AMOR POSSESSIVO

 

Redoma de vidro de ouro enfeitada,

perfumada de lírios e de encantos tomada,

arquitetada nos sonhos de um contos de fada,

cativa e seduz a pessoa amada.

 

Cortejo e juras completam o encanto,

sorrisos e beijos -- uma veneração;

jamais se encontra, em qualquer outro canto,

alguém que a ame com tal devoção.

 

Gazela da tarde, que saltita no campo,

não vês que é a brisa, que te faz sedução,

mas se presa de amor te fizerdes, no entanto,

sumirá dos seus lábios esta doce canção.

 

Ao peixinho de aquário não se vê saltitar,

seu olhar é sem vida, seu viver deprimido

preferia ser feio, mas livre no mar,

a ser belo, mas preso à redoma de vidro.

 

O amor, muitas vezes, é uma contradição,

é esplendor, mas é poda em pleno verão,

é flor arrancada de um jardim rico em vida

para murchar em um vaso duma sala perdida.

 

Quem ama de fato suporta a ventura

de ver sua amada,  por outros querida,

mas mantendo no rosto a terna doçura

de viver seu amor rico em graça e vida.

 

O amor que aprisiona é obsessão,

é mesquinhez, é loucura é também perdição,

pois joga o seu dono em uma trama sem fim

que maltrata o amor e acaba sozinho.

 

Samuel S. Mata

 

 

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