É ABOMINAÇÃO ATRIBUIR FORMA VISÍVEL A DEUS. OS QUE SE APARTAM DO DEUS VERDADEIRO CRIAM ÍDOLOS PARA SI.
(II PARTE)João Calvino
9. O USO DE IMAGENS CONDUZ À IDOLATRIA Uma vez feitas as imagens que representam Deus, segue-se de pronto a sua adoração, porque nelas os homens pensam contemplar a Deus e nelas também O adoram. Como resultado disso, fixando nelas tanto os olhos quanto o espírito, os homens começaram a embrutecer-se cada vez mais, deslumbrando-se com elas e nutrindo por elas admiração, como se nelas houvesse qualquer coisa de divindade! Por isso, quando os homens, na forma de imagens, fazem uma representação tanto de Deus quanto da criatura e prostra-se diante dela para venera-la, é porque já foi fascinado por certa superstição. Foi por essa razão que o Senhor proibiu não somente levantar-se estátuas modeladas para representa-lo, mas proibiu consagrarem-se gravuras de qualquer espécie, para serem usadas como objetos de adoração. Pela mesma razão, também, no preceito da Lei, junta-se outra parte a respeito da adoração dessas representações, pois tão logo foi inventada essa forma visível de Deus, o passo seguinte foi o de atribuir-lhe poder, Os seres humanos são néscios a tal ponto, que identificam Deus com tudo o que o representa, e, por isso, não pode acontecer outra coisa senão adorarem a essa representação de Deus! É supérfluo discutir se simplesmente se adora o ídolo ou se se adora a Deus no ídolo, pois, seja qual for o pretexto, quando se proporcionam honras divinas a um ídolo, é sempre idolatria. E pelo fato de Deus não querer ser cultuado de maneira supersticiosa, recusa-se a Ele aquilo que se oferece aos ídolos. Atentem para isso os que andam em busca de míseros pretextos para defender essa idolatria abominável, na qual a religião verdadeira, por muitos séculos, tem estado afundada e subvertida. Embora digam que as imagens não são consideradas como seres divinos. Os próprios judeus não eram tão absurdamente obtusos, que não se lembrassem de que era Deus aquele por cuja mão tinham sido tirados do Egito (Lv 26.13), e isso antes de fazerem o bezerro de ouro (Ex 32.4). Ao contrário, afoitamente o povo concordou em proclamar, com Abraão, que aqueles que eram os deuses por meio dos quais tinham sido libertados da terra do Egito (Ex 32.4,8), querendo dizer, com não duvidoso sentido, que o Deus libertador lhes fosse conservado, contanto que pudessem contempla-lo andando na frente, em forma de bezerro! E não devemos crer que eram tão boçais, que não entendessem que Deus não era outra coisa senão lenhos e pedras, pois embora mudassem as imagens à vontade, tinham em mente sempre os mesmos deuses, e muitas eram as imagens de um único Deus. Porém, eles não imaginavam existirem para si tantos deuses quantas eram a multidão dessas imagens. Além disso, dia após dia, consagravam novas imagens e, contudo, nem pensavam estar assim constituindo novos deuses. Leiam-se as justificações que Agostinho refere, justificações que os idólatras do seu tempo usavam como pretexto. As pessoas comuns, quando eram acusadas de praticar a idolatria, respondiam que não adoravam as imagens, mas ao contrário, adoravam a divindade que, invisível, habitava nelas. Aqueles que, segundo o próprio Agostinho, praticavam uma religião mais refinada, diziam que não adoravam nem a imagem, nem a divindade que ela representava, porém, na representação material viam um sinal da divindade que deviam cultuar. Que diremos? Todos os idólatras, tanto entre judeus como entre os gentios, foram motivados a praticar a idolatria da forma já referida, ou seja, não estando contentes com uma representação espiritual de Deus, julgavam que, por meio de imagens, adquiriram compreensão mais segura e mais íntima da divindade. Uma vez que se agradaram dess grosseira representação que imitava a Deus, não houve mais fim (desta loucura) até que, finalmente iludidos sucessivamente por novas invenções fantasiosas -, começaram a pensar que Deus