PORRADA, PORRADA, PORRADA
Carla Hosoi
É pedrada sem dó. Bofetada da boa. Lapadas do Povo, o novo
álbum do RAIMUNDOS é isso. Variações sobre um autêntico
Hard-Core, que traduzem bem o despojamento e a
"objetividade" questionável das letras, compostas em
sua maioria por todos os integrantes do grupo. O aviso
entusiasmado vem do próprio vocalista Rodolfo, "É um som
da pesada, O CD que a gente sempre quis fazer".
Traduzindo...as batidas um pouco mais tranqüilas de músicas
como "I Saw You Saying" e "O Pão da Minha
Prima", ambas do segundo CD Lavô tá Novo, foram
praticamente esquecidas nas 14 faixas do novo álbum.
Lapadas do Povo (Warner Music) é hard core, muita pauleira
bem-feita. Além de assumir de vez a sonoridade do grupo, esse
terceiro álbum com músicas inéditas trouxe novidades
inesperadas pelos próprios RAIMUNDOS. Foi inteirinho gravado em
Los Angeles, e quem assina a produção é ninguém mais que Mark
Dearnley, que já trabalhou com Kiss, AC/CD, Black Sabbath, entre
outros.
O motivo que os levou a gravar pela primeira vez fora do país
não é tão supreendente em se tratando dos desligados meninos
Raimundos. "Acabamos deixando tudo pra última da hora. E
quando fomos procurar estúdios pra gravar, tanto em São Paulo
como no Rio, não havia mais datas. Tivemos que buscar
alternativas" disse Canisso. Quanto a escolha do produtor, o
baixista disse que não tiveram muitas dúvidas. "Já
tinhamos trabalhado com Mark no Lavô tá Novo, então sabiamos
da sua experiência com bandas de som mais pesado. Aqui no Brasil
também temos muitos bons produtores, mas a diferença é que lá
fora eles se especializam mais". Mas foi o vocalista Rodolfo
quem resumiu, em uma simples explicação, o espírito de
trabalho do grupo. "O problema é que a gente dá muito
trabalho. Não gostamos de ninguém metendo o bedelho no nosso
trabalho. Mas com o Mark é diferente. Ele sabe definir os
timbres, tem a manha de tirar um som legal. A gente acata o que
ele fala", disse.
Para o Lapadas do Povo, quantidade e qualidade. O álbum foi
gravado em dois estúdios, o Sound Castle e o Sound City, e ainda
passou pela mixagem em um terceiro, no Pacifique Studios. Cerca
de dois meses e meios gravando. E para garantir um
profissionalismo de primeira, o Raimundos ainda ensaiaram no
Mates Rehearsal Studios, onde frequentemente ensaiam bandas como
Guns and Roses e Suicidal Tendencies. "Gravamos no estúdios
em que o Mark estava costumado a trabalhar. Os estúdios são
bons, têm máquinas atualizadas. Mas o legal é que tivemos
contato com umas coisas interessantes, como o amplificador do
Steve Vai e o fato de termos gravado no Sound City, o mesmo
estúdio em que o Nirvana gravou o Never Mind", contou
Rodolfo.
E não é só o cuidado técnico que marca o Lapadas do Povo como
uma excentricidade na feliz trajetória desses meninos
brasilienses. Sem dúvida, este foi o álbum mais apressado que o
Raimundos já produziu. "Andar na Pedra", música que
faz referência as marcas que os pés "sofridos" deixam
no chão, é o carro-chefe do novo CD. Motivo: foi a primeira a
ficar pronta. "Só tinhamos quatro músicas prontas, com
tudo, letra e melodia. As outras só tinham melodia, linha de
vocal, mas faltavam as letras. Tivemos que meter bala",
disse Canisso. Para se ter uma idéia "Bass Hell", a
única música instrumental do disco, foi concebida,
originalmente, como um rap com letra. Mas para os moços
bonzinhos com caras de mau, valeu toda a correria. "Houve
muita pressão, até podiamos ter curtido mais, Mais foi legal
esse pique todo, pois deu pra fazer uma coisa bastante
espontânea", disse Canisso.
O Raimundos deve começar a mostra Lapadas do Povo ao vivo ainda
esse ano. "Esperamos fazer as principais capitais. Turnê
mesmo, de pegar estrada, só no começo do ano que vem",
disse Rodolfo. E eles garantem: "Vamos fazer um show novo,
bem produzido, um espetáculo completamente diferente",
falou empolgado o vocalista Rodolfo.
E apesar da sonoridade que "lembra" a rápida batida do
Sepultura, o integrantes nõa parecem ansiosos com a fama fora do
país. "Em 1996 até tocamos em festival na Espanha, chamado
Esparrago Rock. Tinha de tudo: Ska, música flamenca,
internacional. Sentimos que para os europeus a lingua não é
barreira, é o som mesmo que importa. Mas os americanos são
menos flexíveis. E nossas letras são complicadas de traduzir.
Por enquanto não temos essa pretensão", explicou Rodolfo.
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