RAIMUNDOS MERGULHAM NO FORROCK

Grupo de Brasília detona no palco o conteúdo ímpar de seu primeiro disco, ainda em gravação


Que os Raimundos não façam feio no M2000. Se bem que "feio" é relativo, quando o show é na praia do Gonzaga, canal 3 da decadente orla de Santos - transformada na primeira edição do festival, num mictório a céu aberto e onde uma água de coco era vendida a CR$1.000, 00. Paraíso trash para a Raimundada. O show de amanhã vai ser a prova de fogo para os Raimundos, banda de Brasília que promete ser a surpresa nacional na Segunda edição do evento. Eles anarquizaram o festival independente junta tribo, em Campinas, com sua mistura de Hardcore e forró e abriram shows dos Titãs no Olímpia, ano passado.

De uma semana para cá, os Raimundos passam noites trancafiados nos estúdios Be Bop, em Pinheiros, gravando seu primeiro disco pelo selo Banguela (Warner Music), dos mesmos Titãs que piraram quando ouviram uma demo do grupo, apresentada por Carlos Eduardo Miranda, rocker velho de guerra, jornalista e produtor musical. Miranda está produzindo o álbum dos Raimundos - Rodolfo Abrantes (vocal), Henrique Canisso (baixo), Fred (bateria) e Digão (guitarra) - eram ciceroneados por Miranda e nada menos que os sete Titãs, todos de olho na cria.

Quem via a confusão no estúdio imaginava: é muito palpiteiro para um disco só. Nada. "Eles estão bem seguros do que querem", diz Tony Belloto. O máximo que o guitarrista e os comparsas titânicos vão fazer são alguns back vocais. "A palavra final é sempre do Miranda", anuncia Henrique, 28 anos, o mais velho da banda e o único com curso superior, formado em Direito pela UnB. ("O resto é tudo analfabeto", alfineta). Rodolfo, 21, divorciado, por sua vez é o único que tem o gene nordestino no sangue. "Ouvia forró quando pequeno por causa de meus pais e achava horrível. Até que descobri o Zenilton, um sanfoneiro que tem as letras mais legais do Brasil. Ele é nosso ídolo", confessa.

Encampar o regionalismo parece uma tendência do rock nacional. Vide o saravá-metal do Gangrena Gasosa e Chico Science, com quem Raimundos vão excursionar a partir de março. "Não temos vergonha de ser brasileiros. O português é uma língua muito rica e tem de tudo em nosso país." Diz Henrique. Quem duvida que confira Nêga Jurema - hit mais debochado da banda - ao vivo.

Juliana Resende


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