Alan S. Blinder
Policy Brief
No.60, Junho de 2000
The Brookings Institution
O desempenho geral superior da macroeconomia em anos recentes – especialmente
a combinação mais favorável de inflação baixa, desemprego baixo e a aparente
aceleração no crescimento da produtividade – é comumente atribuído aos efeitos
da tecnologia da informação (TI) em geral e a internet em particular. Esse
trabalho examina a evidência a favor e contra as quatro proposições abaixo:
·
O
crescimento da produtividade na economia dos Estados Unidos tem acelerado.
·
Avanços
em TI são as forças propulsoras por trás dessa aceleração em produtividade.
·
Por
causa do crescimento mais rápido da produtividade, a economia dos Estados
Unidos pode agora sustentar uma taxa de crescimento mais alta sem sofrer uma
inflação alta.
·
A
Federal Reserve deveria, portanto, buscar uma política monetária mais afroxada
do que ela poderia com um crescimento de produtividade menos rápido.
Em resumo, nós estamos em uma Nova Economia?
É
impossível dar um julgamento definitivo até que um espaço suficiente de tempo passe
para se ganhar um pouco de perspectiva histórica, mas algumas evidências
apontam para a recente aceleração no crescimento da produtividade – e,
portanto, de um crescimento sustentável do Produto Doméstico Bruto (PDB) – por
volta do mesmo tempo em que a internet estava se difundindo rapidamente por
toda a economia. No mínimo, essa é uma coincidência interessante.
Por que a facinação com produtividade?
Por que os economistas estão
preocupados com um conceito tão abstrato como “produtividade”? As pessoas reais
não se importam mais com coisas concretas como empregos e salários? A resposta
é sim – e não.
Certamente, a taxa de crescimento da
produtividade da força de trabalho é o determinante primário da velocidade com
que os salários reais podem e irão aumentar a longo prazo. O output da nação é dividido entre
compensação trabalhista e lucro (na verdade, há outras partes, mas essas são as
duas relevantes para o presente objetivo). Se salários reais crescem mais
rapidamente do que a produtividade, a taxa de lucro irá ser achatada. No
sistema capitalista, nem essa tendência, nem uma em que os salários reais
crescem mais vagarosamente do que a produtividade, causando a taxa de lucro a
aumentar, podem continuar indefinidamente.
A longo prazo, o crescimento em
produtividade e o crescimento no salário real têm que corresponder. Como a
maior parte dos rendimentos da maioria das pessoas vem de salários, o
crescimento no salário real é o determinante principal da velocidade com que os
padrões de vida irão aumentar. A produtividade não é um número asbtrato. A
longo prazo, é quem dá as cartas.
Adicionar a taxa de crescimento de
horas de trabalho à taxa de crescimento de output
por hora demonstra com qual velocidade a capacidade da nossa economia de
fornecer bens e serviços – freqüentemente chamada de tendência da taxa de crescimento – está aumentando.
Por exemplo, com um crescimento na produtividade anual de 2.5 porcento e um crescimento
na força de trabalho de 1 porcento, a tendência da taxa de crescimento seria de
3.5 porcento por ano.
O trabalho central de uma política
monetária e fiscal é gerenciar a demanda por bens e serviços para mantê-la em sincronia
com a capacidade da economia de fornecimento. Se a demanda, medida pelo PDB
real, está abaixo da capacidade (o que é chamado às vezes de PDB “potencial”),
a economia desenvolve o que é chamado de “slack”,
e o que é menos delicadamente chamado de desemprego. Se a demanda supera o
fornecimento, se diz que a economia está “super aquecida”, levando à inflação
mais alta. A tendência da taxa de crescimento, então, essencialmente estabelece
a “velocidade máxima” a longo prazo da economia – 3.5 porcento no exemplo
acima. Esse número está entre os mais importantes elementos de informação que o
Federal Reserve deve conhecer (ou, melhor dizendo, deve estimar) para conduzir
uma política monetária. O crescimento da produtividade é o ingrediente crucial.
Como estimular o crescimento da produtividade
Para aumentar a produtividade da força de trabalho, uma sociedade pode
fazer uma ou mais das três coisas abaixo:
1. Melhorar a qualidade da sua força de
trabalho através da educação e do treinamento.
2. Equipar os seus trabalhadores com
capital maior e melhor.
