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          A noite passa, e o novo dia desponta. O rei Yasha dorme tranquilo com sua protegida. Ashura como sempre dorme com uma mecha dos longos cabelos de Yasha em suas mãos. A rainha Kendappa está agachada ao lado da cama, olhando e esperando.
 
          - O que está fazendo? - pergunta o rei Yasha acordando.
 
          - Vim acordar vocês. - responde ela erguendo-se e espanando o pó de suas roupas (esperou tanto para que ele acordasse?) - Ou você pensou que eu fui buscar você só pra brincar de fazer você de bobo?
 
          - ...Claro que não. -respondeu o guerreiro, tentando manter um pouco de dignidade.
 
          - Por aqui, rei Yasha - conduz ela a um salão especial.
 
          Ele se surpreende com aquela que o espera: - Kishouten!
 
          - Há quanto tempo, rei Yasha - cumprimenta a filha do Antigo Imperador.
 
          A rainha Kendappa explica para o seu amigo nada esperto: - Ela queria falar com você mas para isso, o meio mais fácil é através do Espelho das Estrelas, como um oráculo.
 
          Realmente, as palavras de Kendappa faziam sentido. À frente dos governantes, um enorme espelho circular mostrava a figura da princesa, que usava o espelho como um comunicador.
 
           - Parece que emagreceu um pouco - Kishouten fala um pouco preocupada - Essa vida de fugitivos deve ser extenuante. Sinto tanto pela filha do rei Ashura que também deve estar sofrendo muito.
 
          Enquanto os adultos conversam, Ashura já acordou e meio sonolenta sai procurando:
 
          - Yasha... Onde você tá?... Meu cabelo tá embaraçado...
 
          Ela olha para fora do castelo e fica preocupada com a velocidade em que eles viajam. "Será que Gigei vai conseguir alcançar a gente?"
 
          - Mesmo tendo sido forçada a me casar com o General do Norte, Bishamonten, não posso fazer nada para deter a crueldade de Taishakuten. - lamenta Kishouten - Mesmo quando aquela moça do grupo de artistas - Gigei - tentou enfrentar os soldados, e foi morta diante de meus olhos.
 
          Chorando ela conclui: - Eu... não quero mais... ver esse tipo de atrocidade...
 
          E nem percebeu o choque do rei Yasha com essa revelação "Gigei... morreu?". Recompondo-se ela continuou:
 
          - Deixe-me ajudar no que eu puder.
 
          - Kishouten! Isso é muito arriscado! - retruca o rei Yasha.
 
          Vendo o desenrolar da história, Kendappa afasta-se aborrecida. Por trás do espelho surge uma figura feminina, que Kishouten apresenta:
 
          - Por favor, permita que Sohma junte-se na sua jornada. Não subestime as habilidades dela. O clã Sohma eram os curandeiros do Antigo Imperador, e ela é a única sobrevivente desse clã, assim como vocês. Ela também deseja vingar o seu povo com as próprias mãos.
 
          - Por favor, rei Yasha - pede a moça também.
 
          - Você pode morrer. - ele responde.
 
          O olhar da moça é persuasivo quando fala: - Talvez se souber de algo mais...
 
          "Sohma é uma idiota!" pensa a rainha Kendappa quase marchando de raiva "Faça como quiser, acha que vai vencer?"
 
          - Sabe da lenda de Sohma? - pergunta Sohma, enquanto raios de luz da janela iluminam sua figura esbelta.
 
          - Fala da lenda sobre o sangue do clã Sohma? - pergunta o rei Yasha - De que qualquer um que tomar do sangue fresco de uma pessoa desse clã nunca mais morrer?
 
          - Isso mesmo - responde Sohma - Taishakuten temia que as pessoas tomassem o sangue do clã Sohma e formando um exército de imortais invencíveis, e assim massacrou nosso povo. Eu só sobrevivi por que a rainha Kendappa me salvou. Mas sendo a harpista de Taishakuten, seria arriscado se eu continuasse ao lado da rainha Kendappa, e por isso a princesa Kishouten me acolheu.
 
          Enquanto isso, Kendappa continua marchando furiosa. Para azar de Ashura, que a encontra.
 
          - Ah! - exclama ela feliz em ver um rosto conhecido - Rainha Kendappa! Pode pentear meu cabelo?
 
          - Tá bom. - responde Kendappa, pegando de qualquer jeito o cabelo da Ashura (pretendia fazer duas chiquinhas?).
 
          - Né, por que tava tão brava antes? - pergunta Ashura enquanto Kendappa penteia seus cabelos, sentadas no beiral de uma fonte decorativa.
 
          E a moça explica: - É uma pessoa de quem gosto muito. Ela vai viajar e talvez não volte mais. Eu acho que ela é uma TONTA MESMO, mas não tem jeito, eu gosto muito dela. Mesmo sendo tão tonta, ela é a pessoa que mais gosto no mundo e mesmo sendo uma idéia idiota é o que ela quer e eu deixei ela ir. E fiquei brava comigo por ter deixado ela ir!
 
          - Hum... - murmura Ashura pensativa - Não entendi nada... Mas a rainha Kendappa é forte, né? Nem tá chorando mesmo sabendo que não vai mais encontrar essa pessoa que gosta tanto. Se fosse Ashura já tava chorando.
 
          Fazendo uma carinha inocente e agitando as mãos como se imitasse o golpe de Sohma: - Sohma também é bem forte, né? Sougenpa e pimba todo mundo foge.
 
          - E ainda bem que Yasha também é forte - continua ela olhando contente a fonte - Se a pessoa for forte tudo bem ficar junto com Ashura, porque não vai morrer, né?
 
          Aí ela se lembrou do que tinha de pedir para Kendappa: - Ah, é mesmo!  Será que não dá pra fazer o castelo voar mais devagar. Senão Gigei não vai conseguir alcançar a gente.
 
          - Gigei?... - pergunta surpresa Kendappa - Aquela que foi morta pelos soldados do Imperador no castelo de Kishouten? A dançarina?
 
          - Heim? - surpreende-se Ashura enquanto o mundo parece ficar mais escuro em sua vida - Como é?
 
          As lembranças a invadem como se fossem ondas incontroláveis:
 
          "Gigei! As pessoas que ficam com Ashura ficam infelizes e morrem todos"
          "Isso é mentira. Se eu fico junto com Ashura me sinto muito feliz. Fico muito contente quando Ashura está junto comigo. Gosto muito de você Ashura. Gosto muito, viu?..."
 
          - Não é verdade - murmura Ashura cabisbaixa. Nem presta atenção ao que a rainha Kendappa explica:
 
          - Por isso, esse negócio dela vir atrás da gente... Ashura? Ashura?!?
 
          A menina já saiu em disparada, correndo como se a dor fosse parar fugindo: - GIGEIII...
 
          - Gigei... - soluça ela, sozinha em alguma parte do castelo - Ashura ainda não disse que também gosta muito de Gigei. Eu ainda não disse... Gigei...
 


 
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