sei nem me interessa saber se Mário Soares e a família          beneficiam ou não do tráfico dos diamantes (que tem a placa giratória em          Lisboa) e do marfim angolano. E em bom rigor poucos poderão ter uma          certeza devidamente sustentada sobre qualquer das alternativas. Sei          apenas que nunca houve qualquer indício, por mais frágil que fosse, de          que Soares e/ou familiares seus tenham metido dinheiro ilícito ao bolso,          durante os tempos em que exerceram funções públicas. Mas sei também que          Soares não me merece nenhuma confiança especial e que à volta dele,          mesmo muito próximo dele, sempre houve pessoas com comportamentos muito          pouco recomendáveis. Ora vejamos :
No 1° ou 2° Governo          Constitucional, em que Soares era primeiro ministro, os portugueses que          quisessem ir ao estrangeiro só podiam levar consigo 7.500$00. No entanto          um membro do governo foi descoberto a depositar na Suiça uma quantia de          milhares de contos prevalecendo-se de um passaporte diplomático. Tudo          ficou em « águas de bacalhau ».
Mais tarde quando Soares era primeiro          ministro do chamado Bloco Central (governo do PS e do PSD), um membro do          governo, Custódio Simões, dirigente do PS foi descoberto a utilizar          dinheiros públicos em empresas suas. Apesar das evidências das provas          apresentadas pelos órgãos de informação, Soares veio à televisão          defendê-lo. Pouco tempo depois, o escândalo rebentava mesmo e esse          governante demitia-se. Mais tarde o mesmo Custódio Simões haveria de se          envolver numa das mais gigantescas fraudes com dinheiros públicos ? o          célebre caso do matadouro da Guarda ? e hoje anda fugido pelo mundo com          um mandato de captura intrenacional.
DINHEIRO DE MACAU
Anos mais          tarde, um senhor que fora ministro de um governo chefiado por Mário          Soares, Rosado Correia, vinha de Macau para Portugal com uma mala com          dezenas de milhares de contos. A proveniência do dinheiro era tão pouco          limpa que um membro do governo de Macau, António Vitorino, foi a correr          ao aeroporto tirar-lhe a mala à última hora. Parece que se tratava de          dinheiro que tinha sido obtido de empresários chineses com a promessa de          benefícios indevidos por parte do governo de Macau. Para quem era esse          dinheiro foi coisa que nunca ficou devidamente esclarecido.
O caso          Emaudio e o célebre fax de Macau é um episódio que envolve          destacadíssimos soaristas, amigos íntimos de Mário Soares e altos          dirigentes do PS da época soarista. Menano do Amaral chegou a ser          responsável pelas finanças do PS e Rui Mateus foi durante anos          responsável pelas relações internacionais do partido, ou seja, pela          angariação de fundos no estrangeiro. Não haveria seguramente no PS          ninguém em quem Soares depositasse mais confiança. Ainda hoje subsistem          muitas dúvidas (e não só as lançadas pelo livro de Rui Mateus) sobre o          verdadeiro destino dos financiamentos vindos de Macau. No entanto, em          tribunal, os pretensos corruptores foram processualmente separados dos          alegados corrompidos, com esta peculiaridade (que não é inédita)          judicial : os pretensos corruptores foram condenados, enquanto os          alegados corrompidos foram absolvidos.
Aliás, no que respeita a Macau          só um país sem dignidade e um povo sem brio nem vergonha é que toleravam          o que se passou nos últimos anos (e nos últimos dias) de administração          portuguesa daquele território, com os chineses pura e simplesmente a          chamar ladrões aos portugueses. E isso não foi só dirigido a alguns          coladores de cartazes do MASP que a dada altura enxamearam aquele          território. Esse epíteto chegou a ser dirigido aos mais altos          representantes do Estado Português. Tudo por causa das fundações criadas          para tirar dinheiro de Macau. Mas isso é outra história cujos          verdadeiros contornos hão-de ser um dia conhecidos.