mostra o seu poder nas imagens. Mais do que isso, não somente os judeus foram convencidos de que, sob essas imagens, adoravam ao Deus eterno, o único e verdadeiro Senhor do céu e da terra, mas também os gentios que, do mesmo modo, adoravam aos seus deuses, ainda que fossem deuses falsos que, no entanto, imaginavam habitarem no céu. 10. O ABUSO NO CULTO ÀS IMAGENS Todos os que negam que esta prática idólatra existiu no passado, que ainda existe em nossos dias, mentem desvaladamente. Então, por que se ajoelham diante das imagens? Por que, quando se preparam para a prece, voltam-se para elas como se falassem aos ouvidos de Deus? Com verdade, fala Agostinho, quando diz: Ninguém ora ou adora com olhos postos numa imagem, sem ser afetado a ponto de não pensar que ela o ouve ou que ela o ouve ou que ela lhe dará aquilo que deseja. Por que há tão grande diferença entre as imagens de um mesmo Deus, de forma que, sendo desprezada uma ou sendo honrada de maneira vulgar cerquem outra de honrarias solenes? Por que se cansam fazendo peregrinações para cumprir votos, indo visitar imagens, se têm imagens semelhantes em seu próprio lar? Por que hoje se batem a favor delas, de maneira acirrada, a ponto de provocarem carnificina e massacre, como se debatessem por seus altares e lareiras, dando a entender que toleram mais facilmente que lhes tirem o Deus único, que são seus ídolos? E ainda não estou mencionando os erros grosseiros do vulgacho, que são quase infinitos e dominam o coração de todos. Mencionei apenas os erros que eles mesmos confessam quando querem, especialmente, safar-se da pecha de idolatria. Eles dizem: "Não chamamos às imagens de nossos deuses." Nem os judeus nem os gentios chamavam deuses outrora. E, no entanto, os profetas não paravam de repreender as fornicações dos judeus com a madeira e a pedra (Jr 2.27; Ez 6.3-6; Is 19.20; Hc 18-19; Dt 32.27), fornicações que são práticas diárias daqueles que querem ser tidos por cristãos, isto é, que adoram a Deus de forma carnal na madeira e na pedra! 11. O SOFISMA DO CULTO DE LATRIA E DE DULIA Não ignoro, nem se pode disfarçar, que eles fogem do problema, criando uma distinção enganadora, distinção de que faremos menção, novamente, de forma mais completa, mais adiante. Dizem eles que o culto que prestam às imagens é eidoludeleian (=serviço à imagem) e não eidolatria (=adoração de imagem). Falam assim, quando ensinam que, sem ofensa a Deus, pode-se atribuir às representações de escultura e pictória o culto a que dão o nome de dulia. Portanto, julgam-se sem culpa se são apenas os servos da imagem, e não adoradores também. Como se o servir não fosse mais importante que o adorar! No entanto, enquanto encontram refúgio num termo grego, se contradizem a si mesmos de modo infantil. Para os gregos, o termo latreuein nada mais significa do que adorar, por isso, o que dizem eles equivale, exatamente, a confessarem que cultuam suas imagens, mas sem lhes prestar culto!!! E não é preciso que eles façam objeção, dizendo que lhes preparo armadilhas com palavras, porque eles mesmos, tentando espalhar trevas diante dos olhos dos simples, revelam a própria ignorância! Por isso, por mais eloqüentes que sejam, eles jamais conseguirão provar-nos que uma e a mesma coisa são duas! Insisto para que mostrem, de forma objetiva, a diferença (que há entre as duas referidas palavras), para que vejamos que eles são diferentes dos idólatras antigos. Ora, assim como um adúltero ou homicida não pode fugir à acusação de crime, dando nomes diferentes ao crime que cometeu, do mesmo modo é absurdo absolver estes do crime de idolatria, mediante a sutil invenção de um termo, visto que, na prática, eles em nada são diferentes dos idólatras que eles mesmos são obrigados a condenar! Na verdade, eles estão longe de separar sua prática da prática desses idólatras. Sim, a sua causa está tão longe de ser diferente da causa desses idólatras, que a fonte de todo o mal se baseia no