Lenda da Lagoa das Furnas
Há anos, no local em que hoje é a Lagoa das
Furnas, havia uma aldeia onde as pessoas viviam felizes e se divertiam sem parar.
Uma bela manhã, um jovem, quando foi buscar água à fonte para os arranjos domésticos e
para dar aos animais, viu que a água era salgada. Este acontecimento estranho fez com que
o moço adivinhasse que alguma coisa anormal iria acontecer com a população da sua
terra. Aflito, correu a contar aos vizinhos o que vira e o que pensava, mas ninguém o
acreditou.
Passados dias, o rapaz voltou à fonte e ainda ficou mais espantado quando viu o peixe
sair! Convenceu-se definitivamente de que iria acontecer qualquer coisa desagradável à
sua pequena aldeia. A população não fez caso.
O avô, homem já velho, disse às pessoas que parassem com os bailes e festas e que fosse
um mais ligeiro ao alto de um pico a ver se no mar, para os lados do norte, estava uma
ilha à vista.
O povo pôs-se a rir e continuou com os festejos. Mas o velho subiu como pôde mais o neto
ao alto do monte e de lá começou a chamar pelos outros e a dizer-lhes que fossem para a
igreja porque estava à vista a ilha encantada das Sete Cidades, sinal de desgraça.
Ninguém lhe ligou.
Por esses dias, o dito rapaz teve de sair da aldeia para ir vender alguns animais na
freguesia vizinha. Demorou algum tempo no seu negócio, mas voltou finalmente com a
alegria de quem esteve longe e chega a casa. Quando se aproximava, começou a aperceber-se
que tudo lhe parecia diferente.
Finalmente chegou. Porém, no lugar onde deveria encontrar a sua terra, só estava
uma grande lagoa de água tranquilas.
Um cataclismo soterrara para sempre a povoação, mas lá em baixo a vida continuava. É
por isso que hoje nesse lugar se percebe um cheiro intenso de pão cozido pelas pessoas
que continuam a sua vida na povoação escondida pela bela Lagoa das Furnas.