A história começa com dois irmãos que se encontram num quarto de pensão. O mais velho, Pedro, está
ali para buscar André, o mais moço- o filho arredio, para que retorne ao lar.
Através das
lembranças de André ficam claras as razões de sua partida: entre o jugo da lei paterna e o sufocamento
da ternura materna, a impaciência atinge seu grau insuportável. Memórias da infância se confundem com
o passado recente, justificando sua fuga.
O corpo e a alma de André reclamam por seus direitos,
e ele os exerce contra todas as leis, apaixonando-se pela própria irmã, a belíssima Ana. Consumado o
incesto, André abandona a casa paterna refugiando sua paixão em bordéis, enquanto Ana faz da capela da
fazenda seu abrigo. Num momento de delírio ele confidencia toda sua perdição ao irmão. Ele havia
desobedecido os severos preceitos do Pai, traduzidos em severos sermões sempre ditos à mesa onde estão
também a Mãe, o caçula Lula e as outras três irmãs, Rosa, Huda e Zuleika.
A rebeldia e o delírio
de André marcam irremediavelmente os outros membros da família; a Mãe, que já não é a mesma após sua
partida é como se tivesse perdido a própria vida. Com o retorno de André, Rosa, Huda e Zuleika se desdobram
em carinhos alegres não se esquecendo de preveni-lo quanto à mãe, devorada pela dor causada pela ausência do
filho amado.
Uma intensa emoção marca esse retorno: André é recebido pelo Pai, que o acolhe um beijo,
em toda sua majestade rústica. Ana se refugia na capela, apenas na festa que é preparada para celebrar a
volta do irmão: está exuberante, coberta com as quinquilharias mundanas dos bordéis, guardadas numa caixinha
que André havia dado a Pedro quando de seu retorno. Dança desvairada e febril, atraindo a atenção de todos.
É quando Pedro, transtornado com o comportamento da irmã, faz ao Pai a sombria revelação do envolvimento
amoroso de Ana e André. Este reage com uma explosão impossível de ser contida, seu rosto adquirindo uma expressão
tenebrosa, que antecipa a tragédia que está por vir.
Com o alfange ao alcance da mão parte em direção
à menina com a força de sua ira, atingindo-a de um só golpe. Recusando qualquer consolo, a mãe passa a carpir
em sua própria língua um lamento milenar que corre até hoje a costa pobre do Mediterrâneo: a dor arenosa
do deserto.
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