desordenado desejo que eles têm de imita-los, quando na sua imaginação não apenas concebem para si, mas com suas mãos confeccionam os símbolos por meio dos quais representam a Deus. 12. FUNÇÃO E LIMITAÇÃO LITÚRGICA DA ARTE Entretanto, não alimento essa superstição que me impeça de admitir, de todo, quaisquer imagens. Pelo fato de a escultura e a pintura serem dons de Deus, defendo o puro e legítimo uso tanto de uma quanto da outra, para não acontecer que esses dons que o Senhor nos concedeu para a sua glória e para o nosso bem -, não só não sejam poluídos por ímpio abuso, mas, também, não se transformem na nossa ruína! Dizemos não ser permitido representar-se a Deus, de forma visível, porque Ele mesmo proibiu (Ex 20.4; Dt 5.8) e, portanto, não se pode fazer isso, sem degradar a sua glória. E para não pensarem que só nós sustentamos esta posição, os que são versados nos escritos de autores sóbrios verificarão que eles sempre reprovaram essa prática nos seus escritos. Porque, se não é permitido representar a Deus por meio de uma efígie, muito menos é permitido cultuar a efígie ou cultuar a Deus nela. Portanto, sobra-nos a liberdade de esculpirmos ou pintarmos só aquilo que está diante dos nossos olhos, de forma que a majestade de Deus, que está muito acima da percepção dos nossos olhos, não se corrompa por meio de fantasiosas representações. Nesta classe de coisas que se podem representar pela arte estão incluídas, em parte, histórias e fatos acontecidos, em parte, imagens e formas corpóreas que não estejam ligadas a eventos consumados. As histórias e os fatos têm aplicação no ensinar e no advertir; as imagens e as formas corpóreas, por sua vez, creio que a sua utilidade não vai além do deleite (que nos podem trazer). E, apesar disso, salta aos olhos que quase todas as imagens exibidas até o presente nos templos -, são desse tipo. Desse fato pode-se concluir que elas foram colocadas nos templos não em função de julgamento ponderado ou de sábia decisão, mas em função de insensata e precipitada paixão! Deixo de focalizar aqui o quão sem propósito e indecente têm sido essas representações, e quão licenciosamente os pintores e estatuários têm se mostrado sensuais (nos trabalhos que fazem), como já referi pouco antes. Estou frisando apenas que mesmo que nada de impróprio exista nessas obras, todavia elas revelam que nenhum valor têm para ensinar. 13. COMO COMEÇOU O USO DE IMAGENS NA HISTÓRIA DA IGREJA Porém, pondo de lado essa distinção também, vejamos de passagem ter, nos templos cristãos, quaisquer imagens, quer sejam as imagens quem expressam histórias ou fatos passados, quer sejam as imagens que representam corpos humanos. Lembremo-nos, primeiramente se a autoridade da Igreja Primitiva tem alguma importância para nós -, que, por um período de quase quinhentos anos, durante os quais mais florescia a religião e a doutrina pura era mais viçosa, os templos cristãos eram geralmente vazios de imagens. Quando a pureza do ministério não se tinha ainda degenerado, as imagens foram introduzidas, em primeiro lugar, como ornamentos dos santuários. Não discutirei qual foi a razão que tiveram os primeiros autores dessa prática. Se, porém, compararmos era com era, veremos que eles haviam perdido muito da integridade daqueles que (no passado) se recusaram a usar imagens. Quê? Devemos pensar que os santos pais (mais antigos) haviam deixado a Igreja ficar, por tanto tempo, vazia dessa prática, que eles julgavam útil e salutar? Na verdade, porém esses pais (mais antigos) repudiavam essa prática mais por decisão e reflexão, que por ignorância ou negligência, porque viam que nessa prática não havia nada, nem um mínimo de utilidade, porém, representava muito perigo. Agostinho também atesta isso com palavras claras, quando diz: "Quando, nestes pedestais se colocam, essas imagens em exaltada elevação, para que, por causa da própria semelhança que elas têm com membros e sentido animados se bem que lhes falte