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A QUEDA DOS ILUMINADOS

 

O TEXTO ABAIXO É A RESPOSTA POR PARTE DO MISSIONÁRIO CALVIN GARDNER, DA IGREJA BATISTA DE CATANDUVA, AO MEU QUESTIONAMENTO ACERCA DO TEXTO DE HEBREUS 6 QUE TRATA DA QUEDA DOS ILUMINADOS.

 

8 de Janeiro de 99

 

Caro Irmão Dawson,

Agradeço-lhe pela comunicação das suas dúvidas. Eu demorei em responder-lhes para dar um estudo mais profundo sobre essa passagem de Heb 6:1-6. Para mim foi proveitoso o tempo gasto em estudo. Estou mais convicto que antes sobre a posição que tenho que os que são filhos verdadeiros, são seguros pelo poder do sangue de Cristo.

Primeiramente, como introdução, quero enfatizar um fato que baseia-se na própria natureza da verdade. Aquilo que é verdadeiro não pode ser algo mais que verdadeiro. Quando conhecemos o que é verdadeiro, não há mais razão termos dúvida sobre aquele fato que já é estabelecido. Se houver uma aparente contradição, a nossa reação não deve ser duvidar a verdade já estabelecida, mas de procurar o fatos ou os fatos que não estamos entendendo no momento. A verdade é imutável, eterna, pura e firme. Graças a Deus que temos absolutos! A Bíblia revela esses absolutos. O estudo que li do seu website sobre a segurança dos santos listou as verdades referentes à doutrina da salvação de modo cabal ao ponto de estabelecer firmemente qualquer na crença da segurança eterna dos salvos. Por isso não creio que a Bíblia dá margens de dúvida sobre este assunto.

Todavia, se damos uma brecha sobre o que a Bíblia já estabeleça, paramos de andar pela fé, damos uma oportunidade de Satanás destruir o nosso testemunho e enfraquecemos nossa possibilidade de ser uma ajuda aos outros ao nosso redor com a verdade. Como o irmão confidenciou, o irmão tem uma carga imensa de informações contrárias vindo do seu passado. Também o irmão tem aquelas que a sua igreja defenda e prega. Essa carga parece que pode esbarrar qualquer servo fiel de Deus. Mas, mesmo assim, a verdade é mais poderosa que a falsidade e vencerá no fim para eternamente, mesmo que não será sem uma batalha.

Agora, as explicações que tenho sobre Heb 6:1-6 e, em verdade, sobre o resto do capítulo.

Creio que os que estão descritos em versículos 4-6 não são crente verdadeiros. Mais sobre isso no decorrer do estudo, mas aqui quero comentar sobre os versículos 1-3 que estabeleçam um pouco o clima para tudo que segue até o fim do capitulo.

Os versículos 1-3 já estão abrindo o assunto da impossibilidade de ter esse ciclo vicioso: ser salvo, pecar, recair, arrepender, ser perdoado, ser salvo novamente, pecar, recair, arrepender, ser perdoado, ser salvo novamente. Paulo estabeleça em versículo 1 que os rudimentos de Cristo leva para um prosseguimento "até a perfeição" e não ao recair. Quer dizer, a salvação é à santidade, à vida eterna, à possessão da promessa, ao amadurecimento espiritual visto em perseverança até ao fim. Jamais os rudimentos (os ensinamentos do Evangelho de Jesus Cristo) são um lançamento "de novo" do "fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus" (v. 1). O assunto descrito por Paulo não é aquela salvação de novo que traz a repetição do arrependimento, a fé, o batismo, consagração, etc (v.2), mas um prosseguimento "até a perfeição" (v. 1).

Versículos 4-6 entra no assunto neste ponto. A pergunta é feita por nós: Porque é impossível de recair, ser ‘não-salvo’, arrepender novamente, e todo aquele ciclo vicioso? É impossível porque necessitaria uma nova crucificação de Cristo, uma exposição repetida de Cristo ao vitupério. Isso jamais acontecerá. É tão impossível o verdadeiro crente "recair" quanto Cristo ser levado ao madeiro novamente e ser exposto ao vitupério. Eu sei que nenhuma igreja que prega as doutrinas de arminianismo pregam uma crucificação nova para os supostos "recaídos". Mas, Paulo está dizendo, se o recair é possível, "quanto a eles" (v. 6), a crucificação nova é necessária e, nos corações daqueles que ‘recaíram’, em seus corações, ao menos, Ele é novamente crucificado por aqueles que venham se arrepender novamente para serem restabelecidos entre os salvos, etc.

