Jornalistas contam em livro as tramas de Nelson Rockefeller, do missionário Townsend e da CIA para conquistar a Amazônia e a América Latina

ISTOÉ – Mas qual o paralelo entre o empresário Nelson Rockfeller e o missionário protestante Cam Townsend?

Colby – Ambos diziam que sua missão era combater o comunismo que se espalhava pela América Latina e evangelizar as populações indigenas. Mas os dois homens, na verdade, queriam conquistar a Amazônia. Um através do protestantismo e o outro pelo desenvolvimento dessa área, liderado pelas corporações americanas e sob as asas de Washington. Os dois acabaram tornando-se extensões do governo dos EUA, pontes econômicas entre Washington e a Amazônia.

ISTOÉ – Há um paralelo no livro entre a conquista do Oeste americano com a exploração da Amazônia pelos Rockefellers. Como é isso?

Colby – Na Amazônia, eles estavam interessados na extração de minérios e no desenvolvimento do agrobusiness. No Oeste americano, queriam buscar petróleo e extrair minérios. Em ambos os casos, os missionários foram muito úteis provendo informações sobre a resistência dos indígenas aos Rockefellers. Os industriais não planejaram os genocídios, mas a idéia deles sobre o progresso era a de que este deveria chegar de qualquer maneira e teria de ser feito através de corporações americanas. Portanto, só restava aos índios integrarem-se a esse sistema.

ISTOÉ – O que vocês pensam do Plano Colômbia (acordo entre os governos da Colômbia e EUA para combater o narcotráfico)?

Colby – Acreditamos que o Plano Colômbia tem o perigoso potencial de internacionalizar o conflito colombiano, espalhando-o para as fronteiras, com a desculpa de combater as drogas, mas, na verdade com a intenção de realizar uma possível intervenção americana. São sempre os mesmos argumentos de intervencionismo que já foram usados quando se falou sobre o perigo do comunismo no Vietnã, que também atingiu o Camboja e foi desculpa para as guerras secretas no Laos.

ISTOÉ – Qual o motivo real dessas intervenções?

Charlotte – Simplesmente a proteção dos interesses americanos. E isso faz parte da História. As corporações americanas sempre quiseram estabilidade para seus investimentos. E por isso apóiam os governantes que se alinham com o pensamento americano. Caso saiam da linha, pagam as consequências.
Colby – O mais importante é entender que esse esquema não está necessariamente vinculado ao presidente americano eleito pelo povo, mas à máquina governamental americana, ao pessoal do Departamento de Estado, às autoridades da Segurança Nacional. Advogados, lobistas, gente que entra e sai do governo por uma porta giratória.


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