VIOLINOS DO OUTONO
Carlos José Pedrosa

Em 1944, com a França ocupada pelas forças alemãs, a Resistência mantinha inúmeros grupos dispersos, mas coordenados por um comando único e recebendo orientação do comando aliado, em Londres. Segundo a estratégia posta em prática, determinadas missões eram confiadas à Resistência, para serem executadas por trás das linhas alemãs. Cada grupo tinha um código de comunicação e a BBC, de Londres, transmitia regularmente as informações e instruções, segundo a "linguagem" de cada grupo.

Com os preparativos para a invasão da Normandia, vários grupos receberam aviso de alerta. Uma vez recebido o sinal combinado, cada grupo deveria executar determinadas missões, de modo a retardar a reação alemã e dificultar o deslocamento de tropas e suprimentos. Com a proximidade da invasão, um dos grupos, com missão especial, recebeu a primeira parte de uma transmissão em código: "O lânguido soluço dos violinos do outono,..." Significava que a invasão poderia acontecer a qualquer momento e o grupo destinatário da mensagem deveria estar de prontidão. Na véspera da invasão, à noite, esse mesmo grupo recebeu a segunda parte da mensagem: "...fere-me o coração com monótono langor." Significava que a invasão estava em curso, que ocorreria dentro de 24 horas e que o grupo deveria executar imediatamente as missões previamente determinadas. Outros grupos receberam mensagens semelhantes, como "Há incêndio na agência de viagens", "John tem longos bigodes", "Papai chegará amanhã", todas com o mesmo significado. A invasão e as ações da Resistência marcaram o início do fim de uma longa e sangrenta ocupação e levaram à libertação da França, cujo ponto alto, sem dúvida, foi a libertação de Paris.

O Brasil vem sofrendo uma invasão sistemática, facilitada e estimulada pelos quinta-colunas que estão no poder. Não uma invasão militar; pelo menos, ainda não! Mas o perigo está em que esse "ainda não" jamais será eterno, caso não sejam adotadas medidas sérias e urgentes que façam levantar a Resistência e estanquem o movimento invasor. O perigo com que nos defrontamos não é menor que o enfrentado pelos franceses ao longo da II Guerra Mundial. Quem duvida, quem julga ser exagero, quem se dispuser a analisar os fatos chegará à mesma conclusão. O Brasil está sendo traído pelos próprios brasileiros, maus brasileiros que trocam a dignidade e a decência pelos dólares recebidos de Wall Street e depositados nas ilhas Cayman.

Considere-se a siderurgia como a base das indústrias de base. Entenda-se, por outro lado, serem o carvão e o minério de ferro (a mineração) como a base da siderurgia. Os Estados Unidos sempre se opuseram à criação de uma siderurgia no Brasil. Só em 1942, com o interesse americano em levar (forçar) o Brasil à guerra, Vargas obteve o apoio do Presidente Roosevelt na construção de Volta Redonda. Em troca – é claro! – do envio de tropas brasileiras para lutar no front italiano, que americano não é bobo. Quando os traidores venderam Volta Redonda, também venderam o sangue dos soldados brasileiros mortos na Itália em troca da Siderúrgica Nacional. A Vale do Rio Doce, uma gigantesca empresa com instalações industriais, ferroviárias, portuárias, mineradoras e com uma frota de navios graneleiros de grande porte, facilmente alcançaria o valor mínimo de 30 bilhões de dólares. Uma engenharia financeira às avessas vendeu a Vale por 3,3 bilhões. Outras siderúrgicas também foram vendidas, sempre para grupos estrangeiros. Com isso lá se foi nossa autonomia em siderurgia e mineração.

As ferrovias, que em países sérios, governados por gente séria, recebem tratamento adequado, às vezes prioritário, foram desprezadas no Brasil. Sem se considerar, é claro, sua importância do ponto-de-vista da logística militar. Foi com as ferrovias que o General Vom Moltke, na guerra franco-prussiana, conseguiu realizar os preceitos de Clausewitz; concentração de forças e rápido deslocamento. Propositalmente o governo deixou essas empresas sucateadas e sustou investimentos que poderiam recuperá-las, para facilitar a venda para grupos estrangeiros. O mesmo ocorreu com o Lloyd Brasileiro de Navegação, com tripulações retidas, envergonhadas e passando fome em portos do exterior. A maior empresa brasileira de navegação de longo curso, com muitas décadas de bons serviços prestados ao País, importante para uma estratégia de competitividade do produto nacional, foi torrada por qualquer ninharia para atender aos interesses estrangeiros, em detrimento dos interesses nacionais. Com isso continuamos privados de um meio de transporte – de passageiros e carga – que em países sérios tem menor custo e melhor qualidade. Sem boas ferrovias e sem uma empresa de navegação séria.