sensibilidade e alento -, chamem a atenção dos que oram e dos que oferecem sacrifícios, elas afetam as mentes fracas, de modo que pareçam ter vida e respirar." Em outro lugar acrescenta: "Pois essa representação de membros faz o seguinte e até obriga: A mente que vive em um corpo, julgue ser animado um corpo que vê muito semelhante ao seu." E mais adiante: "As imagens valem mais para desviar a alma infeliz, que para assisti-la, visto que possuem boca, olhos, ouvidos, pés, mas não falam, não vêem, não ouvem e não andam." Esta parece ser a razão pela qual João quis que nos guardássemos não somente do culto aos ídolos, mas também dos próprios ídolos (1 Jo 521). Em vista da horrível insânia que até agora tem dominado o mundo extinguindo quase toda a piedade -, temos experimentado, mais desmedidamente, que, tão logo as imagens são colocadas nos templos, levanta-se o pendão da idolatria, porque não se pode moderar a loucura dos homens que, prontamente, os leva à prática de cultos supersticiosos. Ora, mesmo que o perigo não fosse tão iminente, entretanto, começo a refletir sobre o uso a que os templos foram destinados e, de uma ou outra forma, me parece indigno de sua santidade os templos acolherem outras imagens, ao invés de acolher aquelas vivas e representativas, que o Senhor consagrou em sua Palavra. Refiro-me ao Batismo e à Santa Ceia, juntos com outras cerimônias nas quais o importante não é serem vistas com os olhos, mas que nos afetem mais vividamente, de modo que não exijam outras imagens formadas pelo engenho dos homens. O incomparável bem das imagens consiste no fato de, se dermos crédito aos papistas, eles não têm compensação nenhuma que possa ressarci-los da perda! 14. ARGUMENTOS FALSOS QUE SERVEM DE BASE A UMA DECISÃO DE NICÉIA DE 787 Penso que já teria falado mais do que o suficiente a respeito deste assunto se, de certo modo, o Concílio de Nicéia não tivesse lançado mão sobre mim. Não me refiro ao famosíssimo Concílio reunido por Constantino, o Grande, mas ao que foi realizado há oitocentos anos por ordem e sob os auspícios da Imperatriz Irene. Ora, esse Concílio decretou não somente que devem ter imagens nos tempos, mas também que elas devem ser veneradas. O que quer que eu tenha dito pois (sobre este assunto), a autoridade desse Concílio gerará preceito em contrário. No entanto, para falar a verdade, esse fato não me preocupa tanto, quanto à evidência que os leitores terão do quanto se extraviou a sanha dos que foram mais ansiosos para com as imagens, do que convinha a cristãos! Porém, antes de mais nada, livremo-nos primeiramente dos que hoje defendem o uso das imagens, alegando o apoio desse Concílio Niceno. Há um livro sob o nome de Carlos Magno, de caráter refutatório que, a julgar pelo estilo, parece ter sido escrito na mesma época (do Concílio). Nesse livro faz-se referência às opiniões dos bispos que estiveram presentes ao referido Concílio e aos argumentos com que lutaram nas discussões. João, o legado do Oriente, disse "Deus criou o homem à sua imagem" e, por isso, devemos concluir que é preciso ter imagens. Ele mesmo, na seguinte afirmação, opinou que as imagens nos são recomendadas: "Mostra-me a tua face, pois ela é formosa" (Ct 2.14). Outro, para provar que se devem colocar imagens nos altares, citou o seguinte testemunho: "Ninguém acende uma candeia e a põe debaixo do módio" (Mt 5.15). Um outro, com o objetivo de demonstrar que a contemplação das imagens nos é útil, citou um versículo dos Salmos: "Estampada foi sobre nós a luz da tua face, ó Senhor" (Sl 4.6). Um outro recorreu à seguinte analogia: Como os Patriarcas fizeram uso dos sacrifícios dos gentios, do mesmo modo as imagens dos santos devem ocupar para os cristãos o lugar dos ídolos dos povos." Para esse mesmo propósito, torcem a seguinte oração: "Senhor, amei a formosura da tua casa" (Sl 26.8). Porém, especialmente engenhosa é a seguinte interpretação: "Como temos ouvido, assim também temos visto". Portanto, para