3. Melhorar a tecnologia, para que
dados inputs produzam mais outputs. Isso, naturalmente, é onde a
tecnologia da informação entra, e é onde eu irei focar.
Estudos que vão desde a década de 50 têm consistentemente mostrado que a
tecnologia é a força primária nos ganhos de produtividade. Começando por volta
de 1973, a parte embasada em tecnologia do crescimento da produtividade (os
economistas a chamam de “produtividade de fator total” ou PFT) diminuiu
dramaticamente, de aproximadamente 1.9 porcento entre 1948 e 1973, a apenas 0.2
porcento entre 1973 a 1997, o último ano em que se tem disponível as
estatísticas do governo. Os números revelam uma concidência impressionante: a
diminuição da produtividade começa quase que exatamente no momento em que o
computador pessoal foi inventado!
Ninguém sabe extamente por que o
crescimento da produtividade diminuiu tanto, embora muitas explicações parciais
– custos maiores com energia, falta de investimentos e deterioração da
qualidade da força de trabalho padrão – têm sido oferecidas, e ninguém culpa o
computador. Visto que não há uma teoria amplamente aceita que explique a
repentina diminuição no crescimento, não deveria ser uma surpresa que ele
esteja crescendo de novo. Talvez isso esteja acontecendo agora.
Como que a tecnologia da
informação afetou a produtividade americana
Tecnologia da informação e produtividade
Hoje em dia, quando as pessoas
pensam em “alta tecnologia”, elas pensam, tipicamente, em computadores e na internet.
Porém, a história nos lembra de duas coisas. Primeiro, mesmo hoje há outras
fontes importantes de melhoria tecnológica. Biotecnologia, por exemplo, está
começando a cumprir as suas promesas. Mesmo indústrias das velhas linhas de
produção como manufatura do aço, montagem de automóveis e tecelagem têm
registrado ganhos tecnológicos notáveis nos últimos 10 a 15 anos (ajudadas,
naturalmente, por computadores). Mesmo sendo tão importante como ela é, a
tecnologia da informação não é a história toda.
Em segundo lugar, uma melhor tecnologia
da informação não é nada novo – ela têm melhorado há anos. A internet pode ser
vista como o último passo em um caminho que começou com os tipos móveis em
tipografia e progrediu através de outras formas de tecnologia, includindo a
máquina de escrever, o telefone, o rádio, a televisão, a fotocópia e o fax. Em
1866, por exemplo, cabos transatlânticos reduziram o tempo que demorava para se
mandar uma mensagem de Nova Iorque para Londres de aproximadamente uma semana a
alguns minutos. Nenhuma inovação tecnológica moderna chegou, ou provavelmente
chegará, perto de tal ganho!
Figura 1
Vamos retornar à redução na
produtividade posterior a 1973 mencionada acima e à questão sobre se o
crescimento da produtividade aumentou recentemente. A figura 1 mostra os dados
da produtividade de 1959 até 1999 e mostra um desvio para baixo na tendência da
produtividade onde está a primeira linha vertical (em 1973). O crescimento da
produtividade teve uma média de 2.94 porcento por ano antes da metade de 1973,
mas apenas 1.41 porcento depois disso. Portanto, o ponto de vista convencional
entre os economistas tem sido, há anos, que o crescimento da produtividade
misteriosamente diminuiu por volta de 1973. Nenhuma explicação convincente tem
sido dada.
Como os computadores melhoraram e se
tornaram ubíquos nos anos 70 e 80, os economistas esperaram para ver se as
maravilhas da computação influenciariam a produtividade nacional, mas isso não
aconteceu. Esse fenômeno surpreendente veio a ser denominado de “o paradoxo do
computador”, a partir da famosa colocação de Robert Solow: “Nós vemos a era do
computador em todos os lugares, exceto nas estastísticas de produtividade”.
Motivo para otimismo
Ultimamente, existe um motivo para
optimisto. Por exemplo, nos quatro anos que acabam no quarto trimestre de 1996,
o crescimento da produtividade teve uma média de 0.9 porcento por ano; mas nos
quatro anos que terminam no terceiro trimestre de 1999, a média foi de 2.7
porcento por ano – três vezes a taxa do período anterior de quatro anos.
