17 de Abril 2001 - Encontro com o senhor Enrique Soruco Vidal, Director geral de FIE - La Paz

A historia de FIE esta ligada com a grave crise que ocorreu na Bolivia em 1985. Esta ultima traduziu-se por uma inflacao (28000%) com efeitos catastroficos obrigando o governo a introduzir medidas de choc : de um esquema de estado passou a uma economia de mercado, transferindo as empresas publicas ao sector privado, fechado algumas delas e criando bastante desemprego. Foi nesse contexto que as micro-empresas serviram como amortecedor, diminuindo o desemprego.
FIE nasceu em novembro de 1985 ( centro de Fomiemto a Iniciativas Economicas), sendo uma associacao civil (ONG) constituida por 5 mulheres que tentavam facilitar mecanismos duraveis de apoio as populacoes urbanas com poucos recursos financeiros. Estas 5 mulheres que ja tinham trabalhado no sector social, pensavam que os esforcos assistencialistas deviam ser substituidos por formas duraveis de apoyo. Elas pensavam que se podia encontrar outras formas de apoio a unidades familiares, especialmente apioando actividades economicas. Mas faltava o acesso ao financiamento : nessa epoca, os bancos fechavam as portas aos micro-empresarios por 2 razoes :
- a sua pequena capacidade financeira
- o seu nivel social (falta de formacao)
O objectivo de FIE foi facilitar :
- o acesso ao financiamento
- o acesso ao ensino (gestao...)
Para responder a esses objectivos, criou projectos e metodologias proprias. Em 1986, solicitou um finaciamento ao Banco Interamericano de Desarollo e obteve um emprestimo de 500 000 $. Tambem recebeu 2 emprestimos de 2 organismos de cooperacao suico (COTESU) e sueco (Diakonia). Esses recursos permitiram a criacao de dois projectos :
- programa proprio de micro-credito (emprestimos individuais), diferente dos grupos solidarios propostos por Accion International (esquema introduzido na Bolivia por Prodem) com um mecanismo de forte rotacao dos creditos. FIE escolheu apoiar exclusivamente produtores (pequena manufactura). Em 1992 abriu a actividade de financiamento ao comercio, porque era uma forma efectiva de contribuir a actividade empresarial das mulheres, importante na unidade familiar.
- um programa de formacao, orientado a desenvolver o conhecimento dos seus clientes em contabilidade, administracao e financiamento da unidade economica.
Para nao limitar o crescimento da actividade micro-credito, FIE escolheu criar, em marco de 1998, o Fundo Financeiro Privado FIE (FFP - FIE SA), com a participacao de investidores institucionais e privados, sendo assim uma sociedade anonima regulada pela Superintendencia dos Bancos e Instituicoes Financeiras de Bolivia. A carteira  da ONG FIE de 12.5 milhoes de $ foi transferida ao Fundo Financeiro Privado FIE. Com os novos clientes a carteira em 2001 é de 23 milhoes de $ e 22 500 clientes.
A ONG FIE continua a sua actividade, desenvolvendo projectos de assistencia tecnica, de leasing para os seus antigos clientes...com mais o menos exito. A sua actividade foi reduzida pela crise que a Bolivia conhece desde abril 2000. O capital do fundo fianceiro pertence por 73% a ONG FIE (59% inicialmente). Esta situacao deveria ser temporaria. Pois FIE procura hoje novos investidores. Os outros accionistas de FIE sao : uma organisacao de desenvolvimento suica com 7% do capital, ICCO (uma ONG holandesa) com 2.7%, Corporation Andina de Fomiento com 14% e 2 investidores privados com 5%.
O publico apoiado pelo fundo é constituido por micro-empresarios em meio peri-urbano, tendo ja iniciado uma actividade e conhecendo o mercado.
FIE tem 15 agencias e 174 empregados em 7 departamentos da Bolia (Ha 9 departamentos).
Os produtos que o Fundo FFP - FIE SA pode propor sao : depositos a prazo ; um produto novo que estao experimentando mas com pouco exito ate agora, poupanca programada ; um produto a desenvolver no futuro, conta de poupanca tradicional.
Os emprestimos sao unicamente individuais (nao ha grupos solidarios) para : producao, comercio, servicos e menos para construcao, consumo e uma linha de credito de emergencia.

A seguir o Senhor Soruco abordou temas mais largos :
- Sobre a evolucao do Fundo : Como outros organismos de micro-credito, o Fundo Financeiro FIE esta confrontado a distorcao introduzida no mercado pelos programas de micro-credito ao consumo (especialmente por bancos). Mas a presenca da ONG FIE no capital mantem fortemente o objectivo social. Para o Senhor Soruco, a evolucao depende dos accionistas e é importante que eles tenham uma vontade social. Ele considera que os altos niveis de rentabilidade das primeiras entidades de micro-financas reguladas nao sao duraveis, sobretudo num mercado competitivo. O Fundo continua dando emprestimos medios de 1026$, inferiores aos de Bancosol. Ele reconhece que a taxa de juros é superior á dos bancos (mais arriscados), mas esta taxa é a mais baixas no sector do micro-credito na Bolivia. Assim FIE nao procura um rendimento em prejuizo dos seus clientes.
- Sobre o contexto do micro-credito : o Senhor Soruco pensa que o estado diz apoiar os organismos de micro-credito, considerando que sao o meio de sair da crise, mas nao lhes da as infra-estruturas necessarias, especialmente o ensino. Os organismos de micro-credito foram muito positivos para a economia. Ao contrario dos paises vizinhos, nunca houve graves crises sociais na Bolivia (como o Sendero Luminoso no Peru), porque as micro-empresa criaram empregos, bens e servicos  essenciais. Em 1992 e 1994, FIE mandou fazer uma medida de impacto do micro-credito. Moustrou que : os clientes aumentaram os seus activos, melhoraram os seus rendimentos de 15%,  o emprego aumentou de 8%, com 1700 $ pode-se criar um emprego, as condicoes de habitacao no entanto pioraram (mas isso explica-se : os clientes, com o aumento dos rendimentos, poderam sair da casa dos pais e comprar uma vivenda onde as condicoes sanitarias sao por um tempo piores).
Hoje, o Senhor Soruco, pensa que uma medida de impacto mostraria um endividamento muito importante, devido a crise na Bolivia e ao nivel de endividamento dos clientes.
EXPERIENCIA 2 BOLIVIA
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