eles, Deus é conhecido não pelo ouvir da Palavra, mas também pela contemplação das imagens! Semelhante é a agudeza do bispo Teodoro: "Maravilhoso", diz ele, "é Deus nos seus santos" (Sl 68.35) e, daí, diz-se em outro lugar: "Quanto aos santos que estão na terra" (Sl 16.3). Portanto, concluem eles, isso deve referir-se às imagens! Afinal de contas, são tão disparatadas as suas parvoíces que até me envergonho de referi-las. 15. A ABSURDA DEFESA DOS QUE DEFENDEM A ADORAÇÃ DOS ÍDOLOS Quando discutem a respeito da adoração de imagens, citam, como adoração a Faraó (Gn 47.10), a bênção que Jacó deu a esse monarca; citam também a vara de José (Gn 47.31 e Hb 11.21), e a coluna que Jacó levantou (Gn 28.18). Na verdade, quando referem esta última, não só pervertem o sentido da Escritura, mas também se apóiam naquilo que não se lê em lugar algum. Aduzem mais: "Adorai o escabelo de seus pés" (Sl 99.5) e "adorai em seu santo monte" (Sl 99.9), e também, "A tua face suplicarão todos os ricos do povo" (Sl 45.12). Para eles, todas essas citações são provas absolutamente firmes em favor da idolatria! Se, para zombar dos que defendem a adoração das imagens, alguém quisesse fazer deles uma caricatura ridícula, poderia, porventura, reunir tolices maiores e mais grosseiras do que as acima referidas? E, de qualquer modo, para não haver dúvida nenhuma, Teodósio, bispo de Mira, confirma tão a sério com base no sonho de seu arcediago -, que as imagens devem ser adoradas, como se estivesse presente um oráculo celeste. Agora, que saiam a campo esses defensores das imagens e nos pressionem com o decreto do Concílio Niceno retro referido, como se os pais veneráveis desse Concílio não anulassem toda a confiança que se deveria ter neles, não só por portarem a Escritura de modo tão infantil, mas também por submete-la a tão execrável mutilação! 16. ENSINOS E PRÁTICAS BLASFEMAS E ABSURDAS A RESPEITO DA IDOLATRIA Trato agora dos prodígios que a impiedade tem ousado manifestar. É de causar surpresa duas vezes maior verificar-se que não se tem clamado contra eles, com o máximo de repúdio de todos! É oportuno trazer a público esta ímpia loucura para que se retire, ao culto das imagens, pelo menos o pretexto de ser um culto antigo, como os papistas alegam! Teodósio, bispo de Amoria, pronuncia anátema (=maldição) contra todos os que se opõem à adoração das imagens. Um outro atribui todas as calamidades da Grécia e do Oriente ao crime de não se adorarem imagens! Em conseqüência disso, os Profetas, os Apóstolos e os Mártires no tempo dos quais não se usavam imagens -, mereciam ser castigados! Acrescentam ainda que, se se vai ao encontro da imagem do imperador com formigações aromáticas e incenso, as imagens dos santos são muito mais dignas dessa honra! Constâncio, bispo de Constância, em Chipre, professa porém, abraçar as imagens de modo reverente e confirma que ele tributou a elas o culto devido à Trindade, e a todos os que tivessem a ousadia de se recusar a fazer o mesmo, ele anatematizaria (amaldiçoaria) e relegaria à companhia dos Maniqueus e dos Marcionitas. E, para que não se pense que essa era a opinião de um indivíduo só, os demais também concordaram! João, o legado dos do Oriente, levando mais longe ainda a sua ousadia, adverte que seria preferível acolherem-se todos os lupanares, em uma cidade, a rejeitar-se o culto das imagens! Finalmente, o Concílio Niceno estatui, pelo consenso de todos, que os Samaritanos eram os piores de todos os hereges, porém, que piores que os Samaritanos, eram os que combatiam as imagens! Além disso, para que não faltasse à peça o seu solene Aplauso, acrescenta-se à cláusula o seguinte: "Regozijem-se e exultem os que, tendo a imagem de Cristo, lhe oferecem sacrifícios". Onde está, agora, a distinção entre latria e dulia com a qual eles costumam ofuscar os olhos de Deus e dos homens, uma vez que esse Concílio (Niceno) favorece tanto às imagens quanto ao Deus vivo?
Desde
31/10/99