O Apóstolo Paulo continua nos ensinando do assunto dizendo que o problema não é ‘se’ "recair". O problema é estabelecer quem é da terra boa ou da má (v. 7-8). Os da terra boa produzem "erva proveitosa", sendo "lavrada" por Deus, e, estes recebem a benção (santificação, glorificação). Os que produzem "espinhos e abrolhos" não são abençoados, mas reprovados, amaldiçoados, e, se continuar nesse estado, irão ao inferno ("o seu fim é ser queimada"). Jamais os que produzem "espinhos e abrolhos" são descritos da terra boa! Esse ensinamento não difere em nada que Jesus ensinou em João 15 (a videira e a vara), a parábola das quatro qualidades de terra (Mat. 13:1-23) e de Mateus 7 quando ensinou que conhecerá a árvore pelo fruto (v. 20) entre outros ensinamentos. Se "até uma criança se dará a conhecer pelas suas ações" (Próv. 20:11), e uma árvore é conhecida pelos seus frutos Mat. 7:15-21), o crente verdadeiro também é.

O apóstolo Paulo continua seu ensinamento em Heb 6:9 dizendo que haja coisas que acompanham a salvação verdadeira. As coisas que acompanham a salvação são melhores que a duvida, a escravidão novamente pelo pecado, a confusão, etc.

Tendo a possibilidade de ser enganados sobre o estado da sua salvação (a dúvida não é se a salvação é segura ou não, mas se o ‘crente’ tenha a salvação verdadeira ou não), o apóstolo Paulo ensina que tenhamos "cuidado até ao fim". Este cuidado é o cuidado de examinar-se se esteja verdadeiramente salvo (II Cor 13:5; o apóstolo Pedro repete a mesma em II Pedro 1:10). Incluído neste cuidado é o esforço de perseverar "até ao fim" (Heb 6:11). O cuidado também inclui a diligencia, prudência, não a confiança na carne, etc. O cuidado é ser imitadores daqueles que perseveravam até ao fim (Heb 6:12 e Heb 11). Os preservados em Cristo Jesus (Judas 1) necessitam perseverar e isso torna de ser uma marca da salvação (Mat. 10:22; João 6:27).

O apóstolo Paulo coloca as promessas de Deus, a própria natureza divina, como um selo da confiança dos verdadeiros salvos (v. 13-20). Como Deus foi fiel ao Abraão, Ele será fiel a todos que confiam em Cristo Jesus.

Caro irmão Dawson, tomara que este estudo tenha firmado o irmão a confiar completamente na vitória que há em Cristo Jesus. Todos que confiam nEle são salvos eternamente. Ele é a "âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu". Cristo foi feito eternamente o nosso precursor e sumo sacerdote (v. 19,20). Sim, Hebreus 6 restabeleceu a minha convicção neste assunto. Se o irmão tiver dúvidas outras, peço-lhe a gentileza de entrar em contato comigo novamente para, pela Bíblia, resolvê-las.

Agora tenho umas considerações adicionais que vieram em conseqüência do estudo.

Porque creio que os de v. 4-6 não são cristãos? Muitos esbarram por causa da palavra "iluminados" em versículo 4. Nos textos syriacos e etíopes a frase "foram iluminados" lêem "foram batizados". Não que dou margem de erro ao "corrigida" mas é, no mínimo, interessante, e, no máximo, um pouco edificante. Como base de pensar nisso veja o caso de Simão o mágico de Atos 8:9-21 (iluminado ao ponto de ser batizado, mas verdadeiramente não com "parte nem sorte nesta palavra" v. 21). Todavia, este ponto sobre os textos mencionados não deve ser insistido pois é somente uma observação.