Não foi só em          Portugal que Mário Soares conviveu com pessoas pouco recomendáveis.          Veja-se o caso de Betino Craxi, o líder do PS italiano, condenado a          vários anos de prisão pelas autoridades judiciais do seu país, devido a          graves crimes como corrupção. Soares fez questão de lhe manifestar          publicamente solidariedade quando ele se refugiou na Tunísia. Veja-se          também a amizade com Filipe Gonzalez, líder do Partido Socialista de          Espanha que não encontrou melhor maneira para resolver o problema          político do país Basco senão recorrer ao terrorismo, contratando os          piores mercenários do lumpen e da extrema direita da Europa para          assassinar militantes e simpatizantes da ETA.
Mário Soares utilizou o          cargo de presidente da República para passear pelo estrangeiro como          nunca ninguém fizera em Portugal. Ele, que tanta austeridade impôs aos          trabalhadores portugueses enquanto Primeiro Ministro, gastou, como          Presidente da República, milhões de contos dos contribuintes portugueses          em passeatas pelo mundo, com verdadeiros exércitos de amigos e          prosélitos do soarismo, com destaque para jornalistas. São muitos desses          « viajantes » que hoje se põem em bicos de pés a indignar-se pelas          declarações dos governantes angolanos.
Enquanto Presidente da          República, Soares abusou como ninguém das distinções honoríficas do          Estado Português. Não há praticamente nenhum amigo que não tenha          recebido uma condecoração, enquanto outros cidadãos, que tanto as          mereceram, não obtiveram qualquer distinção durante o seu « reinado ».          Um dos maiores vultos da resistência antifascista no meio universitário,          e um dos mais notáveis académicos portugueses, perseguido pelo antigo          regime, o Prof. Doutor Orlando de Carvalho, não foi merecedor, segundo          Mário Soares, da Ordem da Liberdade. Mas alguns que até colaboraram com          o antigo regime receberam as mais altas distinções. Orlando de Carvalho          só veio a receber a Ordem da Liberdade depois de Soares deixar a          Presidência da República, ou seja logo que Sampaio tomou posse. A razão          foi só uma : Orlando de Carvalho nunca prestou vassalagem a Soares e          Jorge Sampaio não fazia depender disso a atribuição de          condecorações.
FUNDAÇÃO COM DINHEIROS PÚBLICOS
A pretexto de uns          papéis pessoais cujo valor histórico ou cultural nunca ninguem sindicou,          Soares decidiu fazer uma Fundação com o seu nome. Nada de mal se o          fizesse com dinheiro seu, como seria normal. Mas não ; acabou por          fazê-la com dinheiros públicos. Só o governo, de uma só vez deu-lhe 500          mil contos e a Câmara de Lisboa, presidida pelo seu filho, deu-lhe um          prédio no valor de centenas de milhares de contos. Nos Estados Unidos,          na Inglaterra, na Alemanha ou em qualquer país em que as regras          democráticas fossem minimamente respeitadas muita gente estaria, por          isso, a contas com a justiça, incluindo os próprios Mário e João Soares          e as respectivas carreiras políticas teriam aí terminado. Tais práticas          são absolutamente inadmissíveis num país que respeitasse o dinheiro          extorquido aos contribuintes pelo fisco. Se os seus documentos pessoais          tinham valor histórico Mário Soares deveria entregá-los a uma          instituição pública, como a Torre do Tombo ou o Centro de Documentação          25 de Abril, por exemplo. Mas para isso era preciso que Soares fosse uma          pesoa com humildade democrática e verdadeiro amor pela cultura. Mas não.          Não eram preocupações culturais que motivaram Soares. O que ele          pretendia era outra coisa. Porque as suas ambições não têm limites ele          precisava de um instrumento de pressão sobre as instituições          democráticas e dos órgãos de poder e de intromissão directa na vida          política do país. A Fundação Mário Soares está a transformar-se num          verdadeiro cancro da democracia portuguesa.
3. - Durante anos e anos Soares e o filho insultaram o Estado          angolano e os seus governantes ? bons ou maus, mas legítimos. João          Soares passeou-se pelo território angolano como desprezo pelas          autoridades legítimas do país, como se fosse terra de ninguém e ainda          hoje continua a conspirar em Lisboa contra o governo Angolano. Mário          Soares, esquecendo que o actual governo de Angola resulta de eleições          declaradas livres e justas pela ONU (ao contrário do que sucede em          muitos países contra os quais não diz uma palavra), chamou ladrões e          corruptos aos seus governantes, mas não teve um gesto de condenação a          Betino Craxi ou aos corruptos políticos italianos a contas com a lei.          Pelo contrário, manifestou-lhes solidariedade, mesmo quando já estavam          condenados e fugidos à justiça.
