FLAGELO

Zumbem aos teus ouvidos, assediam tua sopa,

Impregnam o ar e te mancham a roupa.

Num lugar tão horrível não se pode comer.

Vais prá outro - é igual, não tens pra onde correr.

Essas vespas urbanas atacam aos milhares

Nos shoppings, nas ruas, restaurantes e bares.

Não são brancas nem pretas, são todas amarelas,

Maltrapilhas, doentes e quase sempre banguelas.

Algumas são ferozes, agem com violência.

Te agridem, te ferem, perderam a paciência.

Na espera de ação, vivem a pedir esmolas,

Hibernadas no álcool, no craque e na cola.

São todas conhecidas, tem número e crachá,

Só não tem quem, das ruas, as queiram tirar.

Às vezes são ordenhadas em pseudo fundações

Onde se filma a miséria prá ter votos aos milhões.

 

Samuel S da Mata

 

 

 

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