Não é evidente na figura 1 que a linha da tendência da produtividade virou
para cima. Um teste estatístico sugere uma notável deflecção para cima de
aproximadamente 1 ponto percentual, mas a figura 2 mostra que nós atravessamos eventos
comparáveis antes. Ela mostra os ganhos médios de produtividade (anualizados)
sobre períodos sobrepostos de quatro anos começando no quarto trimestre de
1970. O último número (2.73 porcento) é realmente um número grande, e o aumento
desde 1996 parece impressionante.
Figura 2
Aumentos semelhantes em
produtividade também podem ser vistos em 1990-1992, 1983-1986 e 1977-1978.
Entretanto, todos eles surgiram depois de uma recessão, quando os negócios
expandem o output rapidamente sem
contratar muitos trabalhadores novos. Além disso, todos os aumentos foram subsqüentemente revertidos. Apenas um
desses eventos (1983-1986) foi tão grande quanto o que nós temos visto
recentemente. Embora nós não possam ainda afirmar com segurança o começo de uma
tendência nova, maior, os dados recentes dão suporte a essa conclusão,
especialmente porque o aumento recente em produtividade não é parte de uma
reação pós-recessão.
Suponhamos que a produtividade
realmente tenha acelerado. É a internet o fator principal atrás desse fenômeno?
No tempo do “paradoxo do computador”, os negócios americanos investiram em
computadores cada vez mais poderosos e baratos por duas décadas sem nenhum
ganho aparente em produtividade. Entretanto, nós podemos estar finalmente vendo
alguns dividendos nesses investimentos. O que mudou?
Uma resposta possível, que será
recebida com aplausos e brindes pelos entusiastas da indústria, é a internet.
Uma teoria é que todos esses computadores de alta velocidade requeriam uma
maior conectividade antes que eles pudesse realmente incentivar a produtividade
a nível nacional e a Rede deu agora o elo que estava faltando. A “hipótese da
inernet” é plausível e, enquanto que a
história pode, no final das contas, prová-la, nós temos que esperar alguns anos
para obter uma perspectiva histórica.
Existe pelo o menos duas explicações
rivais para os dados recentes de produtividade, somente uma das quais contradiz
a hipótese da internet:
1.
A hipótese da difusão: Paul David da Stanford University
nos lembrou que várias décadas se passaram antes que a tecnologia do dínamo
elétrico tivesse difundido suficientemente para aumentar a produtividade
industrial significantemente. Porém, uma vez que a tecnologia se difundiu e as
pessoas aprenderam a usá-la, as coisas realmente decolaram. David sugeriu há quase
uma década, que atrasos na difusão como esse podem explicar o paradoxo do
computador e Alan Greenspan, Federal Reserve Board Chairman, endorsou essa
hipótese em várias ocasiões. A hipótese da difusão não necessariamente
contradiz a hipótese da internet – a interconectividade pode ter sido o veículo
pelo qual a difusão finalmente aconteceu.
2.
A hipótese da concentração: Robert Gordon, da Northwestern
University, argumentou que toda a aceleração do crescimento da produtividade –
que ele estima ser aproximadamente 0.6 porcento por ano, quando diferenças de
medidas e influências cíclicas tenham sido descontadas – pode ser traçada à
indústria de fabricação de computadores. Essa única indústria, enquanto que é
apenas um pedaço pequeno na economia geral, produziu um verdadeiro milagre na
produtividade desde aproximadamente 1995. Se Gordon estiver correto, todas as
indústrias que usam o computador juntas, o que engloba virtutalmente toda a economia
dos Estados Unidos, não mostrou nenhuma aceleração na produtividade líquida.
Essa parece ser uma notícia ruim para a hipótese da internet, que enfatiza os
ganhos oriundos do uso de computadores, não da manufatura deles. Entretanto,
até mesmo a hipótese do Gordon é consistente com a visão da Nova Economia de
aceleração da produtividade. Afinal, o que é mais “Nova Economia” do que a
indústria de computadores?
Finalmente, vamos perguntar uma questão conceitual importante: Como pode
se esperar que melhorias na tecnologia da informação incentivem a produtividade
e quão central deveria ser a internet para alcançar esses ganhos? A idéia
básica é que as melhorias na tecnologia da informação disponibilizam mais
informações de modo mais rápido e mais barato e que informação melhor, mais
atual, leva a melhores decisões de negócios. Isso tudo soa verdadeiro, mas
vamos tentar ser mais específicos.
