FERNANDO HENRIQUE DISTANCIADO DAS FORÇAS ARMADAS

Não é segredo para ninguém que a criação do Ministério da Defesa -medida que já era defendida pelo ex-Presidente Castello Branco - isolou o Presidente Fernando Henrique do contato com as Forças Armadas. Ao constatar que os militares estão à margem de importantes decisões de natureza político-diplomática, o ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho, durante conferência aos membros do Instituto Político- Estratégico Brasileiro -IPEB-no último dia 16, em Brasília,
alertou para a falta de políticas e estratégias para ocupação da Amazônia, baseadas nas vocações daquela região, visando preservá-la da cobiça internacional.
Conselheiro da República, juntamente com o ex- ministro da Marinha e almirante César Flores, Jarbas Passarinho entende que a questão colombiana faz lembrar a guerra do Vietnã:"os norte-americanos começaram com 60 a 80 instrutores militares no Vietnã do Sul."
Segundo Passarinho, as potências internacionais cobiçam a Amazônia, detentora de 20% do manancial de água potável do mundo, e a nova ordem internacional, ditada pela globalização, prioriza a democracia( "mesmo que à força") e a economia de mercado, na qual as fronteiras perdem a soberania absoluta e os inimigos que legitimam o direito de ingerência das potências são o terrorismo, o narcotráfico, o meio-ambiente e a questão dos direitos humanos. Essas duas últimas, aliás, podem ser usadas contra o Brasil, muito mais, segundo o ex-senador Passarinho, pela incultura européia e norte-americana e pela verdadeira paranóia desses povos sobre o efeito-estufa, sobre o que aconteceria com a calota polar se a Amazônia, hipoteticamente, virasse um imenso braseiro.
Nascido no Acre( Xapuri) e criado no Pará, onde chegou a governador, Jarbas Passarinho disse que conhece a Amazônia suficientemente para rechaçar essa denominação de "pulmão do mundo", pois lá o jogo oxigênio versus gás carbônico é de soma zero. A floresta consome todo o oxigênio que produz, havendo atualmente talvez um excesso de gás carbônico. O suprimento principal de oxigênio do mundo é feito pelas algas marinhas e pelas florestas novas.
Jarbas Passarinho considera que a Amazônia deve ser explorada de acordo com suas vocações e recorda que no Governo Médici, quando era ministro, a construção da rodovia Transamazônica sofreu forte oposição internacional, embora representasse para o Brasil a solução de um dilema que consistia em deslocar 32 milhões de brasileiros sem terra no Nordeste para a imensidão de terras sem homens da Amazônia (0,2 habitante por km2).
Passarinho revelou que, como senador, acompanhou no âmbito internacional as manobras do Governo Miterrand e dos Estados Unidos, através do Departamento de Estado, para colocar o tema meio-ambiente em absoluta prioridade para suas políticas externas. Na conferência de Haia, em 1989, os franceses afirmaram que os detentores das florestas tropicais úmidas devem compreender que sua soberania sobre elas é relativa. O Departamento de Estado  Norte-americano, através de Warrem Christopher, reiterou o interesse prioritário dos Estados Unidos sobre o meio-ambiente. "Acho -afirma o senador - difícil para os Estados Unidos, que lançam diariamente um bilhão de toneladas de CO2 na atmosfera, criticar um país como o Brasil, que lança pouco menos de 400 toneladas, incluindo-se as queimadas na região."
Em relação ao narcotráfico e à questão da Colômbia, Passarinho observou que os Estados Unidos perderam a batalha contra o consumo das drogas e agora querem vencer a batalha contra a produção, investindo 1,3 bilhão de dólares contra o narcotráfico na Colômbia, um país dividido onde 40% do território está sob domínio das FARCs, que recebem investimento de um bilhão de dólares dos traficantes -mais do que o próprio governo investe em suas Forças Armadas.
Concluindo, O ex-senador Jarbas Passarinho defendeu a continuidade do "Projeto Calha Norte" e questionou a eficácia da "Operação Cobra" e outras similares que possam ser realizadas com policiais federais naquelas vastas fronteiras.


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