Lavoira Arcaica

Título Original Lavoira Arcaica
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Distribuição: Riofilme
Site: http://www.lavouraarcaica.com.br/
Elenco: Raul Cortez / Selton Mello / Juliana Carneiro da Cunha / Leonardo Medeiros / Mônica Nassif / Christiana Kalache / Renata Rizek / Caio Blat / Simone Spoladore / Pablo César Câncio / Leda Samara Antunes / Sula Moreira Miana / Raphaela Borges David / Samir Muci Alcici Júnior / Fábio Luiz Marinho de Oliveira / Kalil Ibrahim Mansur / Felipe Abreu Salomão / Laura Hallack Ferreira
  Brasil, 2001
Genêro: Drama
Duração: Cor, 35 mm, 163 min

A história começa com dois irmãos que se encontram num quarto de pensão. O mais velho, Pedro, está ali para buscar André, o mais moço- o filho arredio, para que retorne ao lar.

Através das lembranças de André ficam claras as razões de sua partida: entre o jugo da lei paterna e o sufocamento da ternura materna, a impaciência atinge seu grau insuportável. Memórias da infância se confundem com o passado recente, justificando sua fuga.

O corpo e a alma de André reclamam por seus direitos, e ele os exerce contra todas as leis, apaixonando-se pela própria irmã, a belíssima Ana. Consumado o incesto, André abandona a casa paterna refugiando sua paixão em bordéis, enquanto Ana faz da capela da fazenda seu abrigo. Num momento de delírio ele confidencia toda sua perdição ao irmão. Ele havia desobedecido os severos preceitos do Pai, traduzidos em severos sermões sempre ditos à mesa onde estão também a Mãe, o caçula Lula e as outras três irmãs, Rosa, Huda e Zuleika.

A rebeldia e o delírio de André marcam irremediavelmente os outros membros da família; a Mãe, que já não é a mesma após sua partida é como se tivesse perdido a própria vida. Com o retorno de André, Rosa, Huda e Zuleika se desdobram em carinhos alegres não se esquecendo de preveni-lo quanto à mãe, devorada pela dor causada pela ausência do filho amado.

Uma intensa emoção marca esse retorno: André é recebido pelo Pai, que o acolhe um beijo, em toda sua majestade rústica. Ana se refugia na capela, apenas na festa que é preparada para celebrar a volta do irmão: está exuberante, coberta com as quinquilharias mundanas dos bordéis, guardadas numa caixinha que André havia dado a Pedro quando de seu retorno. Dança desvairada e febril, atraindo a atenção de todos. É quando Pedro, transtornado com o comportamento da irmã, faz ao Pai a sombria revelação do envolvimento amoroso de Ana e André. Este reage com uma explosão impossível de ser contida, seu rosto adquirindo uma expressão tenebrosa, que antecipa a tragédia que está por vir.

Com o alfange ao alcance da mão parte em direção à menina com a força de sua ira, atingindo-a de um só golpe. Recusando qualquer consolo, a mãe passa a carpir em sua própria língua um lamento milenar que corre até hoje a costa pobre do Mediterrâneo: a dor arenosa do deserto.