Uma das maneiras pelas quais os
compuatdores revolucionarizaram as práticas adminstrativas foi pela criação de
um melhor controle de inventório. Quando os negócios podem controlar os seus
inventórios mais firmemente, eles podem economizar juros e custos de estocagem
e podem também reduzir incidentes de depauperação do estoque. A internet
também, claramente, melhora a comunicação entre os compradores e os vendedores
acima e abaixo da cadeia de fornecimento do negócio. Porém, com algumas
exceções proeminentes, custos com invetorio não são uma parte grande dos custos
totais para a maioria dos negócios e, portanto, economias potenciais são
limitadas.
A aplicação da tecnologia de
internet que têm recebido a maior atenção do público é, naturalmente,
merchandising para consumidores. Nomes como Amazon.com, eBay e eToys estão
entre os sites de faixada da Web na Nova Economia. O comércio eletrônico era,
essencialmente, zero até 1995 e mesmo no primeiro trimestre de 1998 o
e-comércio totalizou apenas US$ 16,5 bilhões, de acordo com o Center for Research
on Electronic Commerce da University of Texas. No primeiro trimestre de 1999,
entretanto, o Centro estima que o e-comércio alcançou US $ 37,5 bilhões. O
e-comércio está, no momento, crescimento a uma taxa estonteante.
Comercializar através da internet
pode oferecer muitos benefícios aos consumidores, como a comparação mais fácil,
remoção dos custos de transporte e disponibilidade 24 horas. Entretanto, esses
ganhos nunca irão ser levados em conta no PDB, e assim nunca aparecerão nas
estatísticas da produtividade. Os ganhos são registrados somente na extensão em
que as vendas pela internet reduzam os custos da firma. Dados os altos custos
de montagem, orçamento para propaganda e perdas bem publicadas de comerciantes
online, não é claro que esses ganhos tenha, em fato, sido realizados.
A internet pode oferecer os maiores
benefícios de produtividade na esfera difícil de se medir do comércio business-to-business, onde muitas
companhias dizem que colocar as suas correntes de fornecimento online levou, ou
irão levar, a grandes economias. Se essas reinvindicações – que vêm de gigantes
industrais como IBM, Ford e General Motors – forem corretas, essas economias seriam
capturadas nas estatísticas da produtividade. Por exemplo, se a tecnologia da
internet fizer com que firmas produzam o mesmo volume de output com menos agentes de compra e gerentes do nível do meio da
hierarquia da empresa, a produtividade irá aumentar.
Implicações nas políticas
A presença da internet e da
tecnologia da informação levanta duas questões distintas mas relacionadas que
são centrais para a formulação de política monetária:
·
Terá
a taxa de crescimento sustentável da
economia – a chamada de limite de velocidade – sido aumentada? E ela poderá ir
mais alto ainda?
·
Terá
a taxa mais baixa de desemprego consistente com inflação estável – a chamada
NAIRU (Non-Accelerating Inflation Rate of
Unemployment) – sido reduzida? E se sim, quanto?
O aumento de velocidade: Como foi mencionado anteriormente nesse trabalho, uma aceleração na
taxa de progresso tecnológico poderia obviamente incentivar a taxa de longo
prazo de crescimento da economia. Até recentemente, não havia evidência de que
qualquer aceleração durável teria em fato ocorrido. Agora, há evidência real de
que a taxa de crescimento sustentável da economia subiu, mas leva muito tempo
para se reconhecer uma mudança em uma tendência de longo prazo! Anos depois da
desaceleração da produtividade em 1973, por exemplo, os economistas, os
responsáveis por políticas, executivos e trabalhadores continuaram a basear as
decisões no que agora percebemos foi uma estimativa excessivamente otimista da
tendência da produtividadae. Como um exemplo concreto dos erros grandes que
podem ser feitos quando as percepções não alcançaram ainda a realidade, tem
sido argumentado que a Federal Reserve buscou uma política monetária altamente
inflacionária nos anos 70 essencialmente porque ela super estimou a tendência
da produtividade.
