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COMUNICADO À IMPRENSA


"Carta aberta à nossa amada Pátria: Macau"

Sua Excelência o Governador de Macau, Geral Vasco Rocha Vieira,
Exmo. Sr. Secretário-Adjunto para a Segurança de Macau, 
Brigadeiro Manuel Soares Monge,
Exmos. Srs. Deputados á Assembleia Legislativa e
Ilustres Jornalistas

Nós, os abaixos assinados, somos um grupo de estudantes e profissionais
que residem actualmente no ultramar mas com grande atenção aos
incidentes ultimamente ocorridos em Macau. Servimo-nos da presente para
exprimir a nossa pesada preocupação acerca da recente desordem social
que abalou a nossa amada Pátria.

Os acessos de violência nas ruas de Macau causaram grandes agitaçôes em
todo o lado do mundo e, no essencial, fizeram com que ficássemos
consternados em ver a cídade, onde muitos de nós fomos criados e
desejamos regressar.

Apesar de terem sido orientados para alvos muito específicos, o certo é
que estes incidentes deixaram impressôes terríveis na memória de muitos
dos cidadâos de Macau e daqueles que, como nós, observam este fenómeno à
distância.

A imprensa estrangeira, em particular, incumbiram-se de descrever
intensamente a guerra entre as seitas secretas e os casos de assassínio
em Macau, colocando esta cidade, que desde sempre era tâo querida e
familiar para nós, em publicidade extremamente desfavorável. É evidente
que os efeitos negativos destas publicaçôes tenham já contribuído imenso
para o decréscimo do número de visitantes de Macau e para o declínio da
indústria turística.

Congratulamo-nos com a recente aprovaçâo de diversas medidas de combate
ao crime por parte da Assembleia Legislativa e com algumas tentativas de
ofensiva tomadas pelas Forças de Segurança de Macau. Entretanto,
gostaríamos igualmente endereçar as seguintes preocupações:

Será que os desafios às forças policiais de Macau possam ser ignorados?

Será que os desafios ao Governo de Macau possam passar despercebidos?

Será que, depois de todos estes anos de administração colonial marcada
de tranquilidade, os funcionários portugueses deixariam Macau em pleno
caos com a maior taxa de criminalidade desde então registada?

Esperamos que Vossas Excelências se associem a nós para retorquir com um
"NÃO!". Haverá ainda mais medidas que poderão ser tomadas para restaurar
o bom nome de Macau. Se parecêssemos dernasiado arrojados ou exigentes é
porque estamos convencidos de que o futuro de Macau está nas vossas e
nossas mãos. O que nós, governo e civis, fazemos agora afectará
fortamente o nosso futuro papel como residentes de Macau e da Orla
Pacífica com acelerado crescimento.

Temos que repor a lei e o ordem para reaver a segurança nas nossas ruas.
Sem um ambiente de estabilidade, Macau não poderá tornar-se próspero e
graduar-se no topo das cidades da Orla Pacífica no século XXI. O Governo
de Macau deve pôr tréguas a esta desordem escandalosa. Não devemos
permitir que estes poucos meses de caos destruam os quatro sêculos e
meio de história desta parte singular do mundo.

Pela nossa Pátria, pelo nosso futuro e pela próxima geração, apelamos às
autoridades locais, à comunidade que executa a lei em todas as nossas
famílias e amigos que se juntarem no sentido de combater o aumento do
crime e da corrupção. Trabalhemos juntos, pois, pela restauração da paz,
segurança e prosperidade de Macau.

Respeitosamente nos subscrevemos,
Macau, aos 5 de Outubro de 1997.