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"Não explico porque ando de moto! Para quem gosta, não é necessário,
e para quem não gosta, nenhuma explicação é possível"
Autor desconhecido
Florianópolis - Campo Grande/Pantanal
Em 1987, eu e meu pai mais um casal de amigos fizemos uma viagem de moto pelo Brasil. Saímos
de Florianópolis com duas Honda CB450 sem destino até Campo Grande, MS. No primeiro dia, seguimos
rumo norte para Curitiba e dali para Guarapuava, PR, onde pernoitamos na casa de parentes.
No segundo dia partimos para Campo Grande, passando por Guaíra, ainda no Paraná. Não sei como
está hoje, mas em 87 a Polícia Rodoviária do Paraná era um saco! Fomos parados várias vezes na
estrada, e numa dessas os policiais estavam "procurando chifre em cabeça de cavalo". Em Guaíra não
foi diferente. As motos ficaram em "observação" na fronteira com o MS... talvez alguma rotina pois
naquela rota passava (ou ainda passa) muitos veículos roubados para o Paraguai.
Bom, saindo do PR, a pista estava livre até Campo Grande. Rapaz, a estrada é uma retona só, cercada
de soja até onde a vista alcança. Chega a ser monótono... não é a toa que meu velho deu uma cochilada na
direção da moto e eu, bem... eu já estava dormindo faz tempo! Nosso colega na outra moto fez de tudo
para chamar nossa atenção: buzinou, plantou bananeira, mas deu tudo certo, ninguém caiu, foi só
um susto. Mas isso chamou nossa atenção para parar mais vezes durante o trajeto, para esticar as
pernas e acordar.
Chegando em Campo Grande, resolvemos dar um pulo até Corumbá, mas sem as motos. Descansamos e no
terceiro dia da viagem fomos para a estação, pegar o tal "Trem da Morte" que sai de Bauru, SP e vai até
a Santa Cruz de La Sierra na Bolívia. Após um pequeno atraso de 12h!!, o trem saiu. A viagem é bem interessante, e foi
tranquila, exceto pelo ataque dos mosquitos. Tivemos sorte então, porque a fama do trem não é muito boa.
Em Corumbá, pegamos uma excursão para conhecer um hotel-fazenda. Coincidentemente, um casal de franceses
que estava no mesmo hotel em Campo Grande também estava na mesma kombi. Além deles, dois belgas. Esta pequena excursão até o hotel teve
uns momentos super engraçados, porque os estrangeiros se apavoravam com qualquer bicho que aparecia. Além disso,
tivemos que ajudar um ônibus atolado, cheio de turistas velhinhos. A gente empurrando o ônibus e os malas
estrangeiros tirando fotos! Aqui mais um lance engraçado: no primeiro bicho que apareceu na estrada, o guia parou e
nós descemos para tirar fotos. Tirei minha máquina, todo bobo, pois era uma câmera moderna (pra época) com zoom. Aí o
francês pegou a câmera dele, com lentes maiores ainda. Desanimei, mas não desisti... aí o belga apareceu com uma câmera equipada
com uma teleobjetiva gigante, daquelas de tirar foto da pulga do elefante... Depois dessa, até o francês passou vergonha!
Depois de retornar a Corumbá, ainda demos uma chegadinha na cidade vizinha boliviana de Puerto Suarez. Horrível!
Trouxemos uns artesanatos de lembrança e voltamos rapidinho. Pegamos o trem novamente retornando para Campo Grande,
e partimos com as motos para Presidente Prudente, SP. Seguimos adiante pernoitando em Londrina, PR, e no dia seguinte visitamos os
parques de Vila Velha e Furnas. Vila Velha tem várias pedras esculpidas pelo vento, e Furnas são dois poços enormes
interligados por cavernas e lagos subterrâneos. Um dos poços tem um elevador para descer até o lago. Novamente, a
coincidência: aquele casal de franceses também estava no poço! Aí fui obrigado a falar com eles, né! Eles estavam de
férias e tinham comprado um pacotão turístico para conhecer o Brasil todo. Eles já tinham passado pela amazônia e nordeste,
agora estavam conhecendo o sul do país. Na época, lembro que apostei que eles iam achar a gente em Floripa... haja
coincidência hein?
De Londrina partimos para Floripa, terminando a viagem com aquela baita churrascada com os amigos, pra mostrar as
fotos e contar os "causos". Infelizmente, as fotos da viagem se perderam e sobraram apenas as
três fotos seguintes:
Capivara: o maior roedor do mundo... ali em Blumenau tá cheio, óió!
Tuiuiú: também conhecido como Jaburu, é a ave símbolo do Pantanal.
Gavião: não me pergunte...
Gostou das fotos? e olha que a minha câmera tinha zoom... ;-)
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