Redoma de
vidro de ouro enfeitada,
perfumada
de lírios e de encantos tomada,
arquitetada
nos sonhos de um contos de fada,
cativa e
seduz a pessoa amada.
Cortejo e
juras completam o encanto,
sorrisos
e beijos -- uma veneração;
jamais se
encontra, em qualquer outro canto,
alguém
que a ame com tal devoção.
Gazela da
tarde, que saltita no campo,
não vês
que é a brisa, que te faz sedução,
mas se
presa de amor te fizerdes, no entanto,
sumirá
dos seus lábios esta doce canção.
Ao
peixinho de aquário não se vê saltitar,
seu olhar
é sem vida, seu viver deprimido
preferia
ser feio, mas livre no mar,
a ser
belo, mas preso à redoma de vidro.
O amor,
muitas vezes, é uma contradição,
é
esplendor, mas é poda em pleno verão,
é flor
arrancada de um jardim rico em vida
para
murchar em um vaso duma sala perdida.
Quem ama
de fato suporta a ventura
de ver
sua amada, por outros querida,
mas
mantendo no rosto a terna doçura
de viver
seu amor rico em graça e vida.
O amor
que aprisiona é obsessão,
é
mesquinhez, é loucura é também perdição,
pois joga
o seu dono em uma trama sem fim
que
maltrata o amor e acaba sozinho.