15 de Outubro de 2000Jornal do Commercio
Internacionalização da Amazônia
Por Jonas Ferreira Lima
Logo após o golpe de 1964 o Governo militar permitiu aos Estados Unidos procederem levantamento aerofotogramétrico do Amazonas. Com a utilização de centilômetros foi constatada a presença de grandes jazidas de minerais radiativos. Os electromagnetrômetros, espelharam a abundância de ouro, prata, diamantes, cromo, mercúrio, manganês, potássio, bauxita, magnatita, cricônio, quartzo, zinco, urânio, hematita, tório, gipsita, tentálio, sulfato, cobre e chumbo. O resultado dessa operação foi entregue à empresa norte-americana Geological Survey, cabendo ao Brasil, apenas, os ridículos ademanes da servilidade! O então diretor da Sudam, “patrioticamente” dizia da “necessidade” da participação estrangeira para “colonização dos espaços virgens” da Região Amazônica. Dito e feito. A última edição latino-americana do Times noticiou que antes de 1967 os estrangeiros, naquela região, já haviam comprado terras a 7 centavos o acre, numa superfície maior que a de alguns Estados brasileiros. O Congresso Nacional, à época uma instituição respeitável, instituiu Comissão Parlamentar para analisar o problema. A 3 de junho de 1968, foi divulgado circunstanciado informe denunciando a venda de vinte milhões de hectares distribuídos de uma maneira bem cuidada, formando “um cordão para isolar a Amazônia do resto do Brasil”. Constatou-se o intuito geopolítico norte-americano de construir uma nova fronteira dentro do Brasil. O gabinete do Ministério do Exército, com base nesse Relatório, destacou “o interesse do próprio Governo norte-americano em manter, sob seu controle, aquela vasta extensão de terras para sua utilização ulterior, seja para exploração de minerais, particularmente os radiativos, seja como base de uma colonização dirigida”. O Correio da Manhã, em edição de 30 de junho de 1968, alertou a Nação para o grave fato de que mais de 20 missões estrangeiras, com ênfase para as da Igreja Protestante dos Estados Unidos, estarem, gradativamente, ocupando a Amazônia fixando-se nas regiões de maior opulência em minerais radiativos, ouro e diamantes. Enfatizava o jornal, ainda, que as regiões monopolizadas estavam sob a vigilância de homens fortemente armados, pelos “colonizadores”. Essa foi a razão do general Riograndino Cruel haver afirmado à Comissão Parlamentar que “o volume de contrabando de materiais que contêm tório e urânio alcança a cifra astronômica de um milhão de toneladas” (textual). O que foi feito pela Ditadura Militar para defender aquele gigantesco universo de riquezas? Nada” Com o Governo do entrególogo FHC o envolvimento estrangeiro tornou-se mais acintoso. O escândalo do Sivam que responda se há exagero nessa afirmação. Entrega-se o galinheiro aos fraternos cuidados das raposas.
Agora, avolumam-se os comentários sobre a internacionalização da Amazônia. Como sondagem para efetivação desse desaforo, só possível, mesmo, na trágica “era neoliberal”, promove-se circulação de Mapa, na Internet, onde projeta-se o Brasil dividido ao meio, com o Amazonas geograficamente delineado como “área de controle internacional”. O Website é apócrifo, entretanto revela a famélica avidez daqueles que fazem questão de proclamar que o Brasil dispõe, simplesmente, de “soberania relativa sobre o Amazonas, por pertencer aquela região à humanidade”. Vejam só! Não é somente o volume das riquezas concentradas naquela selva gigantesca que está aguçando a cobiça alienígena. O calor aumenta no Planeta e as reservas de água potável estão diminuindo. Nova York e parte da Europa já começam a sentir os efeitos desse fenômeno hídrico. Acontece que o Brasil possui água em abundância e 80% das nossas reservas estão localizados no Amazonas que concentra, apenas 8% da nossa população. Nas relações internacionais não há amigos, há interesses. Os “desmentidos oficiais” são ardilosos eufemismos para esconder e suavizar duros e cruéis desfechos que se avizinham. Só os energúmenos, os ostensivos ou ocultos calabares, e os idiotas não enxergam a “coincidência” (sic) entre a denúncia contida no Relatório da CI do Congresso Nacional, em 1968 (sobre compra de 20 milhões de hectares distribuídos de maneira a formar “um cordão para isolar a Amazônia do resto do Brasil”) e o Mapa, divulgado, recentemente, na Internet. A intervenção militar dos Estados Unidos na Colômbia (sob rótulo de combate ao narcotráfico) para sufocar a guerrilha naquele país miserabilizado pela exploração estrangeira, patrocinada pelo FMI, significa um passo decisivo para “globalização” da Amazônia. Será mais uma “privatização” tão a gosto do entrególogo FHC que, ao invés de mobilizar as forças armadas para sua missão constitucional de defender a integridade territorial brasileira, mobiliza tropas do exército para “proteger” fazendas de sua família contra reivindicações do MST.
Jonas Ferreira Lima é membro efetivo da Academia de Letras Jurídicas de Pernambuco e do Instituto dos Advogados de Pernambuco