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Pela preservação da Vida* |
João Marciano Neto 25/10/99
O ser humano, menos que um ser habitante na Terra ou no universo,
é sobretudo uma dimensão da Terra e de fato do próprio universo;
a formação do nosso modo de ser depende do apoio e da orientação
dessa ordem universal; no universo, cada ser se preocupa conosco".
Você, enquanto ser humano pensante, já parou para refletir sobre:
| preservação da vida e da Terra, enquanto espaço de sobrevivência | |
| realidade social: pobreza, miséria e os processos de exclusão | |
| consciência e atuação individual no processo de vida cidadã | |
| espiritualidade e alteridade. |
Urgente se faz uma nova consciência, um novo paradigma que possa reverter essa ordem(desordem) mundial. Encontrar novas formas de encarar o desenvolvimento; a modernidade; redistribuição da renda e da terra, como alternativas para enfrentar o caos em processo.
O paradigma de desenvolvimento instaurado pela civilização ocidental, através do sistema capitalista vem produzindo uma série de fatores desconexos, prejudiciais ao homem, à natureza. O caos encontra-se em processo de instituição. Corremos o risco de convulsões sociais e cataclismas ecológicos. No universo neo-liberal impregnado pela ausência de políticas públicas não há lugar para todos.
Existe uma saída? Sim. Uma nova consciência. A necessidade de atuação individual para a proteção e preservação da vida na Terra – como nos diz Leonardo Boff, cada um assumindo a postura de anjo-da-guarda do planeta, e não como satã da Terra.
Importa neste primeiro momento encarar o ser humano enquanto ser que compõe a natureza e que deve ser preservado (vida com dignidade e justiça social). Para tanto necessário se faz a busca por uma nova compreensão do ser humano. Sujeito, histórico e social, racional, intuitivo e emocional.
A visão que temos de sociedade deve ser repensada. Devemos repudiar o conceito de sociedade, apenas, enquanto conjunto de indivíduos que se reúnem perante leis comandada por instituições cristalizadas. Uma visão mais solidária, responsável, de compromisso – um conjunto de sujeitos, cidadãos, constituindo uma subjetividade coletiva que se compromete na construção de um bem comum para os humanos e para todos os seres da natureza. (BOFF, 1999, 208)
A necessidade de universalizar os processos educativos, conscientizando os indivíduos para a participação política e engajamento nos mais diversos grupos. Encarar a democracia, não apenas como um regime político, mas como uma postura de vida, um dever social, em todos os níveis, priorizando o seu caráter de compromisso e solidariedade.
Uma nova gestão dos recursos disponíveis. Refutar a economia e a política que privilegia o capital e a técnica em busca do crescimento ilimitado sem preocupações com a natureza e com o ser humano. Desta forma indispensável se faz um repensar sobre a temática do desenvolvimento. Social, Ecológico, Auto-sustentado. Enfim, tantos outros termos. Buscar-se nova concepção, um novo modelo com ênfase social, cultural e ambiental da história humana.
Enquanto ser histórico, o ser humano é o único ser ético da natureza. O ser se manifesta não apenas na natureza, mas também na ação ou práxis humana: no ethos – hábitos, costumes, instituições – produzidos pela sociedade. O "ethos" se refere à "morada" e à organização de um povo ou de toda a sociedade.
Esta mobilização e participação democrática em sua totalidade, de forma planetária como vislumbra BOFF é algo esperado. É a condição de todos sobrevivermos comunitariamente. Repartirmos os bens da Terra, limitados e cada vez mais escassos, e elaborarmos estratégias de convivência pacífica entre as sociedades e com a natureza, ou então enfrentaremos violências e teremos vítimas como jamais visto na história da humanidade.
Proselitismo do caos e do trágico? Entendo que não. Uma leitura crítica e real da situação que vivemos.
O perigo existe dada a globalização e a mundialização dos efeitos mais cruéis dessa nova máscara de sobrevivência do capitalismo, que gera sempre a desigualdade.
A salvação também pode ser global. Desvirtuemos os caminhos e as tendências que a modernidade nos conduz.
É o vislumbrar de um futuro que pode ter um horizonte positivo ou negativo para todos os seres que vivem em nosso planeta Terra.
"Ou todos nos salvamos, ou todos corremos o risco de nos perdermos."