Há um sonho de criança muito longe da ilusão, Não tem fada, castelo nem príncipe encantado È um desejo profundo por um pedaço de pão De um estômago que ronca sem nunca ser saciado.
Esse sonho tão simples têm milhares de infantes Nas calçadas e marquises de toda grande cidade, Estirados na grama, também debaixo das pontes, È um amargo sonho em vigília, nutrido pela necessidade.
Esse sonho tão cruel, repleto assim de horrores, É forjado em gabinetes da forma mais triste e vil Que prende os filhos da fome num curral de eleitores A manter no poder os políticos do nosso injusto Brasil. Samuel S. da Mata