© Linhas D'Elvas
nº 2388 de 7-2-97

 

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E parece que foi ontem que nasceu.
O tempo, veloz como o vento, passa despercebido, deixando boas e más recordações, que poucos, infelizmente, poderão já testemunhar porque, a pouco e pouco, foram deixando o nosso convívio, cumprindo inexoravelmente a promessa que é feita ao nascer, já que a vida é o tempo que decorre desde o nascimento até à morte.

E como nasceu "O ELVAS"?

Eis uma pequena história que poucos conhecem:
Estamos na época 46/47. A nossa cidade, em 45/46, havia vestido as suas melhores galas para receber as imponentes embaixadas futebolísticas que, de norte a sul do País, se deslocavam para conhecer a fidalga senhora que antes, guardada pelas suas seculares e sumptuosas
muralhas, ocultava todo o seu riquíssimo tesouro, posto enfim a descoberto pela façanha gloriosa de uns quantos guerreiros sem nome.
Para os saudosistas que possam ainda existir, lembraremos que foi o Sport Lisboa e Elvas que conseguiu provocar no meio desportivo da nossa urbe, a maior revolução futebolística de todos os tempos, inundando o País de curiosidade, entusiasmo e admiração.
A filial do
Benfica disputava o campeonato nacional da primeira divisão, no segundo ano consecutivo. E porque atravessava um momento menos bom no tocante a finanças, recorreu ao clube sede para a necessária ajuda, que lhe foi negada com o pretexto de nunca terem subsidiado financeiramente qualquer filial, e nem se encontravam em condições de o poder fazer. Nada mais claro e absorvente.

Não caiu bem no ambiente desportivo da cidade a renúncia do Benfica em ajudar a sua filial nº 6, dando lugar a um oportuno e sentido desapontamento, e a confissões pouco lisongeiras quanto ao relacionamento pai-filho entre as sedes e os clubes satélites.
E o ambiente filial começou por perder a crença e a pensar em escolher outros rumos, através de conversações entre os dirigentes das duas filiais, concluindo que, transformando os dois clubes num só, a cidade ganhava um representante que não tinha, valorizado com o reforço dos jogadores e dos sócios dos dois clubes. Além disso, acabava-se de vez com a demolição do muro, irreversível, da rivalidade que só prejudicava a legitimidade dos seus intentos.

E a ideia frutificou e teve o seu epílogo, com o beneplácito dos desportistas mais sensatos, mais compreensivos e menos fanáticos.

 

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E "O Elvas" Clube Alentejano de Desportos surgiu da fusão e ocupou o lugar do Sport Lisboa e Elvas no campeonato nacional da 1ª divisão, e os elvenses amantes do futebol continuaram vivendo a legria que grassava na cidade, um entusiasmo gritante, que ecoava fervorosamente nos dias dos jogos.


Depois e através destes promissores 50 anos, os dirigentes, temendo as vagas sinistras do vendaval que assolou e ruíu as estruturas, mal preparadas, do futebol português, têm tido dificuldade em manter a chama gloriosa, de modo a não se apagar de todo.

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