Artigo da TV Guia nº1022
Silence 4 "Não temos perfil de estrelas"
Com um som quase acústico e temas em inglês, é a banda sensação do momento no panorama nacional .Mas não se deixam deslumbrar pelo sucesso repentino e querem "fazer as coisas com calma", como sublinha David Fonseca, o líder do grupo, em entrevista à "TV Guia".
Com esta "tourné" em ritmo alucinante, já tiveram tempo de digerir o que vos está a acontecer?
Não, porque quando uma banda está tanto tempo a tocar ao vivo como nós, tocamos praticamente todos os dias, é muito difícil ter a percepção do que se passa no pais real. A única percepção que temos é dos concertos que fazemos e da adesão que têm tido. Mas mesmo assim, acho o saldo bastante positivo. As coisas yêm acontecido de uma forma muito natural e isso tem sido bom.
Esse ritmo de concertos vai manter-se nos próximos meses?
Até finais de Outrubro temos ums agenda totalmente preechida.
O grupo penetrou, através da rádio, na colômbia e no Brasil. Há alguns contactos para concertos ou promoção?
Por enquanto estamos a levar as coisas com muita calma e gostamos de fazer as coisas cá em Portugal primeiro. Temos de ver sempre um futuro muito próximo. Para além disso seria sonhar comos pés fora da terra.
Agora durante a tournée, tem tido tempo para compor?
Tenho um gravador e costumo gravar imensas coisas nos quartos de hotel, etc. As ideias existem sempre, mesmo que se ande em digessão.
Pretendem continuar a compor temas sobretudo em inglês?
Sim, mas penso que tanto numa língua como noutra, o português e o ingjês, tem muito a oferecer aos Silence 4.
A aposta é continuarem a gravar nas duas línguas?
Não sei. O album (Silence Becomes It) tem dois meses e ainda não estamos a pensar no que se vais seguir. Estamos ainda a viver este. Vamos fazer as coisas com calma e muita racionalidade.
Para depois da digressão, o que têm agendado?
Espero tirar uma semana de férias, pelo menos. Já não peço muito.
E depois?
Gostávamos de voltar a trabalhar juntos, de ensaiar, coisa que já deixamos de ter tempo para fazer. E gostávamos de nos entregar a novos temas.
Essa experiência de viverem, agora, constantemente juntos fortaleceu a vossa relação?
Sim. Às veses odiamos-nos uns aos outros, mas isso é natural em qualquer relação. No meio de tanta confusão e as coisas a acontecerem rapidamente, acabámos por chegar à conclusão que , durante a digressão, temos-nos sobretudo, uns aos outros. Se não tivermos isso, poucas coisas vamos ter. Acho que isto fortaleceu a relação entre a banda e foi mais um salto positivo.
Como estão a lidar com o assédio dos e sobretudo das fãs?
Humm Não sei. Eu acho que não tengo perfil de estrela, então acho difícil. Por vezes ainda me sinto desconvortável em relação a isso.
Já começou a se disfarçar?
Não! Não tenho mesmo esse perfil. Acho que as pessoas só vêem estrelas onde elas existem e quando as querem ver assim. Agora se não me comporto como tal. Terão a tedência a verem uma pessoa muito normal e, no fundo, é aquilo que sou. Sou igual às pessoas que estão ali fora (junto ao palco). Talvez eu não me sentasse quatro horas à espera de ver os Silence 4 como algumas pessoas ali fizeram (risos)
Nos últimos anos tem havido uma grande sucessão de grandes êxitos como Pedro Abrunhosa, Paulo Gonso ou Exesso, todos eles fenémenos bem diferentes. Este é o memento Silence 4?
Sim. Acho que é importante viver diferentes momentos da música portuguesa é e positivo que tenha sido um tão diferente e ainda por cima numa língua diferente. É um passo para se apostar noutro tipo de música em Portugal. Acho que existe uma boa música ainda na garagem. E esses projectos têm de sair da garagem assim como o nosso saiu de uma aldeia. Se houver esse indicador de mudança, pode ser que exista uma mudança ainda mais radical nas novas apostas da música portuguesa. Que a nossa traga muitas.
Qual é o grande sonho ou ambição musical de David fonseca?
Costumo dizer que a minha ambição musical já foi, já me ultrapassou. A nossa ambição sempre foi fazer música e, neste momento, a minha é poder ter oportunidade de fazer mais e de a mostrar às pessoas. Não é a ambição de que elas gostem, acho difícil obrigar alguém a gostar de alguma coisa. Mas pelo menos que as pessoas possam ouvir o trabalho que se faz com a nossa banda e com todas as bandas portuguesas . Todas devem ter as mesmas oportunidades. E espero que nós possamos fazer, no futuro, novas coisas.
Uma noite na Expo
Desde o lançamento do album de estreia, Silence Becomes It, que os Silence 4 saíram do anonimato de uma banda amadora de Leiria e entraram num frenesim de concertos e entrevistas. Editado em Junho, o album já é disco de ouro e depois de A Little Respect (versão de um tema dos Erasure), e Borrow, prepara-se o lançamento do terceiro single, My Friends. David Fonseca (voz, guitarra acústica, letrista e compositor), Rui Costa (baixo e guitarras), Sofia Lsiboa (voz) e Tozé Pedrosa (bateria) percorreram já o país de lés a lés e na passada semana foram, pela segunda vez, à Expo98. Desta feita, o palco 6 foi pequeno para albergar a multidão de fãs que os aguardava. Alguns marcaram lugar horas antes do espectáculo, enquanto a banda dava uma espreitadela ao recinto e andava no teleférico (mau grado as vertigens de Sofia) numa entrevista para a televisão. Às 23 horas, uma hora antes do concerto, estavam todos a postos nos bastidores. Após ter falado com a "TV Guia", David Fonseca (que não quis tirar fotografias nos bastidores por estar "despenteado") passeava-se de bicicleta, exibindo os seus dotes de equilíbrio e brincando: É para o próximo vídeo. Não foi necessário qualquer período de contracção antes da entrada em palco: descontraída Sofia Lisboa dizia: São tantos espectáculos que agora já estamos habituados. E um pouico depois gracejava: Nunca mais começa, quero ir cantar! Com o aproximar da hora, os fãs, e, sobretudo, as muitas fãs, á frente do palco grivatam pela banda. Pontuais, os Silence 4 entraram em cena e não foi preciso "aquecer" a assistência. Dos "encores", Angel Song e Borrow, encerraram a noite, à 1.05 da madrugada. Nos dias seguintes teriam de conquistar muitas plateias. Mas, certamente sem dificuldade de maior