Tudo isto revela uma mentalidade          neocolonialista, que consiste em não acreditar que os angolanos sejam          capazes de resolver sozinhos os seus problemas internos de corrupção e          de falta de liberdades.
Angola é um país para o qual Portugal tem          dívidas que demorarão séculos a saldar. No entanto, ninguém se indignou          nem ninguém exigiu a Soares provas das acusações caluniosas contra os          governantes angolanos.
Pai e filho sempre apoiaram sem qualquer          vislumbre de vergonha Jonas Savimbi e a UNITA, ignorando a colaboração          dessa camarilha de assassinos com o fascismo português e com a prória          PIDE. Esquecendo deliberadamente que a UNITA tinha sido criada e apoiada          pelo fascismo português (ouça-se o que diz o Marechal Costa Gomes)          unicamente para combater o MPLA e assassinar os seus          dirigentes.
SAVIMBI, BOKASSA, MOBUTU E IDI AMIN
No entanto, nunca          ninguém se indignou contra esse comportamento oportunista e mesquinho de          Mário e de João Soares. Mas quando alguém do lado angolano reagiu, caiu          o Carmo e a Trindade. Denunciam limitações e ataques à liberdade de          imprensa, olvidando deliberadamente que se trata de um país em guerra e          que mesmo em Israel ou durante a guerra do Golfo foram impostas graves          restrições à actividade dos jornalistas. Além disso, parece que todos já          esqueceram o que foi a liberdade de imprensa em Portugal durante o tempo          em que Mário Soares foi 1° Ministro, sobretudo no Bloco          Central.
Savimbi, cuja dimensão política só é comparável a Bokassa,          Idi Amin ou Mobutu (outro amigo de Soares) sempre foi acarinhado,          directa e indirectamente, por Mário e João Soares. Savimbi mandou pura e          simplesmente assassinar alguns dirigentes da UNITA (que discordavam          dele) e respectivas famílias, incluindo os filhos ainda crianças. Mas          contra isso nem Mário Soares nem os seus amigos se indignaram. Durante          anos a UNITA e seus apoiantes exigiram eleições e quando elas se          fizeram, Savimbi deu a sua verdadeira noção de democracia : como perdeu          não aceitou os resultados (mais ou menos como Soares fizera com as          votações dos órgãos dirigentes do PS em 1980 a propósito de Ramalho          Eanes e Soares Carneiro) e voltou a impôr a guerra ao povo angolano.          Parece que todos se esqueceram já que o actual governo angolano resulta          de eleições democráticas, declaradas pela ONU (e até reconhecidas pelos          Estados Unidos) como justas e livres. Mais tarde a UNITA voltou a          assinar outro acordo de paz, em Lusaca, mas logo de seguida voltou a          rasgá-lo, porque tal não correspondia aos interesses dos traficantes          (portugueses e africanos) do marfim e dos diamantes de Angola.
Hoje          em dia, Savimbi é considerado um criminoso pela comunidade internacional          e os seus representantes nem sequer são recebidos por funcionários da          ONU, nem sequer dos Estados Unidos, mas continuam a ser tratados como          democratas e estadistas por Mário Soares e pelo filho João Soares. E não          é seguramente por solidariedade ideológica, pois se há coisa que a UNITA          não tem, nem nunca teve, é ideologia.
A ONU prepara-se para impôr          sanções duríssimas à UNITA, devido à sua actuação em Angola, mas isso          não preocupa o clã Soares e os seus apaniguados.
Tudo isso não teria          até grande importância não fosse o desprezo pelos interesses e          obrigações nacionais que certas atitudes representam. Mas tal como em          1980, os ódios pessoais continuam a prevalecer sobre os interesses          políticos do PS e do próprio Estado Português.
Seria bom que alguém          fizesse sentir ao Dr. Mário Soares (e ao seu filho João Soares que já          vai pelo mesmo caminho) que não pode continuar a fazer o que lhe          apetece, neste país, impunemente. Por mim, confesso que estou farto do          comportamento deste tipo de bailios que pensam que o país é uma gleba          sua onde ninguém tem coragem de lhes pedir responsabilidades, nem sequer          políticas.
