CLAMOR ÁUREO E VERDE
Gemidos de fome e do descaso o pranto
Retumbam nas noites de um País sem igual
Que cobre os horrores com áureo e verde manto
E ignora a miséria, num silêncio venal.
Maldito o destino de seus pobres filhos.
Oh País da vergonha e de injustiça atroz
Pois de infante sangue alimenta seus rios
E dos que clamam por pão, ignora a voz!
Estampido na noite, já não incomoda ninguém
Chacina é manchete em todo o jornal
Dá Ibope a desgraça dos que nada têm
Violência e miséria já é o viver natural.
Adormecido gigante ao clamor do seu povo
Cujo berço é esplêndido, mas cheira a podridão
Busca hoje em teu íntimo dignidade e renovo
Para fazer de teus filhos ao menos cidadãos.
Samuel S. da Mata