O que pode acontecer se a tendência
do crescimento da produtividade abaixa, mas nem a força de trabalho e nem a
gerência enxerga isso por um tempo? Se os acordos de salários continuam a ser
baseados na estimativa de tendência da produtividade de, vamos dizer, 3
porcento, mas o crescimento verdadeiro da produtividade cai a 1 porcento, então
os custos unitários da força de trabalho irão aumentar 2 porcento mais
rapidamente do que tanto os trabalhadores como os gerentes esperavam. A super
estimativa do crescimento da produtividade irá levar primeiro a um acordo de
salário real excessivo (em relação à produtividade) e então a custos mais
elevados e inflação mais alta. As firmas irão reagir reduzindo o número de
empregos e aumentando os preços ao mesmo tempo. Esse cenário ajuda a explicar a
estagnação dos anos 70.
Agora vire a lógica ao contrário. Se
o crescimento da produtividade acelera, mas as pessoas não percebem isso, os
acordos salariais irão ser muito baixos (em relação à produtividade), abaixando
assim os custos dos negócios. O número de empregos deveria também expandir
visto que o custo da mão-de-obra fica mais barato (de novo, em relação à
produtividade). Esse cenário pode explicar, em parte, o desempenho
macroeconômico fabuloso dos finais dos anos 90s: uma aceleração não percebida
da produtividade levou a ambos, menor desemprego e inflação mais baixa.
O NAIRU: É
um pouco mais difícil entender por que melhorias na tecnologia da informação
deveria reduzir o NAIRU permanentemente. Electronic
bulletin boards e outros mecanismos de informação podem reduzir a fricção
envolvida em achar trabalhadores para as vagas. Mais genericamente,
desenvolvimentos na tecnologia da informação possibilitam a mudança de algumas
atividades economicas para locais onde a mão-de-obra é mais facilmente
encontrada; por exemplo, programadores podem ser contratados em Bombay ao invés
de em Palo Alto. Porém, é difícil de acreditar que esses efetos podem ser
quantitativamente grandes em uma economia de modo amplo.
Considere, entretanto, dois
possíveis cenários que podem produzir um declínio transitório no NAIRU. Um é a
percepção equivocada já descrita. Se a produtividade real cresce mais rápido do
que a produtividade percebida, a economia irá experimentar uma combinação surpreendente
e favorável de inflação estável e baixo desemprego. Nos dados, irá parecer como
que se o NAIRU tivesse abaixado. Entretanto, as percepões se ajustam à
velocidade nova, mais rápida dos ganhos de produtividade, o NAIRU aparente
deveria retornar ao normal. Da mesma maneira, se a internet intensifica a
competição no preço, ela poderia reprimir a inflação, mas apenas por um espaço
de tempo. Será que esse retorno ao normal estaria aguardando os Estados Unidos?
Essa análise aponta às seguintes
conclusões tentativas para os que fazem política monetária:
·
A
atual revolução em tecnologia da informação pode de fato ter acelerado o
crescimento da produtividade da nação. Se esse for o caso, o Federal Reserve
deveria deixar a economia crescer mais rapidamente do que ela poderia com uma
tendência de produtividade mais baixa. O chairman,
Greenspan, reconheceu explicitamente esse ponto, e o Federal Reserve parece ter
se comportado de acordo.
·
Entretanto,
o crescimento econônico real têm claramente excedido qualquer estimativa
razoável do novo e mais alto “limite de velocidade” por vários anos já. Nós
sabemos isso porque a taxa de desemprego tem recuado de maneira constante – um
sinal claro de crescimento acima da tendência.
·
Embora
a economia dos Estados Unidos não tenha sofrido nenhum aumento em inflação
apesar de uma taxa de desemprego abaixo de 4.5 porcento por mais de um ano
agora, uma aceleração não percebida da produtividade pode ter reduzido o NAIRU
temporariamente apenas. Se esse for o caso, o NAIRU aparente irá retornar a um
valor mais normal conforme as percepções se adaptam à nova realidade.
Conclusão
Em resumo, nós temos um fato
tantalizador – que a produtividade acelerou exatamente por volta do tempo em
que a internet entrou em cena. Se a internet foi ou não a causa do aumento no
crescimento da velocidade será uma questão para historiadores da economia
resolver em alguns anos no futuro; há explicações rivais. Por enquanto,
entretanto, parece que a economia pode sustentar uma taxa de crescimento maior
do que a maioria das pessoas achava possível há apenas um ou dos anos atrás.
Nesse aspecto restrito, pelo o menos, nós parecemos estar em uma “Nova
Economia”.
Tradução de 10/08/02
Comentários e sugestões para: Solange Aguilera