Começo também a ter vergonha de viver num país onde          acontecem este género de coisas, onde quase todos se curvam diante da          majestade balofa de um bufarinheiro da política. E essa vergonha só não          se tornou ainda insuportável porque acredito que um dia se irá fazer a          verdadeira história de toda esta ignomínia.
Ao ESTADO ANGOLANO , em nome do POVO ANGOLANO , resta assumir , em          termos imediatos , um novo contencioso , que deverá abordar de forma          exaustiva e de acordo com conhecimentos científicos e históricos          abalizados , um pedido sério de idemnizações dirigido ao ESTADO          PORTUGUÊS , por causa das sevícias que sofreu durante séculos através da          ESCRAVATURA e do COLONIALISMO .
Nesse sentido , como é óbvio , todos os recursos a nível          Internacional , devem ser mobilizados, incluindo os que se referem          àqueles Povos e Governos que se opuseram através dos seus próprios          processos históricos a essas práticas e sevícias .
Enviado por chitali n'gueve          em Março 24, 19100 às 16:19:33:
O ESTADO PORTUGUÊS ARRISCA ? SE A TER DE ASSUMIR A RESPONSABILIDADE          HISTÓRICA DAS SEVÍCIAS PRATICADAS DURANTE A ESCRAVATURA E O COLONIALISMO          , ATÉ AOS NOSSOS DIAS :
O facto dos órgãos de Imprensa Pública em PORTUGAL , estarem num          crescendo de PROPAGANDA , em prol de figuras como as da família SOARES ,          assumindo um inusiado protagonismo nas colagens políticas que só têm a          finalidade de beneficiar a sobrevivência da « UNITA PORTUGUESA » ,          conforme se pode comprovar na « GRANDE ENTREVISTA » , implica :
- Que o ESTADO PORTUGUÊS está a ficar comprometido com essas colagens          políticas , aceitando ? as insidiosamente como suas próprias .
- Que o ESTADO PORTUGUÊS está a ficar comprometido pelo facto de não          aplicar as sanções impostas pela própria ONU , incluindo nos deveres de          controlo sobre a circulação de pessoas e dos diamantes vendidos por          gente afecta a SAVIMBI .
- Que o ESTADO PORTUGUÊS arrisca ? se a assumir a responsabilidade          duma viragem no relacionamento para com o ESTADO ANGOLANO , pondo em          causa os interesses recíprocos entre os dois Povos e anos de esforços de          muitos Governantes e figuras públicas , que foram trabalhando com uma          perspectiva a muito longo prazo ; este facto , a consumar ? se , pode          vir a pôr em causa a existência dos próprios « PALOP » .
- Que o ESTADO PORTUGUÊS arrisca ? se a assumir a responsabilidade          moral e cívica de , ao passar a apoiar implicitamente a guerrilha de          SAVIMBI , por causa duma qualquer colagem política que visa o seu          branqueamento , ter de assumir o peso de todos os contenciosos          históricos que têm permanecido adormecidos , mas são efectivamente          latentes , relacionados com períodos como aqueles em que o Povo Angolano          , sofreu sevícias e práticas de ESCRAVATURA e de COLONIALISMO , em          relação aos quais não houveram nunca compensações ou idemnizações ,          muito menos preocupação , por parte dos defensores de última hora dos          Direitos Humanos , como o Senhor MÁRIO SOARES .
- Que em relação a questões como os Direitos Humanos , tal como o          Povo Judaico tem o direito inalienável de levantar tudo o que se refira          ao HOLOCAUSTO , tem o Povo Angolano o direito inalienável de levantar          todo o contencioso que se refere à ESCRAVATURA e ao COLONIALISMO de que          foi vítima durante vários séculos , até aos dias de hoje , tendo em          conta que SAVIMBI é a última emanação desse mesmo COLONIALISMO e do «          apartheid » .
- Que é chegada a altura de se abordar com toda a sensibilidade este          assunto , até por que felizmente , são também muitos os Portugueses que          conhecem as práticas da família SOARES e não estão na disposição de          corroborarem com os seus erros e com os erros daqueles Governantes que          estão à sua mercê nas colagens políticas de conveniência e da          conveniência da « UNITA PORTUGUESA » , conforme o exemplo que abaixo se          pode constatar :