ALTIVA FLÂMULA

Desprenda-te altiva flâmula do teu mastro,

Para no mais profundo abismo te ocultar,

Até que expurgues de teu ventre e teu regaço,

A infame corja que enlameia o teu altar.

Heróis que te serviram estremecem

Se de alguma forma puderem contemplar

Teus filhos que espoliados empobrecem

Para a gatunos, em vil ordenança, enricar.

Que sangue corre nas veias de teu povo

Que a tanta chaga consegue suportar ?

A indiferença e covardia já dão nojo,

E de civismo, já é galhofa se falar.

Tuas cores, óh! sacro manto, apropria

Com as verdades que hoje estão a imperar,

Teu verde é hepatite, teu amarelo é anemia,

Pois mata e ouro já tosquiaram até findar

As estrelas do teu céu obscurecem,

Pois tu exaltas e enalteces é ao vilão,

O seu azul é a justiça que apodrece,

E o branco é do povo a desilusão.

A ordem há muito foi subvertida,

Polícia e malfeitores dão-se as mãos,

Progresso é uma esperança esvanecida,

Vergonha e ignomínia, é teu brasão.

 

Samuel S. da Mata

 

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