Os grandes bancos nacionais têm sido vendidos a grupos estrangeiros, sem falar no interesse em levar o Banco do Brasil, nosso principal agente financeiro, para o rol dos bancos privatizados. Não é de admirar! Com tantos bandidos oriundos do mercado financeiro, ocupando posições-chave, não se poderia esperar atitudes honestas. Um indivíduo que tinha salário mensal de 700 mil dólares, mais bônus anuais de 2 milhões, trocou tudo isso por 60 mil reais anuais; outro, que no último ano recebeu bônus de 1 milhão de dólares, veio receber 100 mil reais anuais. Por que? Patriotismo? Conversa fiada! No mercado financeiro não há patriotismo; há interesses que se traduzem em lucro. Se não der lucro não interessa. Quem cobrirá o prejuízo que cada um teve com essas trocas surpreendentes? É claro que estão aqui a serviço de Wall Street, para facilitar e agilizar o processo de entrega da nossa economia, cada vez mais desnacionalizada. Estão a serviço de George Soros, do Banco Morgan, do FMI, da NYSE, da Casa Branca e de toda uma corja que está se apoderando da nossa economia. São eles que cobrem o prejuízo... em dólares.

O petróleo, que foi bandeira de luta na nossa juventude, muitas vezes valendo carreira da polícia, prisão e difamação, também está nos planos dos traidores. Naquela época foi lançada a campanha "O petróleo é nosso!" Nós acreditamos e fomos à luta em defesa da Petrobras. Recentemente um criminoso da ANAPE dirigiu-se aos donos das multinacionais do petróleo, numa reunião em Porto Alegre, dizendo-lhes alegremente: "Senhores, o petróleo é vosso!" E pensávamos que era nosso! É isso que esses traidores querem fazer: entregar nosso petróleo à sanha das multinacionais, que sempre foram contra nossa autonomia e moveram as mais terríveis campanhas. Uma das bandeiras da luta nacionalista de Getúlio Vargas está sendo jogada pelo ralo, sob o falso rótulo de modernização.

O Sistema Telebras, que formava nosso sistema de telecomunicações, um dos melhores do mundo, mais moderno e eficiente, de importância vital para a defesa nacional, foi esquartejado e vendido no açougue da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Sempre com o argumento cínico de que virão "mais investimentos, mais empregos e melhores serviços" e que não ocorreriam demissões. As demissões ocorreram, os investimentos não chegaram, os empregos foram abertos para estrangeiros das matrizes e os serviços pioraram. Com nosso sistema em mãos de empresas estrangeiras, bastarão 15 minutos para que nossas comunicações entrem em colapso, caso isso interesse aos governos de origem. E chamam a isso de "modernização"!

O rosário de traições não termina por aí. Agentes estrangeiros, na pele de falsos missionários, estão atuando na Amazônia, junto às tribos indígenas, com a conivência da FUNAI. Os soldados brasileiros das unidades da selva não podem manter contato com os índios; os "missionários" podem. Estão a serviço do Instituto Hudson e outros, recolhem amostras e informações sobre nossa biodiversidade e as enviam aos países de origem. Tudo sob as barbas da FUNAI; isto é, do governo brasileiro. Agentes de consultorias estrangeiras vêm ocupando salas na sede da Petrobras, no Rio, por ordem do BNDES. Recolhem todo tipo de informações sigilosas – de perfuração, exploração, refino, transporte, etc. – para serem doadas, de graça, aos eventuais compradores da Petrobras.

A invasão a que nos referimos, linhas atrás, não está em curso; a invasão já ocorreu. O Brasil já está ocupado pelas potências estrangeiras, agora sob a forma mais sutil e disfarçada da invasão econômica; depois virá a invasão militar da Amazônia, como é desejo declarado dos Estados Unidos. Ou o povo brasileiro toma uma atitude séria, ou em pouco tempo será tarde demais; será melhor esquecer o "Independência ou Morte". No dia 31 de março, aqueles que atuaram no movimento não terão muito que comemorar. Mas deverão fazer um exame de consciência e verificar que a missão ainda não terminou: está apenas começando. Todos os que estiveram em posições opostas, hoje estão unidos em torno do mesmo ideal: o Brasil. É justamente pelo Brasil, pela restauração da nossa liberdade, da nossa dignidade e da nossa soberania, que esperamos ansiosamente por um novo alento, que nossos Irmãos compreendam que "o lânguido soluço dos violinos do outono, fere-me o coração com monótono langor". BRASIL ACIMA DE TUDO.


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