REVOLTA DAS ÁGUAS

 

Águas límpidas fagueiras, vivas em corredeiras, felizes a cantar;

Planícies e florestas transformam-se em festa sob o vosso comandar.

Águas inocentes, em um projeto indecente foram te represar;

E seus braços viçosos, livres e vigorosos, estão a canalizar.

Águas agora oprimidas, se arrastam sem vida, num constante penar;

Vossa fauna sufocada, a morrer condenada, não tem onde desovar.

Águas enclausuradas, sem canto, paradas, jazem numa prisão,

Estais poluídas, opacas, sem vida, cheiram a podridão.

Águas enraivecidas, revoltadas e unidas, vão a barragem estourar,

E os restos tiranos deste casulo insano, que se afoguem no mar!

Samuel S. da Mata

 

 

 

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