Estado de São Paulo

30 de Junho de 2000

Secretária defende ação na Amazônia

Para Mary Allegretti, por serem nacionais, ONGs não agiriam contra interesse do País

MARTA AVANCINI
 

A presença das ONGs na Amazônia é um falso problema, na opinião da secretária de Coordenação da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Mary Allegretti. "Não existem ONGs estrangeiras no Brasil, todas são entidades nacionais", diz ela. Portanto, seguindo sua linha de raciocínio, elas operam segundo os padrões legais brasileiros, o que dificulta a realização de atividades contrárias aos interesses nacionais.
A secretária admite que as entidades podem cometer irregularidades, mas ressalta que esse risco é igual ao das madeireiras estrangeiras, que também estão na Amazônia. "Há anos empresas estrangeiras atuam na Amazônia e desrespeitam a lei, e ninguém está pensando em fazer CPI por isso", diz ela, referindo-se à proposta de abertura de uma investigação para apurar o trabalho das ONGs no Norte do País defendida por senadores da região, especialmente de Roraima.
O Ministério do Meio Ambiente mantém diversos programas em parceria com entidades não-governamentais na Amazônia. Os resultados são positivos, na avaliação da secretária.
"Paranóia" - Além da eficiência, as ONGs teriam desempenhado um papel importante no fomento à organização das comunidades que vivem na região. "O fortalecimento da sociedade civil é importante para o processo de democratização porque gera a capacidade de questionamento e de reação."
Para trabalhar em parceria com o ministério, uma ONG tem de ter no mínimo dois anos de existência e apresentar um projeto que passa por uma avaliação técnica, destinada a verificar a compatibilidade da proposta com a missão da entidade.
O coronel Geraldo Cavagnari, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp) classifica como "paranóia" o temor de internacionalização da Amazônia, existente entre alguns segmentos das Forças Armadas.
Trata-se, no entanto, de uma paranóia positiva, porque deixa o governo em estado de alerta contra o que considera as reais ameaças: o narcotráfico e as guerrilhas. Ele ressalta que os traficantes internacionais de droga usam a Amazônia como corredor de exportação e não descarta a hipótese de guerrilheiros sul-americanos utilizarem a floresta como base de operações no futuro. Quanto à presença das ONGs no Norte, fato que o coronel considera uma realidade, ele levanta apenas uma restrição. "Há entidades religiosas que estão descaracterizando culturas indígenas", diz Cavagnari.
Outra idéia contestada pelo pesquisador é a de que a Amazônia é desocupada.

"As Forças Armadas e a Igreja têm uma tradição de presença na Amazônia desde o período colonial."


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