Considera também que existem dois tipos de pessoas iluminadas na Bíblia. Existe os convertidos que são iluminados pela obra do Espírito Santo ao ponto de se arrependeram e a terem fé no Senhor Jesus Cristo verdadeiramente. Estes perseveram (Heb 10:32) mostrando assim pelos seus frutos a árvore que são e de qual qualidade de terra são. Estes são filhos de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, etc.

Também existe os iluminados apensas intelectualmente. Estes sabem das verdades, conhecem a fé historicamente, são religiosos por interesse próprio, confiam na mexida das suas emoções e confundem uma consciência ofendida por convicção. Estes somente conhecem a tristeza do mundo (II Cor 7:10). Exemplos bíblicos são os fariseus, saduceus, Judas Iscariotes, Simão o mágico, Faraó, Caim e Balaão. Há também a parábola de quem foi limpo (consciência limpa, uma reformação em vez de uma transformação) por ter um espírito imundo expulso, mas depois foi mais sujo do que antes (Mat. 12:43-45). Não é suficiente ter vinho novo ou uma remendo novo, é necessário odres novos e roupa nova (Mat. 9:16,17). O contexto de Mat. 9 pode ser os da lei do Velho Testamento tentando entender a graça do Novo Testamento na forma do Velho Testamento, mas mesmo assim é verdade que não convém forçar o velho homem viver a vida Cristã; é necessário nascer de novo e ter o homem novo.

É interessante notar a ausência de várias marcas espirituais dos que compõem Heb 6:4-6. Não há nada dito sobre eleição, vida nova, natureza nova, adoção, justificação, perdão, santificação ou glorificação. Não existe nada em Heb 6:4-6 que não pode ser dito de Judas Iscariotes pois ele provou por perto os dons celestiais (milagres e sinais), a obra do Espírito Santo na conversão de muitos ao seu redor, a boa palavra de Deus (Jesus Cristo), da qual Judas pregava, e conhecia as virtudes do século futuro por andar com Cristo. Judas era "um de vós" um dos discípulos (Mat. 26:21), "foi contado conosco e alcançou sorte neste ministério" (Atos 1:17), mas, mesmo assim, Jesus chamou-o de ladrão (João 12:6; I Cor 6:10) e foi ele manipulado pelo próprio Satanás (João 13:2).

Muitos acham que Paulo está tratando de uma possível suposição nos versículos 4-6. As vezes Paulo usa suposições e estes em Hebreus mas os casos de suposição são sem exceção com a palavra ‘se’ em conjunto (Heb 10:26, 38) caso que não aconteça em nosso texto de Heb 6:4-6. A palavra ‘recaíram’ é pretérito mais que perfeito do caso indicativo (Dicionário Aurélio Eletrônico) e é a forma usada em nosso texto. Se fosse suposição a forma usada séria ‘recaírem’ que é o futuro do subjetivo (Dicionário Aurélio Eletrônico). O que temos em Hebreus 6;4-6 não é uma suposição, mas uma afirmação. Não é dito ‘se recaírem’ .... seria impossível ... mas temos a afirmação que é impossível para os salvos recaíram ao ponto de necessitar uma segunda morte de Cristo pelos seus pecados.

Se, por acaso, esse texto continha uma suposição devemos entender que suposição é diferente do que uma condição. Adão tinha uma condição. Se comer, morrerá (Gên. 2:17). Não foi nenhuma suposição. A suposição nunca é fato e não é ação.

Outros idéias dos versículos 4-6 a considerar. Os versículos podem mostrar o perigo na vida do crente. O pecado na vida do crente pode trazer vitupério ao Cristo.

Mais uma vez, caro irmão Dawson, este estudo tem sido uma benção para mim. Envio-lhe este estudo com a oração que seja uma benção à sua vida e aos com quem o irmão ministra.

 

Em Amor Cristão,

Pr. Calvin G. Gardner

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Foram consultados os seguintes livros neste estudo:

BÍBLIA SAGRADA. São Paulo, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 1994.

GILL, JOHN. The Cause of God and Truth. Grand Rapids, Baker Book House, 1980.

STRONG, JAMES. Abingdon’s Strong’s Exhaustive Concordance of th Bible. Nashville, Abingdon, 1981.


Desde 31/10/99