Uma questão sempre discutida pelos Arminianos, que, mesmo na sinceridade do seus corações, mancham a soberania de Deus, é: O Livre Arbítrio dos homens. Parecem lógicos, e escriturísticos, os argumentam que eles usam, de forma sincera, que Deus requer do homem arrependimento, conversão e mudança de coração. E grande verdade há nisso: Ele requer mesmo! Mas vejamos algumas diferenças importantes ao se interpretar esse tema.O grande problema, insolúvel na mão daqueles que sustentam o pendão equivocado do Livre Arbítrio, é a soberania de Deus, exposta tão claramente nas Escrituras, do seu primeiro versículo ao último, permeando todo o seu conteúdo. Deus é soberano, e todas as coisas, repito com ênfase, todas, ocorrem pelo sapientíssimo decreto de Sua vontade. A isso não foge a Salvação dos homens. Não fosse Deus soberano, não fosse a salvação por meio da graça, através da eleição, Deus não seria Deus.
Como disse, o argumento utilizado pelos Arminianos, a princípio, parece bíblico, mas irrefutável é que são argumentos facilmente dissolvidos no oceano do contexto em que estão inseridos: a Glória de Deus. Este, por Sua graça, resolveu salvar homens através do sacrifício de Cristo. A salvação, pelo próprio decreto de Deus, só é possível, como nos atesta as Escrituras (em Rm 10:17) através da pregação do Evangelho, onde está contida a obra salvífica de Jesus. Por conta disso, deve ser feito a todos os homens, como aliás é feito desde os primórdios dos tempos, o convite da parte do Evangelho: "arrependei-vos..." (em Mt 3:2); "Se o meu povo que se chama pelo meu nome... se converter" (em II Cro 7:14). A isto se chama o "Convite da Graça", onde Deus, de forma inteligível aos homens, os chama ao arrependimento e à conversão, apresentando a eles o evangelho e os convocando ao arependimento pelos pecados.
O fato de os verbos em nossa língua apresentarem a forma imperativa faz com que os que defendem o Livre Arbítrio o sustente com o argumento que se segue: "Se Deus está dizendo ao povo para converter-se, arrepender-se, isto significa que o converter-se e o voltar-se para Deus pertence ao homem." O que dizer dessa argumentação? Que ela é a puríssima verdade! Deus não precisa converter-se de nada. O converter-se e arrepender-se pertence exclusivamente ao homem, mas só o fazem aqueles a quem Deus, por graça, dispensa o arrependimento e a conversão. Deus faz o chamado da graça, mas o responder é impossível ao homem, por que isso também depende do mover de Deus. Observe as comparações:
O Convite da graça
A Soberania de Deus
Covertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniquidade não vos servirá de tropeço" (Ez 18:30) "Converte-me, e serei convertido, porque tu és o Senhor meu Deus." (Jer 31:18) "Circuncidai, pois, o vosso coração e não endureceis a vossa cerviz" (Dt 10:16) "O Senhor, teu Deus, circundará o teu coração e o coração da tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus..." (Dt 30:6) "Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo..." (Ez 18:31) "Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne" (Ez 11:19) "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor" (Fil 2:12) "Por que Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fil 2:13)
Surge então uma outra questão: como Deus requer de nós o que não podemos fazer? Essa dúvida é válida e correta! Quando a Palavra diz "Se o meu povo... se converter", Deus está convidando o povo à conversão, Ele está fazendo o convite da graça. O Senhor diz: "Vocês têm que fazer isso." Mas os seus ouvintes de fato não podem se converter. Parece paradoxal, e o leitor há de pensar que caí em embaraço: "Como Deus requer de nós para nossa salvação aquilo que não podemos fazer?" Recorro a uma das mais brilhantes frases que já ouvi em toda a minha vida, proferida por Agostinho: "Deus ordena o que não podemos, para que saibamos que devamos dEle suplicar". Não sem motivo que atesta a Palavra "Convém que Ele cresça e eu diminua."
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O autor é membro da Igreja Prebiteriana Memorial da Barra em Salvador - BA, e concluinte do curso de Medicina pela UFBA.
Desde
31/10/99