Como nasce
um poeta? É o que me perguntam.
Respondo
simplesmente: como nasceu o mundo.
Primeiro um
pensamento, sem medo de estar errado,
ridículo,
absurdo ou mesmo engraçado.
As palavras
vão surgindo e as registro no papel
sem
qualquer censura ou culpa.
Nem sempre
dirão: e viu que era bom,
mas um dia,
talvez, hão de dizer.
O poeta
não pode ter vergonha. Pode não ser moribundo
ou doente
da cabeça mas, por certo, é do coração.
No mais,
basta estar no mundo, pegar um papel e escrever.
E as
palavras vão surgindo com um segredo ao pé do ouvido.
Porque,
para ser poeta , basta estar vivo, mesmo sem sorrir.
Alguns
acharão genial, outros, pueril.
Porém, só
o que olhar com o coração saberá o que sentiu o poeta.
Vão saindo
as palavras, não da boca mas do pensamento.
Palavras
que saem sem pedir licença, como o vento a destruir penteados.
Vai forte
expressão, que já não agüenta mais sentir-se presa,
e corra os
quatro cantos da terra... Aqui nasceu um poeta.
Não o
poeta das cores, não o dos escravos, também não o dos gêneros...
É apenas o
que sente que a vida não lhe pertence
e que
necessita urgentemente de viver. Viver e cantar.
Porque não existe nada mais triste que o cantor sem
ouvinte,
e a beleza
sem alguém a admirá-la.
É por isso
que canto, dilacerando pensamentos, muitos já deveras esquecidos,
mas que em
meus pobres versos renascerão.